Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, à chegada à Câmara do Porto
Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, à chegada à Câmara do Porto JOSÉ COELHO/LUSA

Ministro e autarca do Porto recebidos com protestos. "Estou disponível para falar com todos", diz Pinto Luz

Responsável pela pasta da Habitação assegurou que "o diálogo é estabelecido há dois anos e meio" pelo Governo, mas garantiu:" "Não contem connosco para dividir os portugueses".
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O ministro da Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, e o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, foram recebidos esta quarta-feira, 4 de novembro, com protestos à chegada aos Paços do Concelho. "Estou disponível para falar com todos (...). No local que for definido, à hora que for definida, quando os manifestantes manifestarem a vontade junto do ministério, como no passado já o fizeram", disse o governante aos jornalistas no momento em que se ouviam palavras de ordem.

À chegada à Câmara do Porto, Pinto Luz afirmou que o ministério que tutela já "recebeu mais de 350 entidades". "O diálogo é estabelecido há dois anos e meio, com muito trabalho, com muita convicção do caminho trilhado", disse para logo a seguir garantir: "Não contem connosco para dividir os portugueses contra portugueses".

Antes de participar numa cerimónia no interior da Câmara do Porto, com a Infraestruturas de Portugal, Pinto Luz reiterou que o Governo "mantém uma postura de diálogo", destacando a comunicação que o primeiro-ministro fez na terça-feira, em que Luís Montenegro anunciou reuniões com o PS e o Chega para encontrar soluções para a crise da habitação.

"Eu estou disponível para ouvir, se me quiserem ouvir. Nestas condições é impossível", disse o ministro enquanto os manifestantes gritavam palavras de ordem. "O diálogo, a serenidade, o bom senso e encontrar mais aquilo o que nos une do que aquilo que nos divide é essencial", defendeu.

Manifestantes entregam carta a ministro

Quando saiu do edifício da Câmara do Porto, o ministro recebeu uma carta das mãos dos representantes do movimento Porta a Porta com reivindicações com vista a solucionar a crise habitacional que o País enfrenta. "Vou ler esta carta, o senhor secretário de Estado também vai ler esta carta. Terão resposta com certeza", afirmou Pinto Luz, reiterando que o Governo tem optado por uma postura de diálogo nos últimos dois anos e meio.

"Claro que não estamos todos de acordo. Eu também não vos espero convencer de todas as virtudes das nossas políticas. Aliás, pelo que tenho visto vocês não concordam com muitas delas. É legitimo. Mas eu tenho a obrigação de ouvir, mas ouvir com espírito crítico, ouvir de facto e perceber o que podemos ou não fazer", disse aos representantes do movimento Porta a Porta. Referiu que aquele local, à entrada do edifício da Câmara, não era o mais indicado para discutir a questão da habitação. "Gosto de discutir as coisas com profundidade, não é com mediatismo. Agradeço-vos a carta", adiantou.

"Se tem disponibilidade para falar connosco, para nos receber e ouvir, estamos totalmente disponíveis. Aquilo que exigimos é que olhe para este problema como um problema gravíssimo do País e dê respostas ao povo e não aos fundos imobiliários e à banca", disse Raquel Ferreira, porta-voz do movimento Porta a Porta.

Na carta entregue ao ministro, explicou, estão as questões que o movimento tem reivindicado na rua "há muito tempo", como "diminuir o valor das rendas, colocar os edifícios devolutos ao serviço da população, baixar as prestações do crédito à habitação que têm sufocado milhares de famílias no nosso País" e "mais habitação pública". "Aquilo que nós queremos é que os salários que ganhamos consigam pagar uma casa digna", rematou Raquel Ferreira.

Também o autarca Pedro Duarte foi recebido com protestos, dizendo que a Câmara do Porto "é a Câmara do Povo" e que "está aberta a toda a gente. "É o local indicado para haver reuniões institucionais", disse quando questionado sobre quando iria reunir com os manifestantes da Acampada que têm estado em protesto na Praça D. João I.

O presidente do município afirmou que, desde o início do mandato, tem estado, na cidade, a "falar com os portuenses todos os dias, inclusivamente nas praças". "Estou absolutamente disponível para dialogar, como é evidente, para ouvir todos os portuenses sem exceção", repetiu. "Agora, eu não sou condicionado porque eu não reconheço, e não podemos reconhecer do ponto de vista democrático legitimidade política", afirmou aos jornalistas.

O autarca realçou que o "Porto é de longe o município do País que tem maior oferta de habitação pública, seja habitação social seja ao nível do arrendamento acessível" e indicou que a autarquia tem "muitos projetos pela frente". "Vamos quadriplicar o número de habitações acessíveis neste mandato", exemplificou antes de entrar no edifício da Câmara do Porto.

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