A manifestação promovida pela CGTP, marcada para esta sexta-feira (17 de abril), em Lisboa, com o lema “Abaixo o pacote laboral”, poderá ter impacto no funcionamento dos sectores público e privado. A Fenprof, o STAL (Sindicato dos Trabalhadores Locais e de Empresas Públicas), e a Fiequimetal são alguns dos sindicatos que se juntam ao protesto. Na sequência da iniciativa, foram apresentados vários avisos prévios de greve, que irão afetar os estabelecimentos de ensino. Muitos agrupamentos já comunicaram aos encarregados de educação que poderão encerrar portas. Ao DN, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), adianta acreditar numa forte adesão por parte de docentes e não docentes e alerta os pais, “sobretudo do pré-escolar e 1.º ciclo para estarem atentos porque correm o risco das escolas estarem fechadas e não terem onde deixar os filhos”. O responsável antevê que este protesto poderá ser “o primeiro de muitos” que marcarão o 3.º período letivo. Isto porque, explica, “os sindicatos e os professores não estão satisfeitos com o decorrer das negociações do novo Estatuto da Carreira Docente (ECD)”. “A tutela, neste momento, tem que arrepiar caminho e este estatuto tem de ser favorável aos professores. É uma altura crucial. O ECD já não era revisto há muitos anos e é agora ou nunca e os sindicatos recorrem aos meios de luta que têm à sua disposição”, sublinha. Filinto Lima acredita que “as greves poderão proliferar durante este período que é decisivo para os alunos, com provas e exames”. O presidente da ANDAEP sublinha a importância de “um bom acordo” entre sindicato e Governo”, pois “caso contrário, irá agravar a falta de professores ". “Se os nossos docentes e sindicatos não disserem publicamente que o novo ECD é favorável para as carreiras, os jovens terão mais um motivo para não quererem ingressar na profissão e já têm motivos de sobra para não querer ingressar neste momento. Sem um acordo dos sindicatos e o carinho dos professores é mais uma acha para a fogueira do problema da escassez de docentes”, explica.“É de crer que a luta se vai intensificar este período letivo”Francisco Gonçalves, secretário-geral da Fenprof, explica que a greve foi marcada para garantir a presença dos professores na manifestação, que vai decorrer entre a praça do Saldanha e o Parlamento. Isto porque, tratando-se de um dia de semana, apenas os dirigentes e delegados sindicais poderiam faltar ao trabalho para marcar presença. Ao DN diz ainda prever a participação de milhares de pessoas de todos os setores e, da Educação. “Amanhã (sexta-feira, dia 17) as escolas podem encerrar. Pode haver uma adesão significativa à greve e as escolas podem encerrar. Neste caso tanto pode resultar da participação de professores, como dos não docentes”, refere. Francisco Gonçalves tem notado que “a participação dos professores nas lutas da CGTP tem crescido este ano letivo, comparativamente com os outros anos”. “Muitos professores, na greve geral, perceberam que medidas como o banco de horas os podiam afetar, bem como o ataque à lei da greve, para os nossos colegas do ensino particular, a questão do despedimento”, garante. Para a próxima segunda-feira (dia 20) está agendada uma nova reunião entre o ministério e a Fenprof, para debater o novo diploma dos concursos. Uma questão sensível que poderá resultar em novos protestos “se a tutela acabar com a Mobilidade Interna (MI)”, que permite aos professores deslocados uma aproximação à área de residência. “Se isto acontecer e se na segunda-feira formos confrontados com este tipo de situação a luta vai crescer”, afirma. Há outras “questões inquietantes” sobre a novo ECD que preocupam a Fenprof, como a introdução de um mapa de pessoal nas escolas. A acontecer, sublinha Francisco Gonçalves, as regras que se aplicam a mapas de pessoal (anual e ajustável) e as de um professor Quadro de Escola são diferentes e essa alteração permitiria, por exemplo, o despedimento de docentes. “Tendo em conta estes sinais é de crer que a luta se vai intensificar este período e amanhã será o 1.º momento de luta”, conclui.“Aumento geral e significativo dos salários e pensões; carreiras dignas e valorizadas; valorização da Escola Pública; defesa e reforço dos demais Serviços Públicos e das funções sociais do Estado; medidas estruturais que permitam enfrentar a escassez de docentes que sucessivos governos deixaram instalar-se e agravar-se; horários e condições de trabalho justos e legais ou avaliação do desempenho justa e sem barreiras artificiais à progressão”, são algumas das reivindicações da Fenprof.Os professores devem voltar à rua dia 16 de maio, numa nova manifestação por melhores condições de trabalho. .Número de alunos sem aulas aumenta e Porto passa a ser a segunda região mais problemática.Falta de professores: diretores escolares ligam a docentes para aceitarem ir dar aulas