Para os alunos do 4º ano do primeiro ciclo, o dia de sexta-feira trazia na agenda a realização da prova-ensaio da disciplina de Matemática. Contudo, a greve da função pública acabou por levar ao encerramento de escolas em todo o país e muitos alunos não fizeram a prova. Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), diz que isso põe em causa o princípio de equidade entre os alunos. O DN sabe que, numa escola de 1º ciclo, da Maia, o estabelecimento deixou entrar apenas os alunos de 4º ano, dando indicação aos pais para irem buscar os filhos à hora de almoço. “Nem todos os alunos de 4º ano, das mesmas turmas, puderam ficar. Havia pais que não podiam voltar à hora de almoço e, por isso, tiveram de os levar para casa”, avançou um encarregado de educação, que não quis identificar-se. Este pai conta ainda que, estando já a trabalhar, recebeu a indicação por parte da escola de que, afinal, teria de ir buscar o filho no final da prova e não à hora de almoço por falta de funcionários. E questiona: “se não havia condições de segurança depois da prova, como poderiam existir antes?”. “O que me preocupa, apesar de ser contra as provas, é que houve alunos que não a fizeram porque os pais não os podiam ir buscar à hora de almoço. Deu-se prioridade à prova e alguns miúdos ficaram privados de a fazer. Depois foi o aviso de urgência para ir buscar os miúdos e os pais que tiveram de sair à pressa do trabalho quando já tinham as coisas organizadas”, relata. Uma situação que, sabe o DN, não foi caso único e é entendida por este encarregado de educação como ilegal por "violar o princípio da greve".Filinto Lima, presidente ANDAEP, confirma a não aplicação da prova-ensaio em muitas escolas. Sobre o caso relatado ao DN, alerta que “quem decide essas situações é o diretor e é ele que tem de perceber se há condições de segurança para manter a escola aberta”. “É uma questão de gestão e a escola não tem de estar encerrada para todas as turmas. Também houve escolas que só abriram de manhã por causa do encerramento das cantinas”, adianta. Admitindo maiores consequências da greve de sexta-feira para os alunos do pré-escolar e 1º ciclo, relembra que existe já uma greve apenas para este tipo de serviço, em vigor até ao final dos ‘exames ensaio’. “Essa greve às provas-ensaio é do S.T.O.P e não tem tido grande expressão, mas a paralisação de ontem teve muito impacto e mais ainda para os alunos de 4º ano”, admite. Para o responsável, o facto de nem todos os alunos terem realizado o “teste” de Matemática põe em causa o princípio de equidade entre os alunos. O presidente da ANDAEP reitera temer que este 3º período letivo seja marcado por protestos e greves e pede abertura por parte dos sindicatos e do Governo para as negociações que estão em curso, nas quais está a ser debatido o novo Estatuto da Carreira Docente (ECD).Segundo a FENPROF, mais de um milhar de professores, educadores e investigadores participaram, sexta-feira, na manifestação nacional contra o pacote laboral do governo, promovida pela CGTP, em Lisboa. Já nesta segunda-feira, dia 20, durante a reunião de negociação da revisão do ECD, haverá uma concentração de protesto em frente ao Ministério da Educação Ciência e Inovação.A 16 de maio, professores, educadores e investigadores voltam às ruas numa nova manifestação para pedir a valorização da carreira. .Manifestação e greves ameaçam encerrar escolas esta sexta-feira