Espanhol repatriado do navio cruzeiro teve teste positivo para o hantavírus. Está internado em Madrid

Todos os passageiros já desembarcaram em Tenerife, o navio já iniciou viagem para Roterdão, nos Países Baixos. A ECDC admite entretanto que apareçam novos casos de infeção.
Espanhol repatriado do navio cruzeiro teve teste positivo para o hantavírus. Está internado em Madrid
FOTO: EPA/RAMON DE LA ROCHA

OMS assume que situação em navio era preocupante

A Organização Mundial da Saúde (OMS) assumiu hoje que havia "muita preocupação" com as pessoas que estavam no navio com um surto de hantavírus e que mais dias no cruzeiro poderia ter criado uma "situação difícil".

"Estão agora em boas mãos. Estávamos muito preocupados. Se ficassem mais tempo no barco a situação poderia ser difícil", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, após a conclusão, na ilha de Tenerife, nas Canárias, da operação de desembarque e repatriamento de 125 pessoas que estavam no cruzeiro "MV Hondius".

Tedros Adhanom Ghebreyesus deu como exemplo o caso de uma passageira francesa, que foi repatriada no domingo e está em estado crítico, depois de ter tido sintomas da doença durante o voo para Paris.

Um teste feito à chegada a França confirmou que está infetada com hantavírus.

"Está numa situação muito crítica. Imaginem se tivesse ficado mais tempo no barco. O repatriamento foi a coisa certa. Tripulantes e passageiros estão a ter agora o apoio e assistência necessários", acrescentou Tedros Adhanom Ghebreyesus, que falava numa a jornalistas no porto de Granadilla, Tenerife, ao lado da ministra espanhola da Saúde, Mónica García.

O diretor-geral da OMS voltou a apelar a todos os países para colocarem as pessoas que estavam no barco em quarentena, durante 42 dias, o tempo de incubação máximo do hantavírus.

"Acredito que os países farão tudo para proteger os seus cidadãos", afirmou, sublinhando que a quarentena pode ser feita em casa.

Tedros Adhanom Ghebreyesus apelou também à solidariedade, compaixão e empatia com as pessoas que estiveram no cruzeiro "MV Hondius", durante uma viagem em que foram confirmados várias infeções com hantavírus e em que morreram três passageiros, dois deles a bordo do navio.

Passaram por uma situação de grande stress, sobretudo depois de o barco ter estado de quarentena em Cabo Verde, onde foram retiradas pessoas com sintomas de doença, e na viagem até às Canárias, onde o navio ancorou no domingo.

Tedros Adhanom Ghebreyesus elogiou o comandante do navio, que disse ser "um líder incrível", e garantiu apoio aos 25 tripulantes (que considerou uma "tripulação corajosa") que seguem no "MV Hondius", para o levar até Roderdão, nos Países Baixos, o país de bandeira do cruzeiro e do armador.

Lusa

Espanhol internado em Madrid com teste positivo 

Um dos 14 espanhóis repatriados do navio Hondius no domingo e que se encontra em quarentena no Hospital Gómez Ulla, em Madrid, teve um teste positivo ao hantavírus.

A revelação foi feita pelo Ministério da Saúde espanhol, recordando que das duas amostras coletadas, apenas a segunda torna o resultado definitivo.

O indivíduo é assintomático, encontra-se em bom estado geral e, se o resultado positivo for confirmado, será transferido para as Unidades de Isolamento e Tratamento de Alto Nível para ficar sob observação.

O Ministério da Saúde acrescentou que os outros 13 indivíduos fizeram um teste negativo, mas ainda de forma provisoria.

Tedros Ghebreyesus: "O risco é baixo, isto não é outra covid"

Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, agradeceu ao governo espanhol pelo trabalho realizado em Tenerife para ajudar os passageiros e a tripulação do navio MV Hondius, que já está a caminho de Roterdão com cerca de 30 pessoas a bordo, entre tripulação e dois profissionais de saúde.

O responsável máximo da OMS, que marcou presença nas Canárias, deixou a garantia de que os passageiros estão "em boas mãos" e frisou que os países que recebem os passageiros do navio "não têm nada a temer".

