Escola Artística António Arroio critica digitalização dos exames após aumento de pedidos de reapreciação
A Escola Artística António Arroio endereçou na sexta-feira uma carta aberta ao ministro da Educação na qual rejeita o modelo de classificação dos exames nacionais adotado no ano letivo transato, que originou 100 pedidos de reapreciação.
“O bom desenrolar dos trabalhos do secretariado de exames na Escola Artística António Arroio foi posto em causa pela digitalização implementada pelo Ministério da Educação, verificando-se um aumento substancial de alunos a pedir reapreciação de prova e na adesão à época especial”, lê-se no documento.
De acordo com os dados divulgados, em 2025, a Escola António Arroio teve 23 pedidos de reapreciação, enquanto no corrente ano foram feitos 100 pedidos de reapreciação. No momento de afixação de resultados, cinco alunos foram confrontados com ausência de avaliação e 124 alunos inscreveram-se na época especial de exames.
Numa tomada de posição pública, o conselho geral da escola defende que o professor deve ler integralmente a prova do aluno, acompanhar o seu raciocínio e formular um juízo global sobre o desempenho demonstrado.
Atualmente, refere, a tecnologia permite outra realidade: “a fragmentação da prova em múltiplos itens, distribuídos por diferentes classificadores”.
“O conhecimento não é uma simples acumulação de informações ou respostas corretas. Aprender implica estabelecer relações, construir coerência, desenvolver formas de pensamento e de argumentação. A coerência do raciocínio, a argumentação e a compreensão global constituem objetos de avaliação, pelo que devem continuar a ser asseguradas condições para que o professor corretor exerça plenamente o seu julgamento profissional”, defende a escola.
“As múltiplas falhas verificadas não podem ser reduzidas a meros constrangimentos técnicos pois afetaram classificações, prazos, candidaturas ao ensino superior e, acima de tudo, afetaram a confiança dos alunos, famílias e da escola no sistema de avaliação externa”, acrescenta o conselho geral.
A escola considera graves as situações de classificações suspensas ou posteriormente alteradas, “os erros de processamento e digitalização, a entrega tardia das provas aos professores classificadores, as falhas da plataforma”, os atrasos na disponibilização das provas e pautas às escolas e a sucessão de alterações de calendário num período em que os alunos tinham de tomar decisões determinantes para o percurso escolar futuro.
Para que nenhum aluno fique prejudicado, a escola exige a urgente assunção de responsabilidades por parte das entidades responsáveis, “desde logo o ministro Fernando Alexandre”, sobre os efeitos resultantes das decisões tomadas.

