A Unidade Local de Saúde da Região de Leiria, que integra o Hospital de Santo André, anunciou na quarta-feira, dia 28, que suspendia “a atividade programada (consultas, cirurgias e exames), devido às consequências das condições meteorológicas adversas das últimas horas” - 24 horas depois o aviso mantém-se no próprio site. O Hospital da Figueira da Foz anunciou no mesmo dia que encerrava o bloco operatório, devido a danos materiais, e a situação mantém-se nesta quinta-feira, segundo apurou o DN. Mas ambos pedem aos doentes com necessidade de cuidados respiratórios, que usam equipamentos médicos vitais dependentes de energia elétrica para tratamento, para se dirigirem às suas instalações ou a alguns centros de saúde onde podem recarregar os aparelhos com oxigénio.Um dia depois da passagem da depressão Kristin pela região Centro, sobretudo pelo distrito de Leiria, a Federação Nacional dos Médicos (Fnam) vem alertar para o facto de “haver muito mais constrangimentos” nas unidades de saúde e de as consequências poderem ser maiores do que se possa pensar, além das remarcações de “cirurgias, consultas e exames adiados”, sublinha ao DN a vice-presidente da estrutura.Joana Bordalo e Sá diz que, segundo o relato feito pelos colegas da região, com quem as comunicações ainda são difíceis, “a atividade na região, quer hospitalar quer nos cuidados primários, está parada ou extremamente condicionada, obrigando à remarcação de milhares de cirurgias, consultas e exames, e com grande prejuízo para o cumprimento do plano de vacinação na região”, já que há “milhares de doses de vacinas em risco, pois tiveram de ser retiradas dos centros de saúde e levadas para unidades hospitalares com geradores”.A dirigente da Fnam diz mesmo que o impacto da depressão Kristin nas unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) não tem a ver só com “um problema climático”, mas também “com o retrato cru da falta de um investimento estrutural no SNS”. E este retrato “tem a ver, sem dúvida, com escolhas políticas que foram sendo feitas ao longo dos anos, em geral, e com este governo em particular. No fundo, o que estamos a assistir é ao resultado do desinvestimento no SNS e não apenas a uma fatalidade climática. E não pode ser assim”. A dirigente reforça mesmo: “O SNS já está a funcionar no limite diariamente em condições normais, e, em situações de catástrofe climática, vem ao de cima o retrato cru do estado em que estão as suas infraestruturas. E não é normal nem aceitável que edifícios públicos da saúde, hospitais e centros de saúde, fiquem inoperacionais, após um episódio meteorológico que já sabemos que irá continuar a acontecer”.De acordo com o relato feito pelos colegas da região, “Leiria teve e tem centros de saúde sem eletricidade, sem água sem rede de comunicações e vários tiveram de encerrar por danos estruturais. Estamos a falar de cuidados de saúde primários completamente paralisados”, mas, alerta, “o mais grave que nos chegou vem das Caldas da Rainha, onde a falta prolongada de eletricidade nos centros de saúde sem geradores obrigou à transferência de milhares de vacinas para o Hospital das Caldas da Rainha, que era a única unidade da zona com gerador funcional”.A grande consequência disto é que para as vacinas regressarem depois aos centros de saúde, onde ocorre a vacinação dos utentes, têm de passar por um período de quarentena, não podem ser usadas logo, necessitando de um parecer técnico positivo dos laboratórios para que possam ser usadas. E isto vai ter um impacto real e direto nos utentes e na vacinação infantil”, explica Joana Bordalo e Sá, acrescentando: “Qualquer instituição que tenha uma unidade de vacinação, não importa se estamos a falar de centros de saúde ou de hospitais, embora estes tenham geradores, tem de ter as condições mínimas de backup de energia. Senão, é um desperdício completo em milhares de vacinas com custos diretos para os utentes, o que é absolutamente inaceitável”.Para a vice-presidente da Fnam, a situação exige medidas rápidas para que estas unidades possam regressar ao seu funcionamento, criticando ainda o facto de não ter havido uma palavra da ministra da Saúde, Ana Paula Martins – que se encontra numa visita de três dias a Cabo Verde, apurou o DN, no âmbito de acordos de cooperação.O DN questionou a Direção Executiva do SNS para que fosse feito um balanço dos constrangimentos causados pelo depressão Kristin nas unidades do SNS, sobre quais as mais afetadas, em que zonas do país, como estão a ser resolvidas as situações, em que tempos e quais as orientações dadas pela DE-SNS às instituições e profissionais, mas até à hora da publicação deste trabalho não obtivemos qualquer resposta..Declarado Estado de Calamidade em 60 municípios. Von der Leyen promete ajuda a Montenegro.Tempestade Kristin derrubou 61 postes de muito alta tensão e arrasou com 7% da rede elétrica nacional