A atração de candidatos para áreas ligadas à segurança pública é cada vez mais digital. Em Portugal, há dificuldades de recrutamento para algumas profissões, por isso as campanhas de recrutamento têm-se tornado mais abrangentes, a par de alterações nas regras de acesso, com o objetivo de alargar o universo de potenciais candidatos. Portugal não é o único exemplo europeu a inovar nas estratégias de recrutamento. Vários países têm vindo a adotar processos de recrutamento contínuo para suprir as vagas existentes, apostando fortemente na comunicação através das redes sociais.Por cá, terminaram recentemente as inscrições para o novo concurso de agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP). Nas últimas semanas, a Direção Nacional apostou numa forte campanha através dos meios digitais. Ao DN, fonte oficial começa por explicar que existe necessidade de candidatos para suprir os vários cursos de formação previstos. O objetivo é aumentar o número de polícias. “A PSP tem como objetivo continuar a reforçar o número de efetivos nos próximos anos, encontrando-se previstos novos cursos de formação e um esforço continuado de aproximação aos jovens que procuram uma carreira exigente, mas simultaneamente prestigiada e com forte impacto na sociedade”, explica.O foco está nos jovens. “No âmbito da Estratégia PSP 2025-2027, têm sido adotadas diversas medidas que visam aproximar a Instituição dos potenciais candidatos, reforçando a divulgação das oportunidades de carreira junto dos jovens, através de campanhas de comunicação, ações de sensibilização e informação em estabelecimentos de ensino, participação em feiras e certames destinados aos mais jovens, bem como uma presença mais ativa nos meios digitais e nas redes sociais”, lê-se na resposta enviada ao jornal.Esta presença mais ativa nas redes sociais abrange as principais plataformas, como o Instagram e o Facebook. Os detalhes sobre os requisitos obrigatórios, disponíveis no site de recrutamento, foram publicados de forma resumida em cartões (cards) nas redes sociais, incluindo a idade mínima, as orientações sobre tatuagens permitidas, o valor do salário e a lista de documentos necessários para a candidatura.A campanha deste ano utilizou ainda vídeos reais da PSP, mostrando diferentes valências da instituição, como o Departamento de Trânsito, equipas de prevenção, equipas de intervenção rápida e patrulhamento. Cada vídeo inclui pequenos testemunhos de agentes a convidarem os interessados a juntarem-se à PSP, acompanhados de uma breve apresentação da respetiva área de atuação. Alguns dos conteúdos publicados são marcados por muita ação, com motas, armas de elevado calibre e outros equipamentos.Além dos meios digitais, o mundo offline não é esquecido nas campanhas de recrutamento. “Entre as principais medidas destacam-se a realização de campanhas de comunicação dirigidas aos jovens, uma presença reforçada em estabelecimentos de ensino, feiras de emprego e eventos vocacionados para a orientação profissional, bem como uma utilização mais ativa dos meios digitais e das redes sociais, presença assídua em órgãos de comunicação social e através de formatos publicitários em zonas de elevado fluxo de pessoas, de forma a dar a conhecer as oportunidades e o propósito da profissão policial”, detalha a PSP.A estratégia passa também por “evidenciar os fatores de atratividade da carreira, nomeadamente a estabilidade profissional, a formação especializada, as possibilidades de progressão, a diversidade de funções e o contributo para a segurança e o serviço à comunidade”. Nesta edição do concurso, um dos motes foi “Mais do que uma profissão… é uma missão!”.A PSP destaca ainda a “aproximação da Instituição aos cidadãos, promovendo uma imagem de modernidade, profissionalismo e serviço público, procurando captar candidatos motivados, qualificados e alinhados com os valores da PSP”. O número de inscritos no último concurso ainda não está contabilizado, adiantou a PSP ao DN.Guarda ‘influencer’Com as candidaturas a caírem mais de 70% nos últimos 13 anos, a estratégia da Guarda Nacional Republicana (GNR) é semelhante à da PSP e assenta em três dimensões complementares: “Atrair, Recrutar e Selecionar”, com medidas concretas em cada uma dessas etapas, detalha a GNR ao DN. “A Guarda Nacional Republicana encontra-se a planear e a implementar um Plano de Ação para o Recrutamento, no âmbito da implementação da Estratégia para a Guarda 2030, com um conjunto estruturado e integrado de medidas destinadas a aumentar o número de candidatos nos processos de recrutamento”, começa por explicar.A Guarda aponta a necessidade de uma “renovação geracional” do efetivo e, por isso, centra o seu enfoque na chamada “Geração Z”, ou seja, nos jovens. “A instituição tem vindo a apostar na modernização da sua comunicação e na valorização da sua proposta de valor enquanto instituição ao serviço da sociedade”, afirma.A GNR tem vindo a promover “campanhas de comunicação focadas no propósito, impacto social, estabilidade e progressão na carreira”, bem como o “reforço da presença digital, com conteúdos adaptados às novas gerações, incluindo redes sociais e formatos digitais curtos”. Outra iniciativa é o programa “Guarda Influencer”, no qual jovens militares atuam como embaixadores junto do público-alvo.Fora do mundo digital, militares da GNR participam em “ações de proximidade em escolas, universidades, feiras e eventos locais, promovendo o contacto direto com potenciais candidatos”. Recentemente, a Escola da Guarda, em Queluz, recebeu estudantes no âmbito do programa “Futuro na GNR”. Os adolescentes participaram em atividades físicas e ficaram a conhecer como é integrar a Guarda.No processo de candidatura, foram também criadas medidas de simplificação, nomeadamente a “disponibilização de informação clara, tutoriais e canais diretos de comunicação (incluindo WhatsApp e SMS)”, a criação de um “Gabinete de Apoio ao Candidato” e de espaços físicos de recrutamento, com atendimento personalizado, bem como a “digitalização do processo de candidatura, com soluções mobile e acompanhamento em tempo real”, além da redução da burocracia. Quanto à adaptação dos critérios e dos processos de seleção, a GNR “está igualmente a rever os seus métodos de seleção”, com vista a garantir maior rapidez nos procedimentos, reforçar “a transparência e a qualidade da avaliação, incluindo formação específica para avaliadores” e, por fim, “adaptar os critérios às características das novas gerações e da sociedade”.Guarda prisionalO Ministério da Justiça respondeu ao DN que “o Governo aprovou o Plano Plurianual de Recrutamento e Promoções do Corpo da Guarda Prisional, medida que reflete um quadro estruturado e plurianual para o recrutamento e a progressão de carreiras neste setor, por forma a garantir o seu aumento e rejuvenescimento, bem como a manutenção de elevados graus de prontidão e a sua eficácia operacional”. Relembrou que m março deste ano foi publicado o decreto-lei que veio rever o Estatuto do Pessoal do Corpo da Guarda Prisional com a finalidade de atrair e fixar profissionais, face ao aumento da população prisional. O plano prevê 400 novos recrutamentos e 380 promoções até 2027: 200 recrutamentos e 140 promoções em 2026, e mais 200 recrutamentos e 240 promoções em 2027.amanda.lima@dn.pt.Concurso para guardas prisionais com 575 candidaturas.Há três anos que as entradas na PSP não compensam as saídas