Os portugueses são os cidadãos da União Europeia mais preocupado com as catástrofes naturais agravadas pelas alterações climáticas. Esta é a conclusão que se retira do Eurobarómetro de outono divulgado esta quarta-feira, 4 de fevereiro, no site oficial do Parlamento Europeu. Segundo o estudo, 91% dos portugueses revelaram preocupação com as catástrofes, numa altura em que o país tem sido alvo de condições climatéricas severas, o que contrasta com os cidadãos europeus, uma vez que em média apenas 66% se dizem preocupados este tipo de fenómenos.O estudo mostra que esta preocupação é mais evidente nas populações dos países mediterrânicos, surgindo Grécia (83%), Itália (83%), Chipre (80%), Espanha (79%), Croácia (73%) e Malta (71%) como as mais preocupadas, sendo que no topo desta lista surge a Polónia (71%), que é o primeiro país no norte da Europa onde a população revela preocupações nesta matéria, o que contrasta com a maioria dos os países do norte e centro do continente, dos quais Estónia (28%), República Checa (42%) e Dinamarca (44%) são os menos sensíveis a este tema.“Estas diferenças podem em parte refletir experiência recentes com eventos climáticos extremos, como por exemplo ondas de calor ou fogos florestais, que tendem a afetar o sul da Europa de maneira mais severa”, explica o Eurobarómetro, que ainda não traduz no entanto as consequências das tempestades deste inverno, uma vez que o estudo foi feito em novembro de 2025.A segunda maior preocupação dos portugueses tem a ver com os “fluxos migratórios descontrolados”, surgindo também aqui como os mais preocupados da União Europeia, com 88% dos inquiridos a dizerem estar “muito preocupados”, o que representa um valor muito acima da média europeia, que é de 65%.Os únicos países que se aproximam da taxa de Portugal são Chipre (86%), Grécia (84%), Malta e Itália (81%), países da costa do Mediterrâneo, o que contrasta com níveis significativamente inferiores em Estados-membros do norte da Europa, como a Suécia (32%) ou a Dinamarca (48%).Os portugueses surgem também no topo deste estudo nas preocupações com o terrorismo (74%), os conflitos e guerras nas fronteiras da União Europeia (71%) e as ameaças à liberdade de expressão (70%).Ainda assim, apesar de o estudo demonstrar ser a população mais preocupada, os portugueses surgem em décimo lugar entre os Estados-membros que manifestam maior otimismo quanto ao futuro da UE. Neste caso, cerca de 64% dos portugueses inquiridos diz-se otimista, acima da média europeia que é de 57%.Os portugueses estão mesmo entre os cidadãos mais favoráveis ao projeto europeu, com 84% dos inquiridos a considerar que o facto de Portugal pertencer à União Europeia é “uma coisa boa”, o que contrasta com os 62% da média deste estudo.Uma larga maioria pede mesmo que se reforce o projeto europeu: cerca de 96% dos inquiridos portugueses diz concordar com a afirmação de que “os Estados-membros da UE devem reforçar a sua união para enfrentar os desafios globais atuais” (contra uma média europeia de 89%) e 90% pedem que se dote a UE de mais recursos (contra 73% a nível europeu).Questionados sobre qual deve ser a primeira prioridade do Parlamento Europeu, 68% dos portugueses dizem ser a saúde pública, seguido da inflação, aumento dos preços e custo de vida (58%) e a economia e criação de emprego (45%).Este Eurobarómetro baseou-se em entrevistas a 26.453 cidadãos europeus, feitas entre 06 e 30 de novembro de 2025. Em Portugal, foram inquiridos 1.037 cidadãos, entre 07 e 26 de novembro.*com Lusa.“Nós temos cheias, mas aqueles desgraçados de Leiria nem telhado têm para dormir”.Circulação suspensa na Linha do Sul em Grândola. Aldeia do Lousal isolada