O mais recente estudo internacional sobre o excesso de peso não deixa dúvidas quanto à realidade portuguesa. “O excesso de peso ocupa a 2.ª posição entre os fatores que mais contribuem para os anos de vida saudável perdidos, e a 3.ª posição entre os que mais contribuem para o total de mortes”, lê-se no relatório do Global Burden of Disease Study (GBD), com dados de 2023, no qual a Direção Geral da Saúde (DGS) participou e que esta quarta-feira, dia 4 de março, publica no seu site, para assinalar o Dia Mundial da Obesidade.Segundo especifica o relatório, “o excesso de peso foi o fator de risco com o maior aumento na sua contribuição para a carga da doença em Portugal”, atingindo 28,7% dos adultos, embora mais de metade da população apresente já excesso de peso (67,6%). O alerta vai também para a obesidade infantil, que “atinge proporções elevadas”, sublinhando a DGS que, em 2022, 13,5% das crianças dos 6 aos 8 anos de idade viviam com obesidade e 31,9% apresentavam excesso de peso.E é neste sentido, justificando que “a evidência científica demonstra que a fração da obesidade atribuível a fatores alimentares é elevada, representando mais de 50% da prevalência de excesso de peso (includindo a obesidade), que a DGS lança também neste dia mundial um “Manual de Mudança Comportamental no Tratamento da Obesidade”. Um documento que “reúne estratégias estruturadas” com o objetivo de “apoiar a mudança de comportamentos alimentares e de atividade física”, incluindo também “ferramentas práticas dirigidas a serviços e profissionais de saúde, nomeadamente guias de aconselhamento e ferramentas de automonitorização comportamental”.No documento publicado, a DGS reforça que “a obesidade é uma doença crónica, complexa e multifatorial” e, atualmente, “um dos principais problemas de saúde pública” no país, referindo mesmo que “quando considerados apenas os fatores de risco comportamentais, os hábitos alimentares inadequados surgem nas primeiras posições, reforçando o impacto da alimentação na saúde”..Obesidade. Aprovado novo modelo de cuidados integrados e estudo para comparticipação de medicamentos a doentes . Isto mesmo é também referido no GBD Study, um estudo coordenado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation da Universidade de Washington que contou com a colaboração da DGS e de outros organismos de 204 países, já que o seu objetivo “é recolher informação sobre as doenças e os fatores de risco que mais contribuem para a mortalidade e para a perda de anos de vida saudável”.De acordo com a DGS, este estudo permite analisar as tendências de evolução ao longo das últimas décadas (de 1990 a 2023) e, no que respeita a Portugal, permite perceber que “o excesso de peso, incluindo a obesidade, foi o fator de risco com maior tendência de crescimento quanto à sua contribuição para a carga da doença nos portugueses, contrariamente à tendência de diminuição observada para quase todos os outros fatores de risco”.Ou seja, os dados recolhidos demonstram que, nos últimos anos 20 anos, houve “um aumento de 23% no contributo do excesso de peso para a perda de anos de vida saudável e de 22% para o total de mortes associadas ao IMC elevado”, apesar de “o ritmo de crescimento ter abrandado na última década (2010-2023)”. Por exemplo, neste estudo é ainda destacado que, entre 2000 e 2021, a mortalidade associada ao excesso de peso cresceu 14% e que a perda de anos de vida saudável cresceu 28%.Relativamente aos hábitos alimentares, a DGS recorda que o elevado consumo de carne vermelha, carnes processadas e de sal, bem como o insuficiente consumo de cereais integrais, hortícolas e frutos oleaginosos, são os aqueles que foram identificados como os mais inadequados e que mais contribuíram para que os portugueses vivessem menos anos com saúde, no ano de 2023.No entanto, alerta também para o facto de haver, além da alimentação inadequada e do excesso de peso, outros fatores metabólicos, como a glicose plasmática elevada e a hipertensão arterial, muitas vezes associados aos padrões alimentares, que estão entre os principais responsáveis pelo desenvolvimento de doenças como diabetes, neoplasias e doenças cardiovasculares e renais em Portugal, e aos quais se deve estar atento..Especialistas e doentes desafiam Governo a tirar do papel medidas contra obesidade.Medicamentos para obesidade custariam ao Estado entre 194 e 954 milhões de euros em dois anos