Em fotos. Centenas nas ruas de Lisboa por uma "Casa para Viver"
FOTO: Paulo Spranger

Em fotos. Centenas nas ruas de Lisboa por uma "Casa para Viver"

Manifestação encheu parcialmente a Avenida da Liberdade e marchou até aos Restauradores.
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A defesa do direito à habitação juntou este sábado (21) em Lisboa centenas de pessoas que pintaram a Avenida da Liberdade com cartazes pedindo respostas contra o contínuo aumento dos preços das casas.

O protesto da plataforma Casa Para Viver contou com a participação do secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo. Também BE e Livre marcaram presença.

Perto das 16:00, uma hora depois do início da concentração, continuavam a chegar àquela que é uma das zonas mais movimentadas da capital manifestantes para se juntar às várias centenas de pessoas que ocupavam o topo da Avenida da Liberdade, junto à rotunda do Marquês de Pombal, antes de iniciarem uma marcha em direção à Praça dos Restauradores.

Com palavras de ordem como “Menos renda e mais salário” ou “Do bairro à cidade, queremos dignidade”, ao ritmo da música tocada em tambores, os manifestantes exibiam cartazes em que se liam mensagens como “Em vez de controlarem o meu o meu corpo, controlem as rendas”, “55 prédios: é o Luís a colecionar” e “Fartos de escolher pagar renda ou comer”.

O protesto foi promovido pela plataforma Casa Para Viver, que na semana passada qualificou de "irresponsáveis" as mais recentes medidas do Governo para responder à crise na habitação, em particular aquelas que tornam mais céleres os despejos.

Em fotos. Centenas nas ruas de Lisboa por uma "Casa para Viver"
Casa Para Viver volta a sair à rua contra “desvario especulativo”

Em Lisboa, a cidade da União Europeia (UE) onde os habitantes destinam uma maior percentagem do salário para pagar a habitação - segundo um relatório do Conselho Europeu que revela que os lisboetas destinam 116% do salário para habitação -, a manifestação juntou jovens diretamente afetados e pessoas com casa própria que, mesmo sendo proprietárias, apontam os preços elevados como uma das maiores crises em Portugal.

Além de Lisboa, 15 outras localidades respondem hoje ao apelo da plataforma Casa para Viver, que espera uma adesão de milhares de pessoas em todo o país, com centenas de organizações a responderem ao manifesto "Já não dá! Voltamos à rua por Casa para Viver!".

Partidos mais à esquerda na 'manif'

O PCP, o Livre e o BE juntaram-se à manifestação pelo direito à habitação em Lisboa, deixando críticas ao Governo, que acusaram de responder à crise com medidas que beneficiam o mercado.

“Estas pessoas estão aqui hoje a exigir uma coisa tão simples, que são casas para viver, e o Governo quer é casas para especular”, resumiu o secretário-geral do PCP.

Paulo Raimundo foi um dos líderes partidários a juntar-se na capital à manifestação promovida pela plataforma Casa Para Viver sob o mote "Já não dá! Voltamos à rua por Casa para Viver!", que se realizou em 16 localidades do país.

Depois de assistir à passagem dos manifestantes pela Avenida da Liberdade (que o líder do PCP estimou serem mais de mil), Paulo Raimundo falou aos jornalistas e manifestou preocupação com a forma como o executivo de Luís Montenegro está a responder à crise à habitação.

“Com quantas mais medidas o Governo avança, mais caras as casas ficam, mais as rendas sobem, e, como se isso não bastasse, ainda vem mais uma nova lei para acabar com o resto, para aumentar os despejos”, argumentou, referindo-se às medidas aprovadas na semana passada em Conselho de Ministros para agilizar despejos em casos de incumprimento no arrendamento.

“A dada altura, o Governo tem que parar e pensar se efetivamente quer continuar a seguir este caminho que tem seguido”, concordou Paulo Muacho, do Livre.

Sublinhando que a crise na habitação é “a maior crise” que o país tem neste momento, o deputado acusou também o Governo PSD/CDS-PP de falta de vontade política para a resolver, dando como exemplo a inutilização de edifícios públicos atualmente vazios.

“É isso que faz com que o preço das rendas possa baixar”, defendeu Paulo Muacho, alertando também para o crescimento de “bairros de barracas”, um cenário que considerou inaceitável e que disse fazer lembrar a capital durante a década de 1990.

Pelo BE, José Manuel Pureza concordou com a afirmação de que as medidas do Governo protegem essencialmente o mercado, “como se a crise de habitação não fosse o mercado a funcionar”.

“São medidas contrárias àquilo que poderá resolver a nossa situação”, afirmou o coordenador do BE, defendendo, pelo contrário, limites às rendas e, a longo prazo, o investimento em habitação pública e uma política de habitação com “regras muito disciplinadas”.

“A falta de habitação para gente mais nova, os preços exorbitantes para famílias de classe trabalhadora e de classe média, a prestação da casa a subir… Isso é o mercado a funcionar”, insistiu o bloquista, pedindo “coragem política” para inverter esse caminho.

Além de Lisboa, 15 outras localidades foram chamadas ao apelo da plataforma Casa para Viver.

No Funchal, na Madeira, a iniciativa juntou cerca de 30 pessoas e, no Porto, perto de 500.

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