Autor das agressões filmadas em Coimbra foi condenado dez vezes mas nunca foi preso

Zézé, como é conhecido, já foi condenado a quatro penas de prisão suspensas, três de multa e três de prisão substituídas por trabalho comunitário. Nunca cumpriu

José Manuel Maia Rubia Trigueiro, de 31 anos, um dos homens filmados a agredir brutalmente um jovem em Coimbra, já depois de ter agredido um funcionário do McDonald's, foi condenado em dez processos-crime, mas nunca cumpriu qualquer pena de prisão efetiva.

A notícia é avançada este domingo pelo Jornal de Notícias, que refere que o homem foi já condenado a quatro penas de prisão suspensas, três de multa e três de prisão substituídas por trabalho comunitário.

Recorde-se que as agressões que vieram a público ocorreram a 1 de novembro e, até agora, tanto José Manuel Maia Trigueiro como o irmão mais novo, Emanuel, que também participou nos atos violentos, continuam a monte.

Segundo o registo criminal de Trigueiro, conhecido como "Zézé", que foi consultado pelo JN, foram dados como provados três crimes de detenção de arma proibida, um de extorsão, seis de ofensa à integridade física qualificada, dois de condução de veículo em estado de embriaguez e um de desobediência à autoridade.

Zezé é descrito como "oriundo de uma família de etnia cigana com situação económica desafogada e acima da média". O JN acrescenta que o arguido foi condenado em penas suspensas quando tinha outras suspensões pendentes, que não cumpriu as condições para a suspensão da pena, como o pagamento de verbas a instituições, e que beneficiou da substituição de três penas de prisão por trabalho comunitário até maio de 2017, não tendo cumprido nenhuma destas medidas.

De acordo com a mesma fonte, terá havido uma desvalorização por parte da justiça do percurso criminal do arguido: o JN consultou aleatoriamente dois processos que envolvem Zezé e num deles, por exemplo, de março de 2015, foi condenado a 13 meses de pena suspensa por dois crimes de ofensa à integridade física qualificada, depois de ter agredido e partido a cabeça de um homem com uma garrafa, mas os juízes não viram necessidade da "efetiva execução da pena de prisão aplicada" pelo facto de não existirem "antecedentes criminais registados pelo cometimento de crimes da natureza idêntica àqueles pelos quais vai ser condenado", algo que não é coerente com o registo criminal do arguido.

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