Maior sindicato da PSP acusa Governo de instrumentalizar a ação policial
A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) acusou esta quarta-feira, 4 de novembro, o Governo, mais precisamente o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o ministro da Administração Interna, Luís Neves, de “ instrumentalizarem a ação policial” nos protestos pela habitação e de exporem “os operacionais no terreno a situações extremas”. O sindicato fala ainda em “intromissão política”.
“A ASPP/PSP lamenta profundamente a postura recente do Governo - em particular do primeiro-ministro e do ministro da Administração Interna. Ao instrumentalizarem a ação policial, continuam a expor os operacionais no terreno a situações extremas, arriscando a imagem e a reputação construídas pelos polícias com rigor e proximidade ao longo de anos”, diz em comunicado acerca das intervenções policiais nas acampadas de Lisboa e do Porto, defendendo que “importa defender os polícias e exigir que o Governo governe, negoceie e apresente soluções concretas na habitação, na segurança e no cumprimento escrupuloso dos compromissos assumidos com os profissionais, algo que não tem feito”.
De acordo com o maior sindicato da PSP, “a atuação forçada nos recentes episódios revela limitações à liberdade de ação da polícia, além de uma precipitação e intromissão política inaceitáveis”, considerando que estas “comprometem a instituição e os seus profissionais”.
A ASPP/PSP explica que tem optado pelo silêncio "para não alimentar o espetáculo mediático”, mas agora faz duras críticas àquela que foi a posição do Governo neste tema. “Os constantes ziguezagues do MAI, a leviandade perante decisões judiciais e a aplicação cega de regras transferem indevidamente o ónus da crise da habitação para os polícias, com graves consequências reputacionais e operacionais”, acusa, garantindo que mantém “a crítica frontal ao Governo e a defesa intransigente dos profissionais da PSP, nas suas várias dimensões”.
Defendendo que não pretende “revisitar o célebre episódio dos secos e molhados de 1989", em que polícias fardados carregaram contra polícias que se manifestavam, a ASPP lembra que “o que hoje condiciona uns, amanhã limitará os direitos de todos, incluindo os dos polícias”.
A organização sindical sublinha que “todo o exercício de manifestação deve decorrer de forma pacífica, sem armas e no respeito pelo quadro constitucional”.

