Duas operações realizadas esta quarta-feira, 1 de julho, tiveram como alvo organizações suspeitas da prática de vários crimes relacionados com a "CEO Fraud". Segundo comunicados do Ministério Público (MP), foram detidas 23 pessoas: 11 numa operação e 12 na outra. As autoridades estimam que tenham circulado pelas contas controladas pelos grupos cerca de 67 milhões de euros.Uma das organizações é investigada desde agosto de 2021 e dedicava-se "à criação de sociedades comerciais de fachada" e, posteriormente, à abertura de contas bancárias em nome dessas sociedades. O objetivo era "fazer circular fundos de proveniência ilícita, com origem em burlas ou crimes informáticos", através de diversas contas bancárias, nacionais e estrangeiras.Em causa está a burla conhecida como "CEO Fraud", na qual os criminosos fazem-se passar por altos executivos, como administradores-delegados (CEO) ou diretores. Para isso, utilizam e-mails falsificados ou contas comprometidas para solicitar transferências bancárias, nomeadamente para o pagamento de faturas.Na operação realizada esta quarta-feira foram apreendidos equipamentos informáticos, documentação bancária e telemóveis. Numa das ações foram efetuadas 19 buscas, domiciliárias e não domiciliárias, no norte do país.O outro grupo atuava "pelo menos desde agosto do ano passado" e recorria ao mesmo método. O MP estima que, entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, tenham circulado pelas contas controladas pela organização cerca de 50 milhões de euros. Uma das entidades lesadas terá sido o banco Santander.No âmbito desta investigação, a Polícia Judiciária (PJ) realizou 22 buscas domiciliárias de norte a sul do país e deteve 12 pessoas. Todos os detidos ficaram sujeitos a medidas de coação.De acordo com o mais recente Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), à semelhança de 2024, “a CEO Fraud mantém-se uma ameaça relevante”. Foram 192 incidentes registrados em 2025, o que representa um aumento de 20% face ao ano anterior. Com isso, essa burla tornou-se o subtipo mais frequentemente observado no período.amanda.lima@dn.pt."CEO Fraud". PJ conclui caso de burla internacional que movimentou mais de 3,5 milhões de euros.MP de Coimbra acusa nove pessoas por associação criminosa e mais dois crimes