Fernando Alexandre, ministro da Educação.
Fernando Alexandre, ministro da Educação.FOTO: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Mau tempo: Ministro diz que reconstrução de escolas assentará em modelo que suporte ventos ciclónicos

Objetivo é garantir que, se houver uma nova tempestade como as do início do ano, "uma escola não volte a ficar inoperacional, porque ela não resiste a estes ventos”.
Publicado a
Atualizado a

O Governo revelou esta sexta-feira, 27 de março, em Leiria, que a reconstrução das escolas assentará num modelo comum de construção, sustentado no exemplo de países expostos a ventos de 200 quilómetros, garantindo a sua resistência.

O ministro da Educação, Ciência e Inovação adiantou que está a ser pensado, com a construção pública, “modelos de construção, de países que já têm estado expostos a estes eventos [tempestades] há muito tempo, e termos estruturas que resistam a ventos de 200 quilómetros por hora”.

Fernando Alexandre, que falava numa conferência organizada pelo jornal Região de Leiria sobre “O futuro pós-calamidade”, acrescentou que o objetivo é garantir que, “se houver uma tempestade deste tipo, uma escola não volte a ficar inoperacional, porque ela não resiste a estes ventos”.

O governante admitiu que esta resistência já poderia ter sido pensada, mas sublinhou que “depois deste evento não há desculpa se voltarmos a ter uma escola nesta região que foi intervencionada neste período e que o telhado voe outra vez”.

O Governo tem estado em conversações, sobretudo, com os presidentes das Câmaras de Leiria e da Marinha Grande – concelhos cujas escolas foram mais afetados pela tempestade Kristin – para redesenhar projetos já existentes, como a Escola Secundária José Loureiro Botas, em Vieira de Leiria, no concelho da Marinha Grande.

“Tínhamos este investimento previsto, a câmara já tinha projeto e estava pronto para ir a concurso público. Mas já falei com os dois presidentes”, adiantou Fernando Alexandre.

Segundo explicou o ministro, o primeiro aviso do empréstimo do Banco Europeu de Investimento [BEI] terminou agora para as escolas de prioridade um (P1), mas as escolas poderão fazer ajustamentos aos projetos para “estruturas que se tornem mais resilientes”.

“O aviso dois, que terminava em junho, estamos a discutir com a Coesão uma proposta para termos várias fases” e “escolas propostas pelas autarquias, onde estavam previstas as P2, poderem alterar as propostas que tinham e introduzir critérios de majoração para a resiliência da rede e permitir que esta dimensão de reforço da resiliência esteja muito presente”, acrescentou.

Fernando Alexandre observou ainda que “as infraestruturas escolares, se forem bem construídas, podem ser lugares de abrigo para a população”, “não são apenas serem garantia de que as aprendizagens não são interrompidas”.

Para o governante, as escolas têm de “ser resilientes às tempestades, mas também a sismos e a incêndios”.

O ministro adiantou ainda que “Portugal tem previsto até ao final da década, uma intervenção de mais de 1.550 milhões de euros em quase 400 escolas no país todo”, aludindo às 174 escolas recuperadas pela Parque Escolar.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt