Mortes por atropelamento disparam nas estradas portuguesas. Governo promete fiscalização reforçada
O ministro da Administração Interna mostrou-se esta quarta-feira (12 de agosto) preocupado com o elevado número de atropelamentos nas estradas portuguesas, que, no primeiro semestre deste ano, causaram 31 mortes, mais do que no mesmo período de 2025.
"Temos muitos atropelamentos. Há muita gente distraída, há muita incivilidade, quer por parte do condutor quer por parte de quem utiliza as estradas e, por isso, temos de facto números que são particularmente graves", afirmou Luís Neves, em conferência de imprensa no Ministério da Administração Interna, em Lisboa, no final de uma reunião com altos responsáveis da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), da GNR e da PSP.
Segundo dados disponibilizados pela tutela aos jornalistas, entre 01 de janeiro e 30 de junho de 2026, morreram na sequência de atropelamentos 31 pessoas, mais 17 (+121,4%) do que no período homólogo do ano passado, quando se registaram 14.
No total, precisou o governante, no primeiro semestre deste ano registaram-se um total 17.941 acidentes, dos quais resultaram 225 mortes, 1.371 feridos graves e cerca de 20.700 ligeiros, o que representa "um ligeiro crescimento" em relação a 2025.
Dados mais recentes, disponíveis no portal oficial do Observatório de Segurança Rodoviária, gerido pela ANSR, mostram que, entre 01 de janeiro e 11 de agosto de 2026, ocorreram 93.012 acidentes nas estradas (+6.120), dos quais resultaram 302 mortos (+24), 1.756 feridos graves (+45) e 26.848 ligeiros (-525).
Polícias reforçam fiscalização nas estradas no próximo fim de semana
As forças de segurança vão reforçar a fiscalização nas estradas no próximo fim de semana, anunciou o ministro da Administração Interna, salientando que a aposta será na imprevisibilidade, pelo que os polícias não estarão sinalizados.
"No próximo fim de semana (…) irão ocorrer muitas operações, com foco na imprevisibilidade e no facto de quem atua no terreno não estar sinalizado", disse Luís Neves, numa conferência de imprensa sobre sinistralidade rodoviária, em Lisboa, justificando a medida com o facto de se tratar de um período de "transição de férias", nos quais têm ocorrido mais acidentes.
Segundo o ministro, as operações "vão decorrer em todo o país", com particular incidência nos "pontos críticos" identificados pelas autoridades.
"As pessoas têm de se habituar a que as regras são para cumprir e em qualquer momento pode haver um momento de fiscalização", sublinhou.
A realização de operações STOP sem aviso de prévio foi uma das medidas anunciadas em abril por Luís Neves para reduzir a sinistralidade rodoviária.

