Vários países da Europa adotaram medidas de emergência devido à onda de calor prevista para esta semana. Em França, por exemplo, as escolas fecham portas segunda e terça-feira (dias 22 e 23 de junho), tal como em várias zonas do Luxemburgo. A situação atinge também Portugal, com regiões que deverão registar temperaturas acima dos 40 graus. Temperaturas que podem ser superiores no interior das salas de aula, numa altura em que os alunos de pré-escolar e do 1º ciclo ainda não terminaram o ano letivo e os estudantes de Ensino Secundário vão realizar exames nacionais. A situação levou mesmo o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades (SPLIU) a solicitar ao ministro da Educação, Fernando Alexandre, o término antecipado do ano letivo para estes ciclos. O sindicato pretendia o final já no passado dia 19 de junho. Recorde-se que o pré-escolar e 1º ciclo terminam as aulas apenas no dia 30.O SPLIU solicitou também o reagendamento dos exames nacionais previstos para a esta semana (História, Matemática, Física-Química, Filosofia, entre outros). “O pedido do SPLIU justifica-se pelo facto de a significativa maioria das salas de aula não estarem dotadas de equipamentos de filtragem dos raios solares, de ventilação adequada e de climatização”, explica o sindicato.Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), pede sensibilidade ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) perante esta “situação anormal”. “O MECI tem de estar atento a uma situação, pois é prejudicial, sobretudo para as crianças mais pequenas. A maioria das escolas do nosso país não estará apta a ter aulas com temperaturas elevadas. São construções antigas, a maior parte do século passado”, explica. O responsável considera positivo o encerramento das escolas, que “pode ser avaliado e feito em distritos onde as temperaturas são mais elevadas e noutros, não”. “É algo que o MECI deve pôr em cima da mesa, sobretudo em relação ao pré-escolar e 1º ciclo. Devemos pensar e perceber se faz sentido tomar atitudes como na França para garantir o bem estar dos alunos”, afirma. O presidente da ANDAEP pede ainda especial a colaboração entre as autarquias e o MECI, de forma a “tomar decisões para enfrentar esta onda de calor”. “O nosso país é desigual em termos de temperatura, há zonas com calor com 40 ou mais graus e outras onde as temperaturas são mais suportáveis. A maioria das escolas não têm eficiência térmica. Alunos e professores podem estar fechados em salas onde é insuportável a permanência nestas condições”, salienta. Contudo, recorda tratar-se de uma situação recorrente em Portugal, onde “os alunos passam muito frio ou muito calor nas escolas”.No que se refere ao reagendamento de exames, o representante dos diretores escolares admite “ser mais complexo”. “Adiar exames é complicado, mas não me repugna nada que alguns distritos não houvesse aulas”, conclui.Questionado pelo DN sobre se iriam ser tomadas algumas medidas nas escolas face à onda de calor, como o reagendamento dos exames nacionais ou antecipação do fim das aulas do 1.º ciclo e pré-escolar, o MECI optou por não responder..Onda de calor de maio em Portugal continental foi a segunda mais longa