No final de janeiro, números divulgados pelo INEM sobre a sua intervenção em partos e situação de pré-emergência e fora do ambiente hospitalar vieram revelar que estes têm vindo a aumentar desde 2022. Na altura, o INEM referia que só em 2025 foram feitos 60 partos em ambulâncias, 23 na rua, 153 em casa, dois em centros de saúde. A ministra da Saúde veio agora confirmar isto mesmo. Ontem, na sua audição regimental, no Parlamento, ao afirmar: “Há um aumento de partos que são realizados nas ambulâncias. Temos esse registo agora, e senhora a senhora, havendo duas razões essenciais para que isso aconteça, não deixamos de o assumir”.Ana Paula Martins foi questionada por um deputado sobre o número de partos fora do ambiente hospitalar e se estes estariam relacionados com o encerramento das urgências de obstetrícia, nomeadamente na Península de Setúbal, e assumiu também “ser verdade que no âmbito dos partos extra hospital temos muitos e a maioria são no domicílio”. .Mais de 14 milhões de consultas, mais de 700 mil cirurgias, mas também mais listas de espera e utentes sem médico de família no SNS. A ministra explicou ainda ao deputado “não haver uma casuística que nos permita concluir isso”, mas assumiu que os encerramentos podem ter levado “a desvios de grávidas para outras unidades da margem norte de Lisboa por falta de infraestruturas no Barreiro e, por vezes, em Setúbal”, e “os partos acabaram, por vezes, por se consumar nas ambulâncias”.Ana Paula Martins justificou ainda a situação com o facto de a linha SNS24 Grávida facilitar às grávidas e aos familiares pedidos de ajuda, que através do algoritmo, permitem o envio de ambulâncias do INEM quase de imediato. “Hoje há muito mais ambulâncias em circulação neste contexto, dedicadas à questão do parto, do que havia em anos transatos. E se por um lado não é isto que desejamos, porque o que desejamos é que a pessoa chegue a tempo à urgência para poder ter o seu bebé, também é verdade que entre ter o bebé no domicílio de uma maneira involuntária, porque alguns partos no domicílio são voluntários, ou ter o bebé na via pública dentro de uma ambulância, apesar de tudo, este é um ambiente mais seguro”.Na área da obstetrícia, a governante anunciou na mesma audição que o modelo de urgências regionais vai começar em março e nas unidades da Península de Setúbal, mas também em Vila Franca de Xira e de Loures. Ana Paula Martins confirmou que a centralização das urgências de obstetrícia na Margem Sul vai ficar, como já era esperado, no Hospital Garcia de Orta, em Almada. A ministra confirmou também que a urgência do Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, vai ser encerrada para as situações de urgência, mas não para os partos programados, porque “nem todos os partos são urgentes”, explicou. .Ministra aceitará mais centros de referência ou outras soluções para travar listas de espera em cardiologia