O Instituto Nacional de Estatística (INE) tentará antecipar a divulgação da revisão dos números de imigrantes residentes em Portugal. Em resposta enviada ao DN, fonte oficial do INE sublinha que “está a envidar esforços no sentido de antecipar a divulgação ao público da informação revista relativa a anos anteriores a 2025”. Caso a divulgação antecipada não ocorra, a data marcada para a divulgação do relatório é 22 de junho de 2026.No documento constará uma revisão dos anos anteriores a 2025 das Estimativas da População Residente por Nacionalidade (Portuguesa/Estrangeira) 2025 e das Estimativas da População Residente (total e por Nacionalidade Portuguesa/Estrangeira) para anos anteriores. O mesmo relatório incluirá ainda as Estimativas da População Residente 2025.O Ministério da Presidência vê com naturalidade que esta revisão seja feita, para apurar quais os dados concretos após anos de milhares de pedidos de residência que estiveram parados. “O que está a acontecer é o natural: quando, durante anos, se esconderam estatísticas, quando havia processos que estavam na gaveta e que, por isso, não eram contados, há um processo, que tem de ser sério, de identificação, contabilização e retirada da gaveta e da escuridão de números que estavam em Portugal mas que não estavam contabilizados”, explicou, em dezembro, o ministro António Leitão Amaro, em conferência de imprensa. Na altura, respondia a perguntas de jornalistas sobre o facto de o Estado não saber “quantos são e onde vivem os imigrantes”, divulgada pelo semanário Expresso. A mesma polémica sobre os números já tinha ocorrido em julho, quando o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa manifestou estranheza pelo facto de os dados do INE não coincidirem com os da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).São vários os fatores que levam a esta situação. O primeiro é o referido pelo próprio ministro: houve um desfasamento nos números, face aos longos anos de espera por um título de residência para milhares de imigrantes que já residiam em Portugal. Por exemplo, o trabalho da Estrutura de Missão deferiu, até dezembro do ano passado, 201.656 títulos de residência a partir da extinta Manifestação de Interesse. “A AIMA e a Estrutura de Missão trouxeram luz a decisões administrativas. Depois, a presença real das pessoas em cada local e o que estão efetivamente a fazer têm de ser verificados para gerar uma estatística oficial com base noutros controlos, e isso deve ser feito com robustez”, frisou António Leitão Amaro. Há, inclusive, um protocolo entre a AIMA e o INE. “O INE parte dos números da AIMA (...) e começa a fazer uma série de outras verificações, com o cruzamento de outros dados, que é exatamente isso que o INE está a fazer agora”, esclareceu na altura o governante. Entre os dados analisados estão as contribuições para a Segurança Social, a presença em escolas, entre outros.Além deste trabalho que está em curso (a task force ainda tem decisões por proferir), existe a mudança na metodologia de divulgação dos dados da AIMA. As estatísticas já chegam com “atraso”, porque os dados são sempre do ano anterior. Por exemplo, em 2024, o relatório anual da AIMA foi divulgado em setembro, enquanto, no ano passado, a publicação ocorreu em outubro. Até setembro ou outubro, mais títulos de residência podem ser emitidos todos os dias. Neste último relatório, consta que, até 31 de dezembro de 2024, Portugal tinha 1.543.697 estrangeiros residentes. O mesmo documento corrige o total que constava no relatório de 2023: mais 260.227 imigrantes do que o divulgado anteriormente, resultado do trabalho da task force, que continua a tratar de processos antigos.O Observatório das Migrações também “está a trabalhar para ter dados mais fiáveis” e, segundo o diretor científico, Pedro Góis, é preciso “ter a certeza de que estamos a falar da mesma população”. Em reunião recente, o Observatório avançou com a criação de um Sistema Integrado de Dados Migratórios, com diversas entidades públicas produtoras e utilizadoras de informação neste domínio. No encontro, foi realçada a importância de existirem “mecanismos de articulação interinstitucional e de harmonização metodológica”. Foi apresentado um modelo de dashboard dinâmico de indicadores migratórios, que ficará numa base de dados centralizada e acessível às entidades participantes, como o INE, a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) e a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC).amanda.lima@dn.pt.Radiografia de 500 dias na mudança da política migratória em Portugal .Balanço 2025: o ano da mudança na política migratória em Portugal