O militar da GNR que disparou a arma de serviço para o ar no centro de formação em Portalegre, em junho, está suspenso e enfrenta um inquérito judicial instaurado pelo Ministério Público e um processo disciplinar interno.Fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR) revelou esta terça-feira (11 de agosto) à agência Lusa que o Ministério Público (MP) abriu um inquérito a este caso, em que um militar da GNR disparou a arma de serviço para o ar nas instalações do Centro de Formação de Portalegre.A mesma fonte indicou que o inquérito corre termos no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa. A investigação do caso que ocorreu no dia 26 de junho está a cargo da Polícia Judiciária Militar, acrescentou.Em 26 de junho, fonte da GNR disse à Lusa que um militar daquela força de segurança tinha efetuado disparos para o ar, com a arma de serviço, nas instalações do Centro de Formação da Guarda em Portalegre, sem causar “quaisquer feridos ou danos materiais”.A Divisão de Comunicação e Relações Públicas da GNR acrescentou ainda que o episódio ocorreu “durante a manhã” e que o militar se encontrava em serviço interno no centro de formação.O Ministro da Administração Interna, Luís Neves, esteve no mesmo dia em Portalegre, na cerimónia militar de juramento de bandeira de 652 guardas provisórios da GNR.No entanto, a cerimónia decorreu no Estádio Municipal de Portalegre, que fica numa zona da cidade distinta e ainda longe do centro de formação onde o militar efetuou os disparos.A Divisão de Comunicação e Relações Públicas do Comando-Geral da GNR adiantou agora à Lusa que o processo disciplinar instaurado ao militar “encontra-se em fase de instrução”.“No âmbito desse processo, foi aplicada ao militar a medida provisória de suspensão preventiva do exercício de funções, pelo período de 90 dias”, acrescentou a Guarda.Além disso, a GNR revelou que foi instaurado um processo de averiguações com o objetivo de “apurar as circunstâncias relacionadas” com a nomeação do referido militar para o serviço em causa.“Na sequência das diligências realizadas nesse âmbito, o processo de averiguações deu origem à instauração de dois processos disciplinares a dois militares do Centro de Formação de Portalegre”, os quais estão “em fase de instrução”, disse.No âmbito de um desses processos, acrescentou, foi aplicada a “medida provisória de transferência preventiva” de um dos visados, que desempenha agora funções no Comando Territorial de Portalegre.Já o advogado de defesa do militar autor dos disparos, Mário Martins de Campos, em comunicado, disse querer “saber por que razão” o seu constituinte estava na posse de uma arma.Na altura do sucedido, o militar estava “oficialmente dispensado do uso e porte de arma pela própria GNR”, por “problemas psicológicos e psiquiátricos”, mas foi escalado para um serviço armado e foi-lhe entregue “uma pistola Glock, de calibre nove milímetros”.Em declarações à Lusa, Mário Martins de Campo defendeu que o processo disciplinar ao militar deve ser “suspenso à espera do [desenrolar do] processo criminal”, do qual está à espera de ter conhecimento.“Há uma norma no regulamento de disciplina da GNR que diz isso [sobre a suspensão do processo disciplinar], mas a Guarda ainda não a acionou. Espero que a GNR não esteja a querer decidir à pressa o processo disciplinar sem esperar pelo processo-crime”, argumentou.O advogado, que defendeu a realização de uma investigação no Centro de Formação da Guarda sobre este caso, considerou que “houve uma ilegalidade muito grande” ao ser atribuída uma arma de serviço a um militar “proibido de a utilizar pela própria GNR”. .Militar da GNR dispara para o ar no Centro de Formação de Portalegre onde estava o MAI