Quatro influencers foram condenados a penas de prisão efetiva pelos crimes de violação e pornografia de menores. Os crimes tiveram como vítima uma menor de 16 anos em Loures, num caso que se tornou conhecido após a divulgação, nas redes sociais, de um vídeo em que a jovem era violada pelos agressores. A publicação teve milhares de visualizações na altura.De acordo com informação enviada às redações e também publicada no portal do tribunal, Leonardo Saraiva foi condenado pela prática de dois crimes de violação agravada e 27 crimes de pornografia de menores, tendo sido condenado a sete anos e seis meses de prisão efetiva.Hugo Ribeiro foi condenado por dois crimes de violação agravada e 27 crimes de pornografia de menores, tendo-lhe sido aplicada uma pena de sete anos de prisão efetiva. Já Francisco Martins foi condenado pelos mesmos crimes, além de três crimes de ofensa à integridade física, tendo sido sentenciado a oito anos de prisão efetiva. Gabriel Malta foi igualmente condenado a oito anos de prisão efetiva pela prática de dois crimes de violação agravada, 27 crimes de pornografia de menores e um crime de ofensa à integridade física.A juíuza determinou que Leonardo Saraiva, Francisco Martins e Gabriel Malta fiquem em prisão preventiva enquanto aguardam um eventual recurso na Relação de Lisboa, por entender que há perigo de fuga. Eles aguardavam o resultado do julgamento em liberdade, uma decisão que, na altura, gerou protestos.Quanto a Hugo Ribeiro, o tribunal determinou o agravamento das medidas de coação, nomeadamente das obrigações de apresentação periódica e das proibições de contactar a vítima ou de se aproximar da sua residência ou escola. Ficou ainda proibido de frequentar ou aceder a quaisquer ambientes digitais, "quer através das suas próprias credenciais de acesso, quer recorrendo a terceiros".Todos os arguidos foram ainda condenados a pagar à vítima uma indemnização por danos não patrimoniais no valor de € 50.000,00. Terão de também de pagar à Unidade de Saúde Local Loures-Odivelas o custo da assistência prestada à vítima. O caso foi julgado no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Norte.O casoOs crimes aconteceram no dia 12 de fevereiro, num armazém em Loures. Na altura, a Polícia Judiciária (PJ) informou que a investigação teve origem numa participação do Hospital Beatriz Ângelo à Polícia de Segurança Pública (PSP). A jovem de 16 anos era uma seguidora dos influencers nas redes sociais, com os quais começou por manter um contacto meramente virtual, mas com os quais acabaria por marcar um encontro presencial. A detenção dos então suspeitos ocorreu em março. Um quarto arguido, agora condenado, foi detido em junho.Após a detenção do trio inicial, não foi determinada a prisão preventiva como medida de coação. A situação levou a protestos e publicações nas redes sociais. O tribunal veio a pronunciar-se depois, explicando que as medidas tomadas (apresentações periódicas semanais e proibição de contactos com a vítima) foram "proporcionais e adequadas às finalidades de natureza cautelar que visam assegurar”.O caso gerou comoção e indigação, com protestos nas ruas exigindo "justiça em casos de violência sexual e moral". De acordo com o Relatório Anual da Segurança Interna (RASI), os crimes de violação atingiram as cifras mais elevadas da última década, com um total de 578 participações em 2025. Este número representa mais 35 crimes face ao ano anterior, correspondendo a uma subida de 6,4%. Os homens continuam a ser a maior parte dos arguidos (97,9%) e as mulheres a maioria das vítimas.amanda.lima@dn.pt.PJ captura o quarto 'influencer' suspeito de ter violado uma adolescente em Loures.P&R. Violação de adolescente: da partilha do vídeo às medidas de coação polémicas, o que se sabe sobre o caso?