GNR regista mais de 190 burlas por falsos polícias e inspetores desde 2024
A Guarda Nacional Republicana (GNR) registou, entre janeiro de 2024 e 31 de maio de 2026, "193 crimes de burla por falso funcionário com recurso à usurpação de identidade de forças de segurança e órgãos de polícia criminal", revelou a organização este sábado, 10 de outubro.
Em comunicado, a GNR alerta que esta atividade criminosa tem vindo a intensificar-se. Em 2024, foram registados 69 casos. Em 2025, subiram para 76. Nos primeiros cinco meses deste ano, foram já detetadas 48 ocorrências.
Na maioria das ocorrências, "os suspeitos fazem-se passar por inspetores da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) ou da Polícia Judiciária (PJ), recorrendo ainda à simulação de elementos da PSP e da Guarda", revela.
Segundo a GNR, os burlões recorrem "à manipulação psicológica, ao falso sentido de autoridade e a tecnologias de disfarce digital (Caller ID Spoofing) para coagir comerciantes e cidadãos".
Os distritos do Porto (33 crimes), Lisboa (23) e Setúbal (18) concentram os volumes mais elevados de ocorrências participadas.
Segundo o comunicado, há "uma clara preferência dos burlões pelo período diurno", que concentra cerca de 75% dos crimes, e pelas quintas e sextas-feiras.
Os suspeitos visam prioritariamente o interior de residências particulares (88 ocorrências) e estabelecimentos de comércio e restauração (56 casos), registando-se ainda abordagens diretas em plena via pública (30 casos acumulados, 9 dos quais já no corrente ano), avança a GNR.
As 172 vítimas identificadas estão em idade ativa. O principal foco dos burlões encontra-se nas faixas etárias dos 51 aos 64 anos (49 vítimas) e dos 41 aos 50 anos (33 vítimas).
Segundo a GNR, o telefone e o telemóvel são, de forma destacada, a principal via de contacto utilizada pelos suspeitos (mais de 70% das abordagens) para ocultar o seu rasto.
"Em muitos destes contatos é utilizada tecnologia de máscara digital (Caller ID Spoofing), fazendo surgir no ecrã da vítima o número de telefone real e público de um posto da GNR, esquadra da PSP ou departamento da PJ, anulando qualquer desconfiança inicial", alerta.
Os burlões utilizam "um tom marcadamente formal, ríspido e autoritário" e induzem "um sentimento de extrema urgência". Falam da necessidade de falsas fiscalizações, infrações e investigações, e de falsos alerta de acidentes.
A GNR aconselha as pessoas a nunca efetuar pagamentos imediatos nem ceder dados pessoais ou bancários por telefone; recorda que não existem descontos para pagamento de coimas ou multas na hora e por via telefónica ou digital; apela a que seja exigida identificação policial formal e confirme a identidade do agente fiscalizador; e a desconfiar de chamadas urgentes.

