75 doentes. O maior aumento de internados num só dia desde fevereiro

Estão 916 pessoas internadas devido à covid-19, indica o boletim diário da Direção-Geral da Saúde. Desde agosto que não existiam tantas pessoas internadas. E desde fevereiro que num só dia não havia tantos novos internados.

Foram confirmados, em 24 horas, 2 898 novos casos de covid-19 em Portugal, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS). Há ainda a registar mais 13 mortes associadas à infeção por SARS-CoV-2.

O relatório desta quinta-feira (2 de dezembro) indica que há agora 916 (+75) pessoas internadas devido à covid-19, das quais 112 (+12) estão em unidades de cuidados intensivos.

Estes dados surgem um dia depois da diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, admitir que "podemos ter uma duplicação de novos casos dentro de 26 dias". Prevê, assim, que Portugal chegue ao Natal e Ano Novo com uma média de oito mil casos diários, garantindo que os hospitais "já têm escalas previstas para o Natal e os reforços necessários" para um eventual impacto ao nível dos internamentos.

Na entrevista à RTP, Graça Freitas, referiu que Portugal tem 19 casos da variante Ómicron, sendo que todos eles estão ligados ao surto de covid-19 do Belenenses SAD.

ECDC admite que Ómicron cause mais de metade de infeções nos próximos meses

Já esta quinta-feira, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC, na sigla em inglês) estimou que a variante Ómicron pode ser responsável por "mais de metade de infeções" nos próximos meses, caracterizando-a como risco elevado.

"As provas atuais sobre a transmissibilidade, gravidade e fuga imune são altamente incertas para a variante de preocupação Ómicron, mas dados preliminares da África do Sul sugerem que pode ter uma vantagem substancial de crescimento sobre a variante Delta e, se for este o caso, a modelização matemática indica que se espera que a Ómicron cause mais de metade de todas as infeções por SARS-CoV-2 na UE/EEE [União Europeia e Espaço Económico Europeu] dentro dos próximos meses", indica o ECDC.

No relatório divulgado hoje, esta agência europeia acrescenta que, "quanto maior for a vantagem de crescimento da Ómicron sobre a Delta e quanto maior for a sua circulação na UE/EEE, menor será o tempo esperado até que cause a maioria de todas as infeções" relacionadas com a covid-19.

"Acreditamos que a infeção anterior não protege contra a Ómicron", diz investigadora

Já numa conferência de imprensa da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizada esta quinta-feira, uma investigadora fez saber que os anticorpos resultantes de uma primeira infeção com covid-19 não impedem uma pessoa de contrair novamente a doença com a variante Ómicron.

"Acreditamos que a infeção anterior não protege contra a Ómicron", disse Anne von Gottberg, especialista em doenças infecciosas do Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul (NICD), oradora na conferência da Organização Mundial da Saúde.

Há ainda muitas incógnitas sobre esta nova forma do coronavírus, anunciada na semana passada, que tem 32 mutações, incluindo o seu potencial de propagação e a sua resistência às vacinas.

A investigação está apenas a começar, mas as observações iniciais sugerem que pessoas anteriormente infetadas podem ter sido infetadas com a forma mutante do vírus, muitas vezes com sintomas menos graves, disse a mesma investigadora.

A variante, presente até à data em, pelo menos, 22 países - segundo a OMS -, foi detetada inicialmente na África do Sul e no Botsuana, e foi, entretanto, relatada em mais dois países africanos - Gana e Nigéria.

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