“Mais casas, menos bastão!”: acampadas regressam com concentrações em Lisboa e no Porto
As manifestações em defesa do direito à habitação vão voltar às praças de Lisboa e Porto em concentrações marcadas para hoje, horas após as cargas policiais sobre os manifestantes.
Na rede social Instagram, a Acampada de Lisboa convoca o protesto “Mais casas, menos bastão!” para hoje, às 17h00, na Praça D. Pedro IV, onde às primeiras horas do dia uma carga policial, à bastonada e com recurso a balas de borracha e cães, fez vários feridos e detenções. “Junta-te a nós!”, apela a convocatória, garantindo que “a Acampada sobreviveu e resiste” e que a “violência policial bruta […] não será tolerada”.
Na mesma publicação, a Acampada de Lisboa denuncia a “violência estatal” comandada pelo Governo, “usada para intimidar, silenciar, desmobilizar o povo que quer lutar pelos seus direitos”.
A intervenção policial sobre os manifestantes que se concentravam nas praças de Lisboa e Porto esta madrugada “não é um excesso isolado, é a repressão de um Estado que protege a propriedade enquanto agride quem luta pelo direito à habitação”, denuncia, alertando que “o fascismo” se está a alastrar. "A cada bastonada, mais organização, a cada ameaça, mais solidariedade. O medo não vencerá”, vinca a Acampada de Lisboa.
No Porto, Catarina dos Santos, porta-voz da Acampada, deixou esta madrugada, em declarações aos jornalistas após a intervenção policial, a garantia de que voltariam a concentrar-se, como habitualmente, às 19h00: "Ninguém arreda pé da praça até as reivindicações serem ouvidas.”
Numa publicação entretanto divulgada no Instagram, com fotografias e vídeos da carga policial sobre os manifestantes reunidos na Praça D. João I, a Acampada do Porto denuncia o que considera ser "o uso abusivo da força", que "não foi um erro de interpretação da lei, foi uma escolha consciente das forças de segurança". Acompanhando o compromisso de Lisboa, afirma-se também no Porto: "Por cada bastonada, mais apoio mútuo e mais organização. Isto não acabou."
A Polícia de Segurança Pública (PSP) dispersou hoje de madrugada as manifestações pelo direito à habitação, à bastonada e com recurso a balas de borracha e cães, em duas ações em simultâneo em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para a dispersão e a retirada das tendas montadas pelos manifestantes, que não as acataram alegando que o direito à manifestação está protegido pela Constituição.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda.
A nova lei do arrendamento, aprovada na generalidade na Assembleia da República (com o voto a favor de PSD, IL e CDS-PP e a abstenção do Chega), introduz contratos mais flexíveis e despejos mais céleres.

