Portugal vai ficar a saber, no dia 22 de junho, quantos imigrantes residem no país. Será nesta segunda-feira que o Instituto Nacional de Estatística (INE) vai divulgar esses dados, como confirmou ao DN. Nesse dia serão, igualmente, atualizados os dados sobre a população portuguesa no relatório “das Estimativas da População Residente”.No documento constará uma revisão dos anos anteriores a 2025 das "Estimativas da População Residente por Nacionalidade (Portuguesa/Estrangeira)" e das "Estimativas da População Residente (total e por Nacionalidade Portuguesa/Estrangeira)" para anos anteriores.Como o DN divulgou em janeiro, a entidade afirmou que tentaria antecipar estes dados. No ano passado, o tema do número de imigrantes que moram em Portugal tornou-se alvo de polémica, porque os dados de duas entidades diferentes não coincidem.O então Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa manifestou estranheza pelo facto de os dados do INE não coincidirem com os da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA). Isso ocorreu no verão passado.Depois, em dezembro, o assunto novamente veio ao público. O semanário Expresso divulgou que Estado não sabe “quantos são e onde vivem os imigrantes”. Na altura, o ministro ds Presidência, António Leitão Amaro, respondeu.“O que está a acontecer é o natural: quando, durante anos, se esconderam estatísticas, quando havia processos que estavam na gaveta e que, por isso, não eram contados, há um processo, que tem de ser sério, de identificação, contabilização e retirada da gaveta e da escuridão de números que estavam em Portugal mas que não estavam contabilizados”, explicou. Este trabalho, inclusive, ainda está em curso.A diferença entre os dados e do INE e da AIMA tem várias explicações. O primeiro foi referido pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro: houve um desfasamento nos números, face aos longos anos de espera por um título de residência para milhares de imigrantes que já residiam em Portugal. Por exemplo, o trabalho da Estrutura de Missão deferiu, até dezembro do ano passado, 201.656 títulos de residência a partir da extinta Manifestação de Interesse.“A AIMA e a Estrutura de Missão trouxeram luz a decisões administrativas. Depois, a presença real das pessoas em cada local e o que estão efetivamente a fazer têm de ser verificados para gerar uma estatística oficial com base noutros controlos, e isso deve ser feito com robustez”, frisou António Leitão Amaro. Há, inclusive, um protocolo entre a AIMA e o INE. “O INE parte dos números da AIMA (...) e começa a fazer uma série de outras verificações, com o cruzamento de outros dados, que é exatamente isso que o INE está a fazer agora”, esclareceu na altura o governante. Entre os dados analisados estão as contribuições para a Segurança Social, a presença em escolas, entre outros.O Observatório das Migrações também disse na altura que “está a trabalhar para ter dados mais fiáveis” e, segundo o diretor científico, Pedro Góis, é preciso “ter a certeza de que estamos a falar da mesma população”.o Observatório terá um Sistema Integrado de Dados Migratórios, com diversas entidades públicas produtoras e utilizadoras de informação neste domínio. Ao ser lançado, em janeiro, foi realçada a importância de existirem “mecanismos de articulação interinstitucional e de harmonização metodológica”. Foi apresentado um modelo de dashboard dinâmico de indicadores migratórios, que ficará numa base de dados centralizada e acessível às entidades participantes, como o INE, a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) e a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC).Números atuaisEm 2024, o relatório anual da AIMA foi divulgado em setembro, enquanto, no ano passado, a publicação ocorreu em outubro. Até setembro ou outubro, mais títulos de residência podem ser emitidos todos os dias. Neste último relatório, consta que, até 31 de dezembro de 2024, Portugal tinha 1.543.697 estrangeiros residentes. O mesmo documento corrige o total que constava no relatório de 2023: mais 260.227 imigrantes do que o divulgado anteriormente, resultado do trabalho da task force, que continua a tratar de processos antigos.A este total, deverá ser acrescentado pelo menos os documentos emitidos em 2025, que são na ordem dos milhares. No entanto, a estatística real, ao momento, é mais trabalhosa: a AIMA pode emitir dezenas de novos documentos a imigrantes por dia. amanda.lima@dn.pt