"O risco é baixo, isto não é outra covid. Espero que continuem a demonstrar compaixão pelos seus concidadãos", sublinhou.

"Missão cumprida." Todos os passageiros já desembarcaram em Tenerife

"Missão cumprida." Foi assim que Monica García, ministra da Saúde de Espanha, anunciou que o final da operação de desembarque do navio cruzeiro MC Hondius em Tenerife, na sequência do surto de hantavírus.

A embarcação já deixou inclusive o porto de Granadilla, onde saíram os últimos passageiros, e está já a caminho do porto de Roterdão, nos Países Baixos, onde a tripulação desembarcará e onde o navio será também desinfetado.

Navio obrigado a atracar por razões de segurança

O navio cruzeiro MV Hondius teve de atracar no porto Granadilla, nas Canárias, por razões de segurança, uma vez que ondulação estava a dificultar a retirada dos passageiros.

Entretanto, as últimas pessoas que se encontravam no navio já estão a desembarcar.

Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças admite que apareçam novos casos

Pamela Rendi-Wagner, diretora Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), disse em comunicado que "devido às incertezas que ainda persistem" e tendo ainda em conta "o longo período de incubação", existe a possibilidade de "assistirmos a casos adicionais em passageiros e tripulantes nas próximas semanas".

A ECDC acrescenta que os passageiros e os tripulantes do MV Hondius, o navio de cruzeiro que está desde domingo nas Canárias, continuam a ser evacuados para os respetivos países de origem em voos não comerciais, sublinhando que todos são considerados de alto risco.

Assim, todos as pessoas que se encontravam no navio cruzeiro e que apresentem sintomas de infeção têm de ter isolamento imediato, testes e cuidados médicos, enquanto os assintomáticos devem permanecer em quarentena e a monitorizar o aparecimento de sintomas até seis semanas.

Estudo afasta hipótese de o vírus sofrer mutações

Uma análise preliminar ao hantavírus na sequência de amostras recolhidas de pessoas infetadas no navio cruzeiro confirmaram que se trata da estirpe dos Andes e afasta desde já a possibilidade de o vírus sofrer mutações.

O estudo confirmou ainda que se tratam de sequências do vírus detetado em humanos em 1997 e 2018, sendo que a hipótese mais forte é que o surto no navio cruzeiro tenha tido origem em apenas um ou em um número muito limitado de eventos de transmissão.

Caso positivo de hantavírus em França está em condição estável

O cidadão francês que testou positivo para hantavírus continua nos cuidados intensivos, mas encontra-se agora estável, de acordo com o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu.

Este era um dos cinco franceses que estavam a bordo no navio cruzeiro e que agora estão em isolamento no Hospital Bichat, em Paris.

Sébastien Lecornu adiantou ainda que oito franceses identificados como casos de contato com alguém que estava com a doença estão a ser submetidos a um processo de isolamento reforçado no hospital.

"Nossa resposta na área da saúde é clara: para todos os casos de contato, sem exceção, a quarentena é reforçada em ambiente hospitalar", frisou.

Agente da Guarda Civil espanhola morre durante a operação de evacuação do navio

Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, homenageou hoje um guarda civil espanhol que morreu de ataque cardíaco durante a evacuação do navio MV Hondius em Tenerife.

"Os serviços de emergência no cais iniciaram imediatamente as manobras de reanimação, mas infelizmente não conseguiram salvar a sua vida", escreveu Ghebreyesus na rede social X.

"Apresento as minhas mais sinceras condolências à sua família, amigos e colegas. Da mesma forma, reitero a minha admiração e profunda gratidão ao povo de Tenerife e às autoridades espanholas que trabalharam nesta operação", acrescentou.

Espanha considera operação com navio "êxito do multilateralismo"

Espanha considerou hoje um "êxito do multilateralismo" a operação nas Canárias com o navio afetado com um surto de hantavírus, reiterando que foram seguidos todos os protocolos sanitários internacionais, após dois passageiros retirados do barco terem tido testes positivos.

Numa conferência de imprensa hoje em Tenerife, a ministra da Saúde espanhola, Mónica García, disse que foram seguidos a bordo do navio todos os protocolos sanitários internacionais, nomeadamente a nível de inquéritos epidemiológicos e testes, pelos peritos do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) que viajaram no "MV Hondius" a partir de Cabo Verde, onde o barco esteve de quarentena.

