Durante toda a tarde e o início da noite de ontem, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, ouviu reivindicações de associações e plataformas da Polícia de Segurança Pública (PSP) e da Guarda Nacional Republicana (GNR). Ao agendar os encontros, com cerca de 40 minutos cada, foi solicitado que cada representante levasse entre três e quatro reivindicações que considerasse prioritárias. Da parte do Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia (SNOP), a base das reivindicações foi uma só: pessoas. “Não são problemas novos na PSP. Temos problemas no recrutamento, falta de atratividade da profissão e o envelhecimento dos polícias”, começa por dizer ao DN Bruno Pereira, presidente do SNOP. “Neste cenário, vemos as nossas capacidades diminuídas para responder ao que é a missão e às competências da PSP”, destaca.Bruno Pereira sugeriu ao ministro que promova o recrutamento da PSP de forma “regional e não nacional, com estruturas que não estejam apenas em Lisboa e no Porto”. Também alertou para a necessidade de “reformar o sistema e a organização da PSP”. O presidente do sindicato disse ao DN que “o ministro não tinha conhecimento de algumas das situações que foram apontadas” e que “tomou boas notas”. Numa avaliação geral, o oficial considerou a reunião “positiva” e “menos formal, mais compreensiva”, numa comparação com ministros anteriores. Recorde-se que as negociações com a antiga ministra Maria Lúcia Amaral tinham ficado sem efeito, com as maiores entidades a abandonarem a ronda negocial em novembro do ano passado. Já Cesar Teixeira, da Associação dos Profissionais da Guarda - APG/GNR, destacou que levaram como principais reivindicações as relacionadas com a reforma e os estatutos. “Foi uma primeira reunião de apresentação de cumprimentos, tendo o ministro solicitado as principais e mais urgentes reivindicações, tendo sido informado de que as mais urgentes são as definidas no acordo de 2024, nomeadamente a alteração do Estatuto Remuneratório, do sistema de avaliação e do regime convergente de pensões de reforma”, ressaltou em entrevista ao DN. No total, Neves tem 16 encontros agendados com representantes das classes profissionais. Conforme explicou na passada semana, o contributo é importante “para que as decisões públicas sejam tomadas com conhecimento da realidade do terreno”. “A segurança constrói-se em conjunto. Os sindicatos e as associações profissionais são parte desse esforço coletivo. Garantir boas condições de trabalho aos profissionais da PSP e da GNR é essencial para a segurança do país. Por isso, é minha prioridade ouvir quem está no terreno e trabalhar com todos na construção de soluções”, vincou o novo ministro da Administração Interna.amanda.lima@dn.pt.Barómetro DN/Aximage: Eleitorado de Montenegro aprova escolha de Luís Neves.Agente da PSP fica ferido após ser abalroado por dois homens que fugiram na Ponte 25 de Abril (veja o vídeo)