Estudo revela que gota de sangue da ponta do dedo pode detetar Alzheimer
FOTO: DR

Estudo revela que gota de sangue da ponta do dedo pode detetar Alzheimer

O estudo que envolveu o Instituto de Saúde Carlos III, de Madrid, e o Centro de Investigação de Alzheimer ACE, em Barcelona.
Publicado a
Atualizado a

Uma gota de sangue seco, obtida com uma simples picada no dedo, como a que os diabéticos usam para medir a glucose, pode ser utilizada para detetar marcadores importantes da doença de Alzheimer, evitando assim exames mais invasivos.

Um estudo que envolveu o Instituto de Saúde Carlos III (Madrid) e o Centro de Investigação de Alzheimer ACE, em Barcelona, divulgado na segunda-feira, 5 de janeiro, na revista Nature Medicine, detalhou um novo método para detetar esta doença utilizando uma gota de sangue obtida da ponta do dedo e seca num cartão.

O procedimento foi testado em 337 doentes em sete centros europeus para encontrar proteínas relacionadas com Alzheimer e outras alterações cerebrais no líquido cefalorraquidiano, alcançando 86% de precisão na identificação de alterações relacionadas com a doença.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que afeta gravemente a memória e outras funções mentais, provocando uma perda progressiva de neurónios à medida que avança. A deteção precoce é crucial para a implementação de tratamentos que possam atrasar ou travar a sua progressão.

Cerca de uma em cada nove pessoas com mais de 65 anos sofre desta doença, segundo a Alzheimer's Association.

Os exames de diagnóstico atuais, como a análise do líquido cefalorraquidiano ou técnicas de imagem cerebral (como a TAC ou a PET), são frequentemente invasivos, dispendiosos ou inacessíveis, e também detetam a doença quando esta já está bastante avançada.

Um dos desafios da investigação atual é melhorar os exames de sangue como método de diagnóstico precoce.

Uma das limitações práticas destes exames ao sangue é o manuseamento e armazenamento das amostras, bem como a disponibilidade de pessoal qualificado para as recolher.

Para superar este desafio, o presente estudo centra-se na análise de biomarcadores a partir de gotas de sangue recolhidas da ponta do dedo e secas num cartão. Trata-se de um teste que os doentes podem realizar sozinhos, sem ajuda externa, como foi o caso neste estudo.

Os autores verificaram que os níveis da proteína p-tau217 em amostras obtidas através da impressão digital apresentaram uma elevada semelhança com os resultados dos exames de sangue convencionais e permitiram a identificação de alterações relacionadas com a doença de Alzheimer no líquido cefalorraquidiano com 86% de precisão.

Outros dois biomarcadores associados à doença, o GFAP e o NFL, foram também medidos com sucesso e apresentaram um elevado grau de concordância com os testes de diagnóstico tradicionais.

Os investigadores alertaram também que este procedimento de diagnóstico ainda não está pronto para uso clínico e requer um desenvolvimento adicional.

No entanto, os resultados sugerem que esta técnica simples pode possibilitar diagnósticos em larga escala, incluindo para pessoas com recursos limitados.

Estudo revela que gota de sangue da ponta do dedo pode detetar Alzheimer
Reposição de vitamina C no sistema imunitário do cérebro atrasa progressão da doença de Alzheimer
Estudo revela que gota de sangue da ponta do dedo pode detetar Alzheimer
Prémio Bial de Medicina Clínica 2024 distingue trabalho sobre Alzheimer

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt