Ministro da Educação, Fernando Alexandre, lembra que o novo método de classificações leva  ao surgimento de mais notas em que estão décimas em jogo.
Ministro da Educação, Fernando Alexandre, lembra que o novo método de classificações leva ao surgimento de mais notas em que estão décimas em jogo.FOTO: Hugo Delgado/Lusa

Exames. Pedidos de reapreciação são mais do dobro do que em 2025 e ainda há alunos que não sabem as notas

Foram feitos 15 mil pedidos de revisão de provas da 1.ª fase. Em igual período de 2025, foram 6200, o que equivale a menos de metade. Há ainda 170 alunos que não sabem a nota final do exame.
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Mais do dobro de pedidos de reapreciações, alunos ainda sem acesso à nota do exame da 1.ª fase e menos candidaturas ao Ensino Superior.

Este foi o panorama da época de exames no secundário sobre o qual, ontem, em declarações à margem da cerimónia de inauguração dos Laboratórios do Campus da Universidade de Coimbra na Figueira da Foz, o ministro da Educação, Ciência e Inovação (MECI), Fernando Alexandre falou, revelando que 170 alunos ainda não conhecem a nota dos exames da 1.ª fase, mas disse tratar-se de um número pouco expressivo. “Estamos a falar de 825 [exames] em 290 mil. Não estou a desvalorizar, mas cada um deles já foi analisado, já se identificou a razão das desconformidades ou não. Nos casos em que existe desconformidade, ela está a ser corrigida neste momento. Temos já poucos casos para corrigir”, explicou.

O titular da pasta da Educação avançou também com os números de pedidos de reapreciações de prova. “Ontem [domingo, dia 26], tínhamos cerca de 15 mil. É bastante mais do que o ano passado e serão analisados, obviamente, rápido”, avançou. Estes números representam mais do dobro dos pedidos da 1.ª fase de 2025, na qual se registaram 6200 reapreciações. Para Fernando Alexandre o novo método de classificação de provas permitiu “um número muito significativo” de notas entre 9 e 9,4 valores. Por isso, entende, por estar em causa uma décima para subir um valor nas notas, os alunos devem pedir revisão. “No ano passado não tínhamos praticamente nenhuma nota entre os 9 e os 9,5 valores, porque era um professor só a corrigir os exames. Agora, como somamos as várias respostas que compõem o exame e cada classificador faz a classificação sem ter a visão global do exame, o que resulta numa avaliação mais objetiva”, sublinha. Há, nesta situação, 2400 provas com 9,4 valores e outras também com um diferencial de uma décima, como 14,4 valores. Por isso, diz, “não é surpreendente que este ano, com este sistema, tenhamos mais reapreciações”. Segundo o ministro, nas 290 mil provas realizadas na 1.ª fase, 20 mil têm notas que terminam nas quatro décimas.

Candidaturas continuam com números baixos

A 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior termina a 6 de agosto, mas as candidaturas continuam com números baixos face ao ano anterior. No primeiro dia (20 de julho), registaram-se 304. Em 2025 foram 10.183. No segundo dia, houve 2722 inscritos. O ano passado foram mais de 16 mil. Dia 23, a tendência de queda manteve-se, com 7 990 candidaturas, quando em 2025 tinha sido 25.623. Já na sexta-feira, foram 14.191 e em 2025 contabilizaram-se 25.623. No decorrer do fim de semana e ontem a tendência de queda manteve-se.

A segunda fase dos exames nacionais já terminou e, sabe o DN, os docentes classificadores começaram a receber as provas para classificar no domingo (dia 26). Contudo, os professores manifestaram constrangimentos no acesso à plataforma de correções. Segundo Cristina Mota, porta-voz da Missão Escola Pública (MEP) - um movimento apartidário de professores -, ao longo do dia de ontem, “alguns professores conseguiram aceder, mas depois deixou de responder”. “Uns dizem aceder, mas outros não. E temos informação de escolas que ainda não conseguiram introduzir as informações relativas aos classificadores porque a plataforma não permite. Nessas escolas ainda não há convocatórias”, explica. Contudo a MEP considera que ainda é cedo para se fazerem avaliações.

Recorde-se que haverá ainda uma especial de exames, entre os dias 3 e 8 de setembro. As inscrições começaram ontem e terminam na sexta-feira. Para os alunos que façam o mesmo exame na 2.ª fase e na época especial, será considerada a melhor das duas classificações obtidas. A decisão de criar uma época especial surgiu na sequência dos constrangimentos provocados pela introdução da classificação digital de cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário. As notas serão integradas na 2.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, cujas candidaturas decorrem até 20 de setembro.

Ministro da Educação, Fernando Alexandre, lembra que o novo método de classificações leva  ao surgimento de mais notas em que estão décimas em jogo.
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