A operação nas Canárias, que envolveu mais de 20 países e diversas organizações internacionais, assim como a de rastreio de todos os contactos das pessoas que contactaram com passageiros e tripulantes do "MV Hondius" nas últimas semanas, é já "um êxito do multilateralismo e do conceito de saúde global", considerou a ministra espanhola.

"Podemos sentir-nos orgulhosos como país e das instituições internacionais", acrescentou.

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Casos positivos retirados com "medidas preventivas e de controlo"

Espanha garantiu esta segunda-feira que adotou "todas as medidas preventivas e de controlo de transmissão" de hantavírus no caso dos dois passageiros do navio "MV Hondius" repatriados desde as Canárias que, segundo os EUA e França, estão infetados.

"Aplicaram-se todas as medidas preventivas e de controlo de transmissão", disse o Ministério da Saúde espanhol, num comunicado sobre o navio de cruzeiro que está fundeado nas Canárias com o título "sobre a informação proporcionada pelo Governo dos Estados Unidos".

As autoridades norte-americanas disseram que uma das pessoas repatriadas desde as Canárias no domingo para os EUA é um "positivo fraco" de hantavírus.

Sobre este caso, o Ministério da Saúde espanhol explica que quando o navio de cruzeiro "MV Hondius", afetado por um surto de hantavírus, esteve de quarentena em águas de Cabo Verde, antes de sair para as Canárias, embarcou um epistemólogo do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), "que analisou todos os contactos e, especialmente, aqueles que tinham tido contacto exterior com os casos confirmados".

"Realizou-se uma prova diagnóstica que foi enviada a dois laboratórios. Num deles, o resultado foi considerado pelas autoridades norte-americanas como um positivo débil, apesar de para nós não ser conclusivo. A segunda análise foi negativa", acrescentou o ministério espanhol.

Espanha sublinha que "a pessoa em questão não manifestava sintomas quando estava em Cabo Verde".

"No entanto, as autoridades norte-americanas decidiram tratar o caso como positivo. Por esse motivo, solicitaram a sua retirada [do barco, nas Canárias] em separado, o que se fez numa embarcação independente", revela a mesma nota.

Segundo o Ministério da Saúde de Espanha, após o desembarque nas Canárias, as autoridades dos EUA decidiram "manter o critério de caso positivo" e este passageiro do navio foi repatriado "num lugar isolado" no avião de repatriamento.

No grupo repatriado para os EUA (18 pessoas, 17 delas com nacionalidade norte-americana) há ainda uma pessoa que teve "tosse ligeira" no dia 06 de maio, segundo os médicos que estavam a bordo e que classificaram por isso esta situação como "um caso provável".

Esta mulher foi por isso também retirada do barco de "forma separada", antes do repatriamento.

Quanto à mulher francesa que teve um teste positivo de hantavírus ao chegar a França no domingo, "começou a sentir-se mal durante o voo" de repatriamento "e não enquanto estava no navio", disse o Ministério da Saúde de Espanha no comunicado.

"Todas as medidas adotadas deste o início tiveram como objetivo cortar as possíveis cadeias de transmissão", sublinhou o governo espanhol, que coordena a operação de retirada de pessoas no "MV Hondius" e de repatriamento.

Foram retiradas do barco de cruzeiro e repatriadas 94 pessoas de 19 nacionalidades no domingo, numa operação que vai prosseguir hoje com a transferência de mais 24 passageiros tripulantes, segundo o governo espanhol.

A operação deve ficar concluída hoje e é previsível que o navio, que tem bandeira dos Países Baixos, deixe as Canárias ao final da tarde, com parte da tripulação a bordo, rumo ao porto de Roterdão.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou até agora seis casos de infeção com hantavírus em pessoas que viajaram neste barco. Três pessoas morreram.   

O navio viajava desde a Argentina, pelo Atlântico Sul, e suscitou um alerta sanitário internacional.   

