Que programas existem a nível internacional para prevenir a radicalização de extrema-direita nas prisões?Alguns serviços prisionais adotam modelos especializados de avaliação de risco e necessidades, formação e programas de intervenção. A UE, através da EU Knowledge Hub on Prevention of Radicalisation, consolida orientações e boas-práticas que incluem deteção precoce, gestão diferenciada de perfis extremistas e reforço das competências dos profissionais. Países como a Noruega ou Alemanha implementam programas de desradicalização baseados em psicologia cognitivo-comportamental, mentoria, ou estratégias multissetoriais de reintegração comunitária. Outros países, como a França - e não obstante o maior foco em extremismo islamista - adotam estratégias focadas na desvinculação.Portugal já tem pessoas presas por crimes de ódio. Que trabalho é realizado nas prisões para prevenir a extensão deste fenómeno?Nós (IPS-Innovative Prison Systems) cooperamos, desde 2015, com serviços prisionais europeus (inclusive a DGRSP) na prevenção da radicalização, iniciando-se com o projeto R2PRIS (reconhecido como boa-prática pela UE) e seguido pelo Integra, R4JUST e MIRAD. A aplicação pós-projeto das metodologias desenvolvidas cabe às administrações prisionais, que atribuem um nível de prioridade ao problema em cada momento. Portugal necessita de maior investimento político e institucional para consolidar uma estratégia nacional robusta de prevenção nesta área.. As ramificações internacionais (como o 1143 ligado ao Grupo Nacional de Espanha) são perigosas?Grupos de extrema-direita tendem a operar concomitantemente e reforçam-se mutuamente, replicando símbolos, narrativas e táticas. Estas ramificações exigem coordenação internacional, partilha de inteligência e mecanismos de monitorização contínua. Saliente-se a presença contínua de elementos das forças policiais em detenções relacionadas com grupos extremistas. É uma realidade que deverá preocupar-nos, pois revela outros problemas de índole estrutural associados ao contexto social e político. Estudos que realizámos noutros países indicam que a normalização do discurso de exclusão (motivado, muitas vezes, por ódio) é um fator que deverá influenciar o panorama extremista nos próximos 5-10 anos e com elevado impacto na coesão social. Esta ‘normalização’ é transversal à sociedade e, consequentemente, aos diversos setores que a integram. Portugal, acredito, não fugirá a esta regra.De forma geral, o que o Estado pode fazer para mitigar estes fenómenos, mesmo fora das prisões?Tal como as questões anteriores, necessitaria de uma resposta mais compreensiva. A prevenção da radicalização exige ação integrada: diálogo entre comunidades, educação para a cidadania e literacia crítica, comunicação institucional inclusiva e práticas restaurativas. Requer, ainda, capacitação profissional e colaboração interinstitucional para fortalecer confiança, partilha de informação, e resiliência comunitária. Tem a palavra quem acredita na mudança. .Uma radiografia ao Grupo 1143 — Origens, protagonistas, ambições e modus operandi, em 10 pontos.Mário Machado – 30 anos de condenações em crimes de tortura, sequestro, ódio e muita violência.Incitamento à violência, armas e munições. Membros do 1143 indiciados por 94 crimes