São muitas reservas em relação ao polémico processo de correção de exames, que resultou num aumento significativo de reapreciações. A preocupação é da Missão Escola Pública (MEP) - um movimento apartidário de professores. Os pedidos já triplicaram face ao ano letivo anterior e passam os 20 mil.Contudo, alerta Cristina Mota, porta-voz da MEP, os professores ainda não deram início às reapreciações de provas. “Ainda não temos informação de nenhum professor que esteja a reapreciar. As escolas estão a contactar docentes para conseguir uma bolsa de relatores. São considerados relatores porque se trata de um processo mais complexo do que o da classificação. Para além de voltarem a classificar os exames, os docentes têm de fazer um relatório para fundamentar a reapreciação. É algo que precisa de mais tempo e é, por isso, preocupante que não esteja ainda a ser feito”, explica. Recorde-se que as notas destas revisões de prova vão ser afixadas na próxima semana, 7 de agosto, um dia depois do término das candidaturas ao Ensino Superior. A porta-voz da MEP alerta para o risco de não haver resultados na data prevista, com consequências graves para os alunos. “Parece-nos difícil ter a pauta das reapreciações no dia 7 de agosto. E muitos alunos estão impossibilitados de concorrer à 1.ª fase do Ensino Superior. Estes 170 alunos sem acesso ainda à sua prova podem jamais ter acesso ao exame que realizaram”, lamenta.Esta não é a única preocupação dos professores. Ao DN têm chegado relatos de dezenas de docentes, que têm registado problemas na plataforma de classificações. “Recebi os itens para classificar ontem e, depois de ter terminado de classificar muitos deles, quando entrei de novo na plataforma, hoje de manhã, tinham desaparecido”, conta uma professora, que não se quer identificar. A plataforma tem ainda registado problemas de acesso. “Está a ir abaixo várias vezes. Este é o problema mais reportado, mas também temos problemas com folhas de continuação. O próprio Júri Nacional de Exames (JNE) já deu essa indicação aos classificadores do exame de Biologia. E temos a informação de que em muitas escolas ainda nenhum professor foi convocado para classificar exames desta 2.ª fase”, afirma. Para Cristina Mota, estes constrangimentos “não deveriam existir depois do que se passou na 1.ª fase”. A docente duvida, por isso, que tenha havido “alterações na plataforma”. “As falhas da 1.ª fase estão a surgir novamente”, afirma. Contudo, a representante da MEP considera ser “ainda em cedo, em relação à 2.ª fase, para se ter noção da dimensão destes constrangimentos e para saber se vai haver pautas na data prevista”. “Uma coisa é certa, nem todos os classificadores vão ter o mesmo tempo para classificar provas porque muitos só tiveram acesso ontem e hoje aos itens”, acrescenta. O DN sabe que os professores classificadores têm sido contactados, via telefone e por email, para classificar mais itens do que os previstos e alguns estão a ser chamados para classificar provas para as quais não estavam convocados. Foi também feito outro pedido aos classificadores, por parte do JNE. “Tendo sido convocado para o processo de classificação da 2.ª fase e tendo em consideração que este processo é um fator crítico para a avaliação externa das aprendizagens, está a ser realizada uma monitorização da evolução do processo de classificação. Neste sentido, vimos solicitar que aceda à PCS e classifique ou coloque em guardado, pelo menos um item, até às 15:00 de ontem, se efetivamente se encontra ao serviço (…)”, pode ler-se na informação enviada aos docentes à qual o DN teve acesso. O DN contactou o Eduqa para obter esclarecimentos sobre os alertas da MEP, mas até à hora do fecho desta edição, não obteve resposta. .Exames nacionais. Remuneração anunciada pelo ministério ofende professores.Exames. Pedidos de reapreciação são mais do dobro do que em 2025 e ainda há alunos que não sabem as notas