O relatório recomenda o reforço das inspeções laborais, uma melhor formação dos inspetores e uma investigação mais eficaz das empresas envolvidas neste setor.
O relatório recomenda o reforço das inspeções laborais, uma melhor formação dos inspetores e uma investigação mais eficaz das empresas envolvidas neste setor.Adelino Meireles / Global Imagens

Homens explorados na agricultura são as principais vítimas de tráfico humano em Portugal

O relatório do Grupo de Peritos do Conselho da Europa sobre a Ação contra o Tráfico de Seres Humanos (Greta) reporta 690 vítimas presumidas entre 2021 a 2024.
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Homens adultos estrangeiros, explorados no setor agrícola, são as principais vítimas de tráfico de seres humanos em Portugal. Esta é uma das conclusões do relatório do Grupo de Peritos do Conselho da Europa sobre a Ação contra o Tráfico de Seres Humanos (GRETA), divulgado esta quinta-feira, 4 de junho.

O relatório recomenda o reforço das inspeções laborais, uma melhor formação dos inspetores e uma investigação mais eficaz das empresas envolvidas neste setor. Entre 2021 e 2024, foram registadas 690 vítimas presumidas e 250 vítimas foram formalmente identificadas.

Embora constituam uma minoria, há também portugueses entre as vítimas, num total de 22. Segundo o estudo, trata-se de pessoas provenientes de contextos socioeconómicos desfavorecidos ou com problemas de saúde mental, fatores que podem aumentar a sua vulnerabilidade à exploração. Foram igualmente identificadas vulnerabilidades associadas à exploração sexual.

Portugal continua a ser sobretudo um país de destino de vítimas de tráfico, mas também de origem e de trânsito. No que diz respeito às crianças, são referidos 39 casos. Existe especial preocupação com situações de tráfico envolvendo rapazes migrantes ligados ao desporto, bem como com os casamentos infantis, precoces e forçados.

Para combater estes fenómenos, o GRETA recomenda a integração do tema do tráfico de seres humanos na formação de professores e o reforço da prevenção no setor desportivo. Outra recomendação passa pelo aumento da sensibilização para os riscos dos casamentos infantis.

Os especialistas consideram que continuam a existir insuficiências na capacidade de combate a estes crimes. Portugal é instado a adotar medidas como a realização sistemática de avaliações de vulnerabilidade, a inclusão de indicadores de tráfico de seres humanos nesses processos e o reforço da formação dos profissionais dos centros de acolhimento, bem como das forças de segurança e da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).

Apesar de reconhecer alguns dos progressos alcançados pelo país, o relatório critica o excesso de burocracia na identificação das vítimas, o reduzido número de autorizações de residência concedidas a estas pessoas e também o baixo número de vítimas que recebem indemnização. Na semana passada, o Conselho de Ministros aprovou medidas nesta área, entre as quais a criação da figura do coordenador nacional para o combate ao tráfico de seres humanos.

amanda.lima@dn.pt

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