Mais dois agentes da PSP garantiram esta quarta-feira, 11 de março, em tribunal terem visto uma faca junto ao corpo de Odair Moniz, morto por um polícia na Amadora em 2024, acrescentando que, na altura, não o comentaram com ninguém."O importante ali era tentar salvar uma vida. Penso que estar a fazer comentários sobre algo que lá estivesse não ia ajudar minimamente à situação", disse André Silva, que chegou ao bairro da Cova da Moura depois de Bruno Pinto, a ser julgado por homicídio, ter baleado duas vezes o cidadão cabo-verdiano.O agente precisou que a faca estava perto da mão esquerda de Odair Moniz e tinha um punho preto, mas não conseguiu especificar de que tamanho era a arma nem como era a lâmina.Uma outra agente que se deslocou com André Silva ao bairro da Cova da Moura corroborou a versão do colega, sem no entanto dar a certeza de que o objeto cortante que viu corresponde a um outro que foi apreendido no processo, com cuja fotografia foi confrontada esta quarta-feira..Testemunhas dizem que Odair Moniz nada tinha na mão quando foi morto por polícia. Noémia Almeida testemunhou igualmente não se lembrar de ter comentado com alguém que vira a faca, uma vez que havia um outro polícia responsável pela gestão do local do crime e nenhum morador pegaria na arma com tantos elementos da PSP ali presentes.Na primeira sessão do julgamento, em 22 de outubro, Bruno Pinto, de 28 anos, insistiu que acreditou que o cidadão de 43 anos o estava a ameaçar com uma faca quando disparou.Desde então, as testemunhas, incluindo polícias e moradores, têm apresentado versões divergentes quanto à posse e empunhamento da arma..Julgamento. Polícia acusado de matar Odair Moniz pede desculpa à família da vítima, mas acredita que estava a ser ameaçado com uma faca. Odair Moniz, residente no Bairro do Zambujal (Amadora), foi baleado mortalmente pelo agente da PSP em 21 de outubro de 2024, depois de ter tentado fugir e resistido a ser detido na sequência de uma infração rodoviária.No despacho de acusação do Ministério Público, não é referida qualquer ameaça com faca.O julgamento prossegue em 25 de março de 2026, no Tribunal Central Criminal de Sintra.Bruno Pinto está em liberdade, suspenso de funções, e incorre numa pena de oito a 16 anos de prisão..Odair Moniz. Polícia que matou vai “explicar tudo, passo a passo”