De 1 de janeiro até esta segunda-feira, 11 de maio, o Santuário de Fátima recebeu 1.127.762 peregrinos, crescimento ligeiro, de pouco mais de 1%, em comparação com o período homólogo do ano passado.Os dados, ainda provisórios, foram apresentados pelo reitor do santuário, padre Carlos Cabecinha, em conferência de imprensa na tarde desta terça-feira, 12 de maio. Este aumento ligeiro "indica que provavelmente teremos um ano com números de afluência de peregrinos semelhantes aos anos anteriores", destacou o reitor.O Santuário de Fátima ainda está a ser alvo de requalificações depois dos estragos causados pela tempestade Kristin que, no início do ano, devastou a região de Leiria. "Tivemos danos severos tanto em edifícios como no património natural do Recinto de Oração, zonas envolventes e Valinhos. O afluxo de peregrinos, embora tenha diminuído naqueles dias, nunca foi interrompido", afirmou o padre.Entre os grupos organizados de peregrinos, regista-se um decréscimo. Até ao momento, são 335 peregrinações de grupos portugueses e 979 grupos estrangeiros. Entre os países mais representados estão Espanha, Polónia, Estados Unidos, Itália e Coreia do Sul. Embora não figurem no ranking principal, os peregrinos brasileiros mereceram uma menção especial do reitor. "Regista-se também um ligeiro aumento entre os peregrinos oriundo do Brasil. Este é um país onde a devoção a Nossa Senhora de Fátima continua a registar um grande crescimento. O Santuário tem procurado ir ao encontro das muitas solicitações que nos chegam daquele país"..Convite ao papaA requalificação no santuário envolve obras nos edifícios, nos acessos, limpeza e plantação de árvores que vão substituir a massa verde arrancada pela força da tempestade. Melhorias que o reitor, bem disposto, recusou tratar-se de uma preparação para uma eventual visita do Papa Leão XIV no ano que vem. "Faríamos em qualquer circunstância porque se trata, sobretudo, de dar melhores condições aos peregrinos mas, obviamente que a visita continua acompanhar o nosso espírito e ao santuário muito alegraria poder acolher o papa para os 110 anos das aparições e os dez anos da canonização dos santos Francisco e Jacinta", disse Carlos Cabecinhas.D. José Ornelas, bispo de Leiria e Fátima e que, até recentemente, presidiu a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), confirmou que, "formalmente, a CEP votou por unanimidade esse convite. Portanto os requisitos daquilo que é possivel fazer estão feitos. O papa disse-nos que gostará que isso aconteça. Se será no próximo ano, ou depois, não sabemos. Ele tem uma agenda mais vasta do que a do santuário, embora o santuário também tenha uma agenda universal que não lhe escapa".Ornelas aproveitou para destacar que o papa tem sido ativo na condenação de vários conflitos armados atuais, "com tantas referências e posições muito concretas e muito lúcidas", desde as guerras no Médio Oriente, Palestina, Sudão, com "um milhão e meio de pessoas que estão na fome mais atroz, com crianças particularmente afetadas. É falar de Cabo Delgado, Moçambique, e tantos outros focos de atenção no nosso planeta". Para o bispo de Leiria-Fátima, este é um tema que "está sempre no coração da mensagem" de Fátima. "Porque se há uma coisa que a mensagem de Fátima sublinha é a necessidade da paz, de cuidar dos mais frágeis, e a guerra é aquilo que não permite fazê-lo".Com os dois religiosos também estava na conferência o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, que vai presidir à Missa da Peregrinação Internacional Aniversária desta noite. O Patriarca recordou que o principal é recuperar "a mensagem de dignidade humana" que Fátima traz e que "cada peregrino que aqui se encontrara hoje e amanhã traz consigo intenções e propósitos que transcendem o seu eu, a sua vida pessoal, são as urgências do mundo inteiro"..12 de maio: a noite em que Fátima se ilumina .As melhores imagens das celebrações do 13 de maio no Santuário de Fátima