Manifestantes não vão pernoitar na Praça do Rossio
Leonardo Negrão

Manifestantes não vão pernoitar na Praça do Rossio

A proposta para ficar ou não a pernoitar no Rossio foi colocada a votação na assembleia popular, tendo gerado algum debate.
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Os manifestantes reunidos em assembleia popular na Praça do Rossio, em Lisboa, aprovaram esta quinta-feira, 22 de outubro, por maioria, não pernoitar na rua, permanecendo no local em protesto até à meia-noite e meia.

A proposta para ficar ou não a pernoitar no Rossio foi colocada a votação na assembleia popular, tendo gerado algum debate entre os que defendiam pernoitar e os que preferiam ir descansar após cinco noites passadas na praça.

A maioria votou por não pernoitar para irem descansar para reunirem forças para a manifestação de sábado.

No início da assembleia, uma porta-voz da organização informou os presentes das indicações que tinham sido dadas pela polícia, de que a partir da meia-noite e meia poderiam permanecer sem tendas, ou seja, dormindo o relento como aconteceu na noite anterior.

Além desta decisão, os manifestantes aprovaram também incluir uma nova reivindicação na lista que têm vindo a defender, que é limitar o alojamento local na Área Metropolitana de Lisboa e na Área Metropolitana do Porto.

Durante o período de intervenção aberta, ouviram-se críticas às declarações de hoje do presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), Benjamim Pereira, que disse duvidar se a “sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício” que gerações anteriores fizeram para ter uma casa.

Foi ainda feito um apelo para, na sexta-feira, às 18:00, comparecerem no Bairro do Condado, em Marvila, para protestar contra o despejo de uma viúva com dois filhos menores de uma casa municipal, pela Gebalis - empresa de gestão da habitação municipal.

Alguns participantes defenderam também por a realização de uma greve geral ibérica.

Pelas 21:30, a assembleia popular ainda decorria.

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.

A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.

Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.

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