Na PSP uma das apostas são  as redes sociais, com campanhas de divulgação no Instagram, Facebook, Twitter e Linkedin.
Na PSP uma das apostas são as redes sociais, com campanhas de divulgação no Instagram, Facebook, Twitter e Linkedin.Foto: Reinaldo Rodrigues

Dos vídeos da PSP ao GNR ‘influencer’. Como as polícias atraem candidatos

No caso do Ministério da Justiça, foram aprovadas mudanças na idade mínima para os concursos dos guardas prisionais.
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A atração de candidatos para áreas ligadas à segurança pública é cada vez mais digital. Em Portugal, há dificuldades de recrutamento para algumas profissões, por isso as campanhas de recrutamento têm-se tornado mais abrangentes, a par de alterações nas regras de acesso, com o objetivo de alargar o universo de potenciais candidatos. Portugal não é o único exemplo europeu a inovar nas estratégias de recrutamento. Vários países têm vindo a adotar processos de recrutamento contínuo para suprir as vagas existentes, apostando fortemente na comunicação através das redes sociais.

Por cá, terminaram recentemente as inscrições para o novo concurso de agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP). Nas últimas semanas, a Direção Nacional apostou numa forte campanha através dos meios digitais. Ao DN, fonte oficial começa por explicar que existe necessidade de candidatos para suprir os vários cursos de formação previstos.

O objetivo é aumentar o número de polícias. “A PSP tem como objetivo continuar a reforçar o número de efetivos nos próximos anos, encontrando-se previstos novos cursos de formação e um esforço continuado de aproximação aos jovens que procuram uma carreira exigente, mas simultaneamente prestigiada e com forte impacto na sociedade”, explica.

O foco está nos jovens. “No âmbito da Estratégia PSP 2025-2027, têm sido adotadas diversas medidas que visam aproximar a Instituição dos potenciais candidatos, reforçando a divulgação das oportunidades de carreira junto dos jovens, através de campanhas de comunicação, ações de sensibilização e informação em estabelecimentos de ensino, participação em feiras e certames destinados aos mais jovens, bem como uma presença mais ativa nos meios digitais e nas redes sociais”, lê-se na resposta enviada ao jornal.

Esta presença mais ativa nas redes sociais abrange as principais plataformas, como o Instagram e o Facebook. Os detalhes sobre os requisitos obrigatórios, disponíveis no site de recrutamento, foram publicados de forma resumida em cartões (cards) nas redes sociais, incluindo a idade mínima, as orientações sobre tatuagens permitidas, o valor do salário e a lista de documentos necessários para a candidatura.

A campanha deste ano utilizou ainda vídeos reais da PSP, mostrando diferentes valências da instituição, como o Departamento de Trânsito, equipas de prevenção, equipas de intervenção rápida e patrulhamento. Cada vídeo inclui pequenos testemunhos de agentes a convidarem os interessados a juntarem-se à PSP, acompanhados de uma breve apresentação da respetiva área de atuação. Alguns dos conteúdos publicados são marcados por muita ação, com motas, armas de elevado calibre e outros equipamentos.

Além dos meios digitais, o mundo offline não é esquecido nas campanhas de recrutamento. “Entre as principais medidas destacam-se a realização de campanhas de comunicação dirigidas aos jovens, uma presença reforçada em estabelecimentos de ensino, feiras de emprego e eventos vocacionados para a orientação profissional, bem como uma utilização mais ativa dos meios digitais e das redes sociais, presença assídua em órgãos de comunicação social e através de formatos publicitários em zonas de elevado fluxo de pessoas, de forma a dar a conhecer as oportunidades e o propósito da profissão policial”, detalha a PSP.

A estratégia passa também por “evidenciar os fatores de atratividade da carreira, nomeadamente a estabilidade profissional, a formação especializada, as possibilidades de progressão, a diversidade de funções e o contributo para a segurança e o serviço à comunidade”. Nesta edição do concurso, um dos motes foi “Mais do que uma profissão… é uma missão!”.

A PSP destaca ainda a “aproximação da Instituição aos cidadãos, promovendo uma imagem de modernidade, profissionalismo e serviço público, procurando captar candidatos motivados, qualificados e alinhados com os valores da PSP”. O número de inscritos no último concurso ainda não está contabilizado, adiantou a PSP ao DN.

Guarda ‘influencer’

Com as candidaturas a caírem mais de 70% nos últimos 13 anos, a estratégia da Guarda Nacional Republicana (GNR) é semelhante à da PSP e assenta em três dimensões complementares: “Atrair, Recrutar e Selecionar”, com medidas concretas em cada uma dessas etapas, detalha a GNR ao DN. “A Guarda Nacional Republicana encontra-se a planear e a implementar um Plano de Ação para o Recrutamento, no âmbito da implementação da Estratégia para a Guarda 2030, com um conjunto estruturado e integrado de medidas destinadas a aumentar o número de candidatos nos processos de recrutamento”, começa por explicar.

A Guarda aponta a necessidade de uma “renovação geracional” do efetivo e, por isso, centra o seu enfoque na chamada “Geração Z”, ou seja, nos jovens. “A instituição tem vindo a apostar na modernização da sua comunicação e na valorização da sua proposta de valor enquanto instituição ao serviço da sociedade”, afirma.

A GNR tem vindo a promover “campanhas de comunicação focadas no propósito, impacto social, estabilidade e progressão na carreira”, bem como o “reforço da presença digital, com conteúdos adaptados às novas gerações, incluindo redes sociais e formatos digitais curtos”. Outra iniciativa é o programa “Guarda Influencer”, no qual jovens militares atuam como embaixadores junto do público-alvo.

Fora do mundo digital, militares da GNR participam em “ações de proximidade em escolas, universidades, feiras e eventos locais, promovendo o contacto direto com potenciais candidatos”. Recentemente, a Escola da Guarda, em Queluz, recebeu estudantes no âmbito do programa “Futuro na GNR”. Os adolescentes participaram em atividades físicas e ficaram a conhecer como é integrar a Guarda.

No processo de candidatura, foram também criadas medidas de simplificação, nomeadamente a “disponibilização de informação clara, tutoriais e canais diretos de comunicação (incluindo WhatsApp e SMS)”, a criação de um “Gabinete de Apoio ao Candidato” e de espaços físicos de recrutamento, com atendimento personalizado, bem como a “digitalização do processo de candidatura, com soluções mobile e acompanhamento em tempo real”, além da redução da burocracia. Quanto à adaptação dos critérios e dos processos de seleção, a GNR “está igualmente a rever os seus métodos de seleção”, com vista a garantir maior rapidez nos procedimentos, reforçar “a transparência e a qualidade da avaliação, incluindo formação específica para avaliadores” e, por fim, “adaptar os critérios às características das novas gerações e da sociedade”.

Guarda prisional

O Ministério da Justiça respondeu ao DN que “o Governo aprovou o Plano Plurianual de Recrutamento e Promoções do Corpo da Guarda Prisional, medida que reflete um quadro estruturado e plurianual para o recrutamento e a progressão de carreiras neste setor, por forma a garantir o seu aumento e rejuvenescimento, bem como a manutenção de elevados graus de prontidão e a sua eficácia operacional”.

Relembrou que m março deste ano foi publicado o decreto-lei que veio rever o Estatuto do Pessoal do Corpo da Guarda Prisional com a finalidade de atrair e fixar profissionais, face ao aumento da população prisional. O plano prevê 400 novos recrutamentos e 380 promoções até 2027: 200 recrutamentos e 140 promoções em 2026, e mais 200 recrutamentos e 240 promoções em 2027.

amanda.lima@dn.pt

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