O ministro da Presidência escusou-se esta sexta-feira, 17 de julho, a estabelecer uma meta horária para a afixação das pautas dos exames nacionais do ensino secundário, mas não afastou a possibilidade de ocorrer após o horário de funcionamento das secretarias das escolas.“Não vou estabelecer metas de horários”, começou por dizer António Leitão Amaro, acrescentando que, em anos anteriores, os resultados dos alunos foram publicados além do “horário normal das secretarias”.O ministro da Educação confirmou esta sexta-feira que todos os exames nacionais do ensino secundário estão classificados e antecipou que, por isso, as pautas serão afixadas até ao final do dia.Ouvido no parlamento, Fernando Alexandre sublinhou que o passo seguinte seria da responsabilidade o Júri Nacional de Exames (JNE) que terá de enviar às escolas as classificações das mais de 300 mil provas realizadas pelos alunos dos 11.º e 12.º anos.Em conferência de imprensa no final da reunião do Conselho de Ministros, também António Leitão Amaro insistiu que após concluídas as classificações, o “essencial para se desencadear o processo de publicação está feito”.Segundo o ministro da Presidência, segue-se a homologação das notas por parte do JNE e o envio dos exames às escolas, que terão depois de proceder à desanonimização das provas e afixação das pautas.“Estamos convencidos que há condições para colocar as classificações nas escolas, homologadas a tempo de as escolas poderem publicar os resultados. Admitindo que (o JNE) o faz de acordo com as condições que tem, cumpre-se o prazo hoje”, disse o governante.Reconhecendo “a perturbação que existiu”, António Leitão Amaro deixou ainda um agradecimento aos professores e disse acreditar que “a esmagadora maioria dos professores” está “a fazer um esforço enorme” para assegurar a publicação das notas.Ainda a aguardar a chegada das provas ao início da tarde, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas pediu celeridade na distribuição das classificações às escolas e lembrou que as secretarias têm horários.“Vamos afixar as pautas às 10 da noite, às 5 da tarde, às 8 da noite. Nós não sabemos, ninguém nos comunicou em nenhum horário. Portanto, neste momento, nos 801 agrupamentos das escolas em Portugal, estão todos os diretores à espera dos ficheiros, os secretariados de exames, as equipas dos serviços administrativos e outros professores que os diretores convocaram para este efeito de braços cruzados”, lamentou Filinto Lima.No final da reunião do Conselho de Ministros, o ministro da Presidência foi ainda questionado sobre o pagamento de horas extraordinárias aos professores que estiveram a classificar os exames nacionais ao longo das últimas semanas.Instado a detalhar como será feito o pagamento e por que razão essa medida foi anunciada pelo porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, o ministro remeteu esses pormenores para a lei.“A raiz disto é a lei, portanto, o porta-voz do PSD não anunciou nada de medida nova. Terá transmitido o que eu acho que era de bom senso: que a lei, naquele caso, seria cumprida, seria a expectativa do partido”, afirmou.No sábado, Sebastião Bugalho tinha anunciado, numa conferência de imprensa, que os professores iriam receber horas extraordinárias como "reconhecimento pelo esforço extraordinário”, uma medida decidida pelo ministro da Educação, Ciência e Inovação.“Em jeito de reconhecimento do esforço de todos os professores que estão neste momento, numa manhã de sábado, a corrigir as provas dos exames nacionais, foi decidido pelo senhor ministro da Educação que o Governo vai pagar horas extraordinárias a todos os professores que estão a corrigir essas provas, em reconhecimento pelo seu esforço extraordinário", disse, na altura, o porta-voz do PSD.Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário foram corrigidos em formato digital, mas o processo registou falhas técnicas desde o início, obrigando o Ministério da Educação a adiar os prazos inicialmente previstos..Exames nacionais: Fenprof apresenta queixa à PGR por entender que existe "prática de ilícito criminal". Alunos admitem pedir a consulta dos exames assim que souberem as notasAlunos que realizaram exames nacionais deslocaram-se esta tarde às suas escolas para verem as notas, mas os resultados ainda não estavam publicados e admitiram pedir a consulta da prova dados os problemas técnicos ocorridos com as classificações.Em Lisboa, às 15:30, na Escola Secundária D. Filipa de Lencastre, era possível ver alunos a entrar com a esperança de que os resultados pudessem já estar afixados, mas voltavam a sair sem qualquer previsão sobre quando as notas poderiam estar disponíveis.Alguns alunos do 9.ºano e do 12.ºano ainda esperaram que os resultados fossem afixados e aguardaram à entrada da escola nos bancos à sombra devido ao calor.O aluno de Ciências e Tecnologias Guilherme Trabulo, 18 anos, foi à escola tentar saber as notas dos exames de Matemática e Português do 12.ºano, mas saiu como entrou, sem saber os resultados.Guilherme Trabulo disse à Lusa que a sua maior preocupação é que as notas cheguem "como deve ser"."A primeira coisa que vou fazer é pedir a consulta das provas, depois de ver as notas", disse, indicando que não planeia ir à segunda fase, mas reconhecendo que o atraso pode prejudicá-lo.Nesta escola, alguns funcionários avançaram à Lusa que nem têm conseguido falar com os diretores do agrupamento uma vez que estiveram sempre em reuniões e "andaram sempre a correr".Outro aluno do 12.ºano do curso de Ciências e Tecnologias, Eduardo Carrancho, 18 anos, disse à Lusa que os atrasos não o prejudicaram diretamente, mas acabaram por deixar a espera pelas notas mais stressante."Acho que se tornou num processo muito mais stressante para toda a gente", disse Eduardo Carrancho, indicando também que assim que souber as notas vai pedir a consulta do exame.Em relação à consulta dos exames, os alunos com quem a Lusa falou disseram que sabiam apenas o que ouviram nas notícias.Entre as 14:00 e as 15:30, os resultados dos exames nacionais do 9.º, 11.ºano e do 12:ºano ainda não estavam afixados na Escola Secundária José Gomes Ferreira e na Escola Secundária D. Pedro V, segundo os funcionários das escolas.Pela primeira vez este ano, mais de 300.000 exames nacionais do ensino secundário foram avaliados em formato digital, mas o processo tem registado falhas técnicas desde o início e, devido aos constrangimentos, o Ministério adiou, em quatro dias, os prazos inicialmente previstos.O ministro da Educação afastou esta sexta-feira a necessidade de alterar o calendário do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior, voltando a garantir que existem condições para afixar as pautas dos exames nacionais até ao final do dia..Fernando Alexandre garante que calendário de acesso ao ensino superior não está prejudicado.Ministro diz que todos os exames estão classificados e pautas serão afixadas até ao final do dia de hoje .Milhares de alunos esperam receber esta sexta-feira as notas dos exames nacionais