GNR. Detenções por crime de incêndio mais do que duplicam em 2026
Onúmero de detenções por crimes de incêndio registadas pela Guarda Nacional Republicana (GNR) mais do que duplicou em 2026 face a todo o ano passado. De acordo com dados enviados por uma fonte oficial da GNR ao DN, foram contabilizadas 165 detenções até 12 de agosto, contra 68 ao longo de 2025. Os dados são provisórios e, em termos globais, representam um aumento de cerca de 143% face ao total registado em todo o ano passado.
É possível perceber que, ainda antes do mês de agosto, em pleno verão, o total de detenções registado em todo o ano passado já tinha sido ultrapassado. Na comparação com os períodos homólogos, verifica-se que 2026 tem sido marcado por um aumento deste tipo de detenções.
Depois de duas detenções em janeiro, o mesmo número registado no mesmo mês do ano anterior, e de uma em fevereiro, face a nenhuma em 2025, a quantidade subiu para 35 em março, contra cinco no mês homólogo. Em abril, foram 41 detenções, quando em 2025 tinham sido sete. Com este resultado, o total acumulado em 2026 chegou às 77 detenções no final de abril, ultrapassando as 68 registadas em todo o ano de 2025.
Abril foi, até agora, o mês em que a GNR efetuou mais detenções, superando julho, mês habitualmente associado a uma maior incidência de incêndios. Os números mostram, assim, que as detenções não se concentram apenas no verão. Só entre março e julho deste ano foram registadas 160 detenções, praticamente todo o total contabilizado pela GNR até 12 de agosto.
Em todo o ano de 2025, tinham sido registadas menos de metade. O aumento das detenções surge num ano que, já em meados de abril, apresentava também uma área ardida superior à registada no período homólogo. Até à primeira quinzena desse mês tinham ardido em Portugal 7675,30 hectares de acordo com a GNR. No mesmo período de 2025, tinham ardido 3418 hectares. Ou seja, a área ardida era mais do dobro da registada no período homólogo.
Abril ficou marcado por vários incêndios rurais em diferentes pontos do país. No início do mês, registaram-se ocorrências em Vale de Cambra, Gouveia, Penafiel, Resende, Valpaços e Montalegre. A 15 de abril, em Seia, dois homens foram detidos depois de queimadas autorizadas se terem descontrolado. Já na Serra do Caramulo, em Tondela, um incêndio chegou a ter duas frentes ativas e obrigou à mobilização de três meios aéreos.
Até esse mês, a GNR tinha sinalizado 7664 terrenos para limpeza obrigatória no âmbito da Operação Floresta Segura 2026. Leiria liderava, com 1794 terrenos, devido aos efeitos de depressão Kristin, que deixou inúmeras árvores no solo. Seguiam-se os distritos de Bragança (1068), Santarém (594), Braga (486), Viseu (480) e Coimbra (454).
A 17 de abril, a GNR contabilizava 59 detenções por incêndio desde o início do ano, número que viria a subir para 77 no final do mês, de acordo com os dados agora enviados pela força de segurança ao DN. Segundo a própria Guarda, a “análise das causas revela que a esmagadora maioria das detenções está associada a comportamentos desadequados no uso do fogo, nomeadamente o uso negligente”.
Braga e Vila Real foram os distritos com mais detenções neste período, com 14 casos cada, seguidos de Viseu (sete), Guarda (seis) Porto (quatro) e Aveiro (trê)s. Leiria registou 10 detenções e Bragança uma. Em Beja, não foi registada qualquer detenção. Entre os casos há situações de incêndio deliberado, mas também muitas detenções relacionadas com negligência durante trabalhos agrícolas e florestais, bem como o uso de motorroçadoras, rebarbadoras ou tratores e queimadas de sobrantes que se descontrolaram.
Até 31 de julho houve um total de 5755 incêndios rurais no país. Comparando com os dez anos anteriores foram registados mais 1% de fogos e 58% de área ardida.
amanda.lima@dn.pt

