Mundu Nôbu, um projeto que tem ajudado jovens a ousar para alcançar os seus sonhos

Concerto nesta quarta-feira, na Fundação Gulbenkian, reúne artistas de língua portuguesa para celebrar primeiros resultados do projeto. Para os jovens, "incrível" é a palavra que define a iniciativa.

Vai ser um concerto para celebrar a diversidade da língua portuguesa. Nesta quarta-feira, 15 de abril, o grande auditório da Fundação Gulbenkian, em Lisboa, vai reunir a Orquestra Sem Fronteiras e Martim Sousa tavares, os Calema, Carolina Deslandes, o brasileiro Jota Pê e Dino D’Santiago, um dos fundadores do projeto Mundu Nôbu.

"Para nós é um momento importante para celebrar o nosso trabalho, acima de tudo porque só agora começamos a ter os primeiros resultados, a começar a perceber o impacto que estamos a ter na vida destes jovens", afirma ao DN Liliana Valpaços, cofundadora do projeto.

Criado há dois anos, o Mundu Nôbu trabalha com jovens que vivem em bairros sociais de Lisboa, que começam a participar nas atividades quando têm entre 14 e 18 anos. "O nosso programa tem quatro anos, é um programa inspirado numa metodologia americana que nós trouxemos para Portugal e adaptámos, portanto é um projeto de longa duração", explica Liliana Valpaços.

"Vamos fazendo um trabalho com eles de transição para a vida adulta e trabalhamos em duas componentes que me parecem importantes e complementares. Por um lado, a sua autoconfiança, a noção da sua autoimagem, a sua autoestima, a sua capacidade de lidar com a adversidade. Depois vamos construindo também com eles um projeto de vida individual que seja à altura das suas aspirações e dos seus sonhos e não, muitas vezes, dos estereótipos e dos rótulos que a sociedade lhes impõe", completa a co-fundadora.

São jovens como o Hugo Pires e a Bárbara Fortunato, de 19 anos, que encontraram no projeto mais confiança e incentivo para ultrapassar algumas dificuldades e dúvidas que a vida traz.

No caso do Hugo, a confiança para falar em público e estar mais à vontade em grupo já surgiu, mas o principal tem sido perceber os caminhos para um futuro profissional mais sólido. "Sem o 12.º ano não se vai a lado nenhum, não se consegue trabalhar. Eu só tinha o 9º. ano, então estou a pensar em acabar o 12.º este ano", dizo jovem ao DN.

Já a Bárbara entrou no projeto para "me permitir ter experiências que eu nunca me permiti antes" confessa, e diz que "tem sido incrível". Até agora, já esteve no grupo de teatro, foi pela primeira vez a um concerto musical e até teve coragem para partilhar com os colegas do grupo um talento que ficava escondido.

"Eu gosto de cantar e pela primeira vez eu comecei. Eu nunca tinha pensado estar nessa posição e me expor nesse nível, então sinto que também já é completamente útil só o facto de eu conseguir me sentir confortável a fazer uma coisa tão diferente", conta a jovem, que participou numa seleção do projeto e vai cantar no Mundu Nôbu Experience, um espetáculo no qual os jovens mostram o seu talento.

O concerto desta quarta-feira, no grande auditório da Gulbenkian, tem entrada gratuita. Os bilhetes podem ser levantados no próprio local a partir das 16h00.

O DN é media partner desta iniciativa.

Ensaio da Orquestra Sem Fronteiras para o concerto Por Um Mundu Nôbu.
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