A entidade gestora do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) faz um balanço “muito positivo” do arranque da operação, mas a Deco diz que os consumidores continuam pouco informados sobre como reaver o depósito pago pelas embalagens de bebidas.“A comunicação sobre a entrada em vigor do sistema não foi bem acautelada, porque a informação só começou a chegar de forma mais consistente aos consumidores já o sistema estava implementado. Há muitas dúvidas sobre como é que funciona e, dois meses depois, continuamos com os consumidores sem saberem, por exemplo, que têm direito a exigir o [reembolso da caução paga pelas embalagens em] numerário”, afirmou à agência Lusa a jurista da associação de defesa do consumidor Deco Susana Correia.Já a SDR Portugal, associação sem fins lucrativos responsável pela implementação e gestão do sistema - que funciona sob a marca Volta e está operacional desde 10 abril - faz “um balanço globalmente muito positivo”, tendo em conta que a operação está “ainda numa fase inicial e de adaptação”.O SDR abrange embalagens de bebidas de uso único – garrafas e latas, de plástico, metal e alumínio, inferiores a três litros, permitindo ao consumidor o reembolso do depósito de 10 cêntimos pago na compra de cada embalagem mediante o seu depósito em máquinas instaladas por todo o país.Em declarações à Lusa, o presidente da SDR Portugal salientou que o Volta arrancou “com uma infraestrutura muito robusta, com mais de 90% da rede de pontos automáticos já instalada desde o primeiro dia, o que corresponde a cerca de 2.500 pontos distribuídos por todo o país, incluído ilhas".“Nesta fase, o principal objetivo tem sido assegurar a estabilização operacional do sistema, esclarecer operadores e consumidores e promover a familiarização dos cidadãos com este novo gesto de devolução”, referiu Leonardo Mathias.Embora reconhecendo que, “como em todos os países que implementaram sistemas semelhantes, há um período de aprendizagem”, a associação considera que “os primeiros sinais são muito positivos": "Os consumidores começam a identificar as embalagens abrangidas, a utilizar os pontos Volta e a integrar progressivamente a devolução de embalagens nas suas rotinas”, sustenta.Na opinião da jurista da Deco Susana Correia, a operação arrancou, contudo, sem que os consumidores estivessem devidamente elucidados sobre os seus objetivos e funcionamento, o que “leva a que fiquem algo desconfortáveis com o próprio sistema, porque não o entendem”.“Gostávamos que primeiro tivesse sido apresentado aos consumidores como uma forma de incentivo [à reciclagem], explicando que se trata de pagar um depósito, mas este valor pode ser reembolsado”, explicou.No entanto, "como não foi bem trabalhado, bem planeado e bem comunicado", o facto é que “pelos consumidores ainda é muito percebido como mais uma taxa, um imposto ou uma penalização, quando na verdade o sistema não tem esse objetivo”.Para a SDR Portugal, estas são “questões normais de fase de implementação”, predominando sobretudo “dúvidas sobre o funcionamento do sistema, as condições de elegibilidade das embalagens e o processo de devolução e reembolso do valor de depósito”.Paralelamente, existem algumas questões relacionadas com a existência temporária de embalagens com símbolo Volta e outras sem símbolo, correspondentes a stocks anteriores à entrada em vigor do SDR, no âmbito da fase de transição que decorre até 09 de agosto.O presidente da associação garante, contudo, que “estas situações estão a ser acompanhadas de forma contínua e respondidas através de reforço de comunicação, esclarecimento no terreno e ajustamentos operacionais normais próprios de um sistema desta escala”.“O sistema está a funcionar dentro do esperado para uma operação desta escala e complexidade. Como em qualquer arranque desta dimensão, existe uma fase natural de afinação operacional, com alguns equipamentos ainda em instalação final”, assegura..Sistema "Volta" recolhe mais de 10 milhões de embalagens em dois meses.400 mil garrafas e latas intactas recolhidas no primeiro mês do Sistema Volta