O Edifício Transparente, no Porto, vai ser parcialmente demolido, num processo com partilha de custos entre a Câmara e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que pretende “renaturalizar” a Praia Internacional, foi esta terça-feira (7) confirmado pela ministra do Ambiente.“Encontrámos no ministério muitos problemas de há muitos anos, de há algumas décadas. Este é da altura do Porto, Capital Europeia da Cultura [em 2001]. É um edifício que está no domínio marítimo e vai ser reformulado. Há um acordo já entre a APA e a Câmara, de partilha de custos, para baixar muito mais aquele edifício alto, para bem do ambiente, da paisagem e das pessoas, porque é uma praia muito bonita e está ali aquele edifício muito feio”, observou Maria da Graça Carvalho, em resposta a questões dos jornalistas após uma visita às obras de consolidação do paredão de Moledo, em Caminha, distrito de Viana do Castelo.O presidente da APA, José Pimenta Machado, não se quis comprometer com prazos, respondendo apenas que está “a trabalhar” com a autarquia portuense para “cortar o edifício à cota do viaduto, deixar a parte de baixo para apoio de praia e renaturalizar a praia, colocar areia e criar condições para uma nova praia com qualidade”.“O único prazo com que me comprometo é a demolição na praia do Ourigo [das ruínas de um bar]”, frisou, referindo-se a outra praia do Porto.Outro dos objetivos da intervenção no Edifício Transparente, de acordo com Pimenta Machado, é “melhorar a relação entre o Parque [da Cidade] e a Praia Internacional, onde a qualidade da água tem vindo a melhorar.“Por um lado, há ali um problema até do ponto de vista de segurança do edifício, que está num estado de degradação muito acentuado. No fundo, temos aqui uma oportunidade de transformar aquela praia com condições e melhorar a relação entre o parque e a praia”, detalhou o presidente da APA.O Porto será, assim, “uma das únicas cidades europeias com esta boa relação entre uma praia com qualidade com um parque magnífico”, acrescentou.Pimenta Machado também não detalhou custos da intervenção, sublinhando que a APA está a “trabalhar no projeto” e vai ter “muito em breve, dentro de dias, uma reunião com a Câmara do Porto”.“Alguém há de fazer o projeto. Nós estamos também a encontrar fundos para, no fundo, fazer aquela diminuição parcial [do edifício]. Não é total, é parcial”, assinalou.Pedro Duarte, o atual presidente da Câmara, eleito em outubro pela coligação PSD/CDS-PP/IL, tinha prometido em campanha eleitoral demolir o Edifício Transparente até à quota da estrada.“Aquilo que vamos fazer, em conjunto com a APA, que também tutela aquela área, é promover a demolição de todo o edifício até à cota da estrada, depois de terminada a sua concessão no próximo ano”, disse à Lusa em setembro.Na parte de baixo continuará a existir o “chamado apoio de praia”, ou seja, um equipamento que poderá ter escolas de surf, lojas comerciais e esplanadas que promovam o convívio e a vida urbana”Pedro Duarte considerou o Edifício Transparente “uma obra sem grande sentido” porque cria uma “barreira inexplicável” entre o Parque da Cidade do Porto e o mar.Em termos de custos, o candidato da coligação PSD/CDS-PP/IL assumiu que “não é nada de significativo”.Projetado pelo arquiteto catalão Solà-Morales e construído no âmbito da Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, o Edifício Transparente foi concessionado em junho de 2004 por um período de 20 anos, prazo que já tinha sido prorrogado em 2024, por um ano, e voltou a ser prolongado até 2026.Em vigor desde 2021, o Programa da Orla Costeira Caminha - Espinho (POC-CE) identifica 46 áreas críticas e determina o recuo de dezenas de núcleos habitacionais, bem como a proteção da praia Internacional no Porto, junto ao Edifício Transparente, cuja demolição está prevista até 2028.