A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça CarvalhoFOTO: EDUARDO COSTA/LUSA

Ministra do Ambiente esclarece envio de reservas de combutível para França e diz que declarações de Carneiro são "irresponsabilidade"

Maria da Graça Carvalho garantiu que envio de reservas de combustível para França se deve a falta de capacidade de armazenamento em Portugal, após encerramento da refinaria de Matosinhos em 2021. "Portugal não enviou combustível para abastecer França", reforçou ainda a ministra, sublinhando que as declarações do secretário-geral do PS passaram "uma ideia completamente errada".
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A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, chamou de "profundamente irresponsáveis" as declarações de José Luís Carneiro, secretário-geral do Partido Socialista, sobre um suposto envio de reservas de combustível para França.

Falando à saída da reunião de Conselho de Ministros que teve lugar esta quinta-feira, Maria da Graça Carvalho fez o que chamou de uma "nota de esclarecimento" e considerou que as lideranças devem lidar com os assuntos com "responsabilidade e noção da seriedade", especialmente em tempos de crise.

José Luís Carneiro tinha dito, esta manhã, que Portugal podia estar "em situação crítica" nas suas reservas, após ter enviado parte delas para França, que também está numa situação de crise energética.

"O que o senhor secretário-geral do Partido Socialista fez hoje foi um exemplo de irresponsabilidade, tanto pela falsidade dos argumentos como pela incapacidade de reconhecer as consequências de factos que ocorreram durante a governação liderada pelo PS", disse logo a ministra.

Maria da Graça Carvalho lembrou o encerramento da refinaria da Galp em Matosinhos, que ficou decidida durante o Governo de António Costa, em 2021. Esta decisão, acrescentou, "reduziu em cerca de um terço a capacidade de armazenamento de crude e combustíveis em Portugal".

"A própria Galp transmitiu à ENSE (Entidade Nacional para o Setor Energético) não ter capacidade de continuar o contrato de armazenamento de combustível que tinha na sequencia do encerramento da refinaria", acrescentou, notando que foi "por isso que Portugal se viu obrigada a enviar parte das suas reservas para França".

Esta parte, disse ainda, foi "menos de um décimo" das reservas estratégicas, o que corresponde a "132 mil toneladas de crude armazenada em França", precisou. Esta fração, acrescentou, "pode ser mobilizada a qualquer momento por decisão do governo".

"Portugal não enviou combustível para abastecer França", reforçou ainda a ministra, sublinhando que as declarações passaram "uma ideia completamente errada".

Maria da Graça Carvalho insistiu que "é profundamente irresponsável lançar informações como estas falsas sobre reservas estratégicas de um país" e frisou que está "plenamente assegurada a segurança dos combustíveis", com "92 dias de reservas de combustíveis líquidos".

"O líder do PS não teve hoje qualquer pudor de criar alarme social. Em política não vale tudo. A estabilidade do sistema petrolífero nacional é garante da segurança que todos temos a obrigação de reconhecer e preservar", concluiu.

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