Estudantes bloqueiam escolas em Lisboa: "Ocupamos as ruas para exigir habitação, ocuparemos as escolas para exigir educação"
Centenas de estudantes estão a bloquear na manhã desta sexta-feira, 23 de outubro, duas escolas secundárias em Lisboa para exigir melhor educação, mas também em protesto pelo aumento do custo de vida e pela crise na habitação, que dizem estar a "destruir-lhes o futuro".
"Ocupamos as ruas para exigir habitação, ocuparemos as escolas para exigir educação" é o mote do protesto que mobilizou centenas de alunos da Escola Artística António Arroio e do Liceu Camões.
Santiago Carrilho é um dos muitos estudantes que está do lado de fora dos portões da Escola Secundária Camões, que foi bloqueada num protesto por quem teme “um futuro sem condições”.
“Temos o custo de vida a aumentar cada vez mais, a habitação a aumentar cada vez mais, as escolas sem condições. Estão a destruir-nos o futuro e Luís Montenegro decide fechar os olhos perante o que se passa no país”, disse à Lusa Santiago Carrilho, do movimento estudantil Chumbado.PT.
A pouco mais de um quilómetro de distância, cerca de duas centenas de alunos protestam também em frente à Escola Artística António Arroio pelos mesmos motivos.
“As duas escolas estão bloqueadas, sem aulas, com o apoio dos funcionários e dos professores, porque esta é uma causa comum que afeta toda a gente, não apenas os jovens”, acrescentou Raul Noetzold, aluno e associado do movimento Chumbado.PT
Os estudantes exigem um aumento do investimento nas escolas que permita fazer obras de requalificação, que acabe “com o frio no inverno e o calor no verão”, acrescentou Maria Fonseca em declarações à Lusa, lembrando que “ainda há alunos que neste momento continuam sem professores”.
Os estudantes pedem melhores condições nas escolas e no acesso ao ensino superior e acreditam que as ações de hoje poderão “plantar a semente e alargar os bloqueios a escolas no resto do país”, acrescentou Santiago Carrilho.
“Planeamos ficar aqui até às 18:00, hora de fecho da escola, mas ao longo da semana queremos ocupar cada vez mais escolas, cada vez mais ruas, cada vez mais praças”, acrescentou, explicando que o protesto de pretende também mobilizar para a manifestação pela habitação, marcada pela Acampada de Lisboa que irá acontecer no sábado em Lisboa.
Os estudantes protestam também pelo agravamento do custo de vida e exigem medidas a nível climático e internacional, exigindo o fim do investimento na guerra e um reforço de medidas que garantam a transição energética.
As ações de bloqueio de hoje foram organizadas pelo movimento Chumbado.PT e pelo Estudantes pelo Fim ao Fóssil.