“Alarme social prova que países ainda não estão preparados para casos de saúde pública”, defende especialista portuguesa

Margarida Tavares, médica infecciologista, diz que precaução de 42 dias de isolamento numa unidade de saúde para passageiros do navio cruzeiro MV Hondius, que começaram a desembarcar ontem, em Tenerife, deve-se ao período de incubação da doença, mas, também, e muito, “ao alarme social criado”. Agora, devem seguir-se exames moleculares às pessoas e rastreamento a locais do barco para se perceber a origem do surto.

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Passageira francesa com teste positivo

Uma passageira francesa do navio de cruzeiro MV Hondius teve um teste positivo para hantavírus, anunciou a ministra da Saúde de França, Stéphanie Rist.

Entre os cinco cidadãos franceses repatriados e colocados em isolamento, em Paris, o estado de saúde de uma mulher, "infelizmente, piorou durante a noite" e "os testes deram positivo", disse a responsável governamental à rádio France Inter.

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, agendou uma reunião para hoje à tarde sobre o assunto.

Norte-americano retirado do cruzeiro afetado por surto testa positivo

Um dos 17 norte-americanos retirados do MV Hondius, o navio de cruzeiro afetado por um surto de hantavírus, testou positivo mas não apresenta sintomas, disseram as autoridades de saúde dos Estados Unidos.

O voo fretado transportava 17 norte-americanos, retirados de avião após o navio ter chegado a Tenerife, a maior ilha do arquipélago das Canárias. A aeronave deveria chegar ao Nebraska, no centro dos EUA, no início do dia de hoje.

Os norte-americanos serão levados primeiro para a Universidade de Nebraska, que possui uma instalação de quarentena financiada pelo Governo federal, para avaliar se estiveram em contacto próximo com pessoas sintomáticas e os níveis de risco de propagação do vírus.

“Um passageiro será transportado para a Unidade de Biocontenção do Nebraska após a chegada, enquanto os outros passageiros irão para a Unidade Nacional de Quarentena para avaliação e monitorização”, disse a porta-voz do Centro Médico de Nebraska, Kayla Thomas.

“O passageiro que irá para a Unidade de Biocontenção testou positivo para o vírus, mas não apresenta sintomas”, acrescentou.

Horas antes, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, indicou na rede social X que um dos cinco franceses retirados do MV Hondius e repatriados no domingo para França, apresenta sintomas de hantavírus.

“Ele apresentou sintomas no avião de repatriamento”, informou. “Estes cinco passageiros foram imediatamente colocados em isolamento rigoroso até nova ordem, estão a receber cuidados médicos e serão submetidos a testes e a um exame de saúde”, acrescentou.

Além disso, o Governo vai aprovar “ainda esta noite” um decreto para implementar as medidas de isolamento adequadas a estes casos de contacto.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 42 dias de quarentena para quem esteve no navio, mas cada país é livre de tomar uma decisão, disse no domingo o diretor-geral da agência da ONU.

Tedros Adhanom Ghebreyesus disse que a OMS já emitiu uma recomendação de 42 dias de quarentena, "com seguimento ativo", em casa ou numa unidade de saúde, para tripulantes e passageiros do MV Hondius após a saída do paquete.

Hoje serão ainda desembarcadas e repatriadas 24 pessoas para a Austrália e Países Baixos.

O barco, com uma parte da tripulação a bordo, que não vai desembarcar nas Canárias, seguirá depois para os Países Baixos, onde está registado o cruzeiro e de onde é o armador.

A OMS confirmou até agora seis casos de oito suspeitos de infeção com hantavírus em pessoas que viajaram no barco. Três pessoas morreram e nenhum dos doentes ou suspeitos de estarem infetados estavam já a bordo quando o barco chegou às Canárias.   

O navio viajava desde a Argentina, pelo Atlântico Sul, e suscitou um alerta sanitário internacional no passado fim de semana.   

O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infetados. A variante detetada no paquete, o hantavírus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa.

Os sintomas da infeção com hantavírus são, inicialmente, semelhantes aos da gripe, como tosse, fadiga ou dores de cabeça e musculares.

Dependendo da estirpe, o hantavírus pode provocar uma infeção pulmonar ou renal.

A OMS garante que o risco deste surto para a população em geral é baixo.

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