Múmia encontrada no lixo estreou-se num museu

Ta-Iset tinha 4 anos quando morreu no Egipto, há mais de 21 séculos. Na viragem para este milénio, alguém a deitou fora, em França. Hoje faz parte da História, num museu em Rueil-Malmaison

Uma múmia egípcia, encontrada no ano 2000 no meio dos monos deitados no lixo da localidade francesa de Rueil-Malmaison, teve este sábado a sua estreia como parte do espólio do Museu de História Local daquela cidade, na região do Alto-Sena (subúrbios de Paris). Ta-Iset, "Aquela que pertence a Ísis", uma menina de 4 anos mumificada na época ptolemaica, ergueu-se do lixo, qual Fénix milenária, e convida agora os visitantes a descobrirem ou recordarem a História do Antigo Egito.

Ao ritmo de interessantes quizzes sobre amuletos, hieróglifos e a pilhagem arqueológica dos séculos XIX e XX, os visitantes vão travando conhecimento com Ta-Iset. Já a múmia em si ajuda a decifrar a decoração dos sarcófagos e a descobrir as técnicas de embalsamamento e crenças fúnebres do Antigo Egito.

As inscrições e pinturas do sarcófago revelaram o sexo e o nome da misteriosa defunta, enquanto o estudo das ossadas e dentes determinaram que se trata de uma criança de entre 4 e 5 anos. Passados 16 anos de análises e restauração, os especialistas conseguem ainda afirmar que Ta-Iset pertencia a uma família da classe média que terá vivido entre os anos 305 a.C. e 35 a.C., ou seja, em plena Dinastia Ptolemaica.

Faz no mês de junho 16 anos que Joël Gaudichon, funcionário da Câmara de Rueil-Malmaison, reparou em Ta-Iset. A misteriosa caixa de madeira foi furtivamente colocada por uma mulher de cerca de 30 anos no monte de monos a recolher junto à Caserna Guynemer, onde antigamente pernoitavam os militares da guarda suíça.

Com cerca de um metro de comprimento, feita de madeira de má qualidade de sicómoro - árvore também chamada figueira-do-faraó - e de tamargueira, o sarcófago tinha partes esculpidas e exibia pinturas. Joël Gaudichon não sabe dizer se foi por ter antes trabalhado vários anos num cemitério que aquela "caixa" lhe chamou a atenção, mas ele e a sua equipa decidiram avisar o museu da cidade sobre o seu achado.

Após um breve passagem por uma clínica veterinária para ser submetido a radiografias, o sarcófago foi entregue a uma equipa de egiptólogos. Este sábado, Ta-Iset terminou a sua longa viagem de mais de 21 séculos, que iniciou no Egito, na sala de um museu de França, a Oeste de Paris.

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