O descarrilamento do elevador da Glória aconteceu a 3 de setembro de 2025
O descarrilamento do elevador da Glória aconteceu a 3 de setembro de 2025FOTO: GERARDO SANTOS

Descarrilamento do elevador da Glória. Filhos do guarda-freio morto sem bolsa escolar meio ano depois

Carlos Moedas reconheceu a situação em sede de reunião privada da Câmara Municipal após pergunta de Alexandra Leitão. Carris respondeu ao PCP e assume cessação de contratos com empresas de manutenção.
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A bolsa escolar destinada aos filhos do guarda-freio André Marques, que morreu no acidente do elevador da Glória, em Lisboa, há meio ano, ainda não foi paga, reconheceu esta quarta-feira, 4 de março, a Câmara Municipal de Lisboa, questionada pelo PS.

Fonte do PS na Câmara Municipal de Lisboa (CML) disse à agência Lusa que o executivo liderado por Carlos Moedas reconheceu, na reunião camarária privada que decorre esta quarta-feira, que, seis meses depois do acidente ocorrido no Elevador da Glória, ainda não foi paga a bolsa escolar destinada aos filhos do guarda-freio André Marques, nem lhes foi assegurado o apoio psicológico devido.

A questão foi levantada pela vereadora do PS Alexandra Leitão, durante o debate sobre o ponto de situação das medidas de apoio às vítimas e respetivas famílias. Na ocasião, os vereadores do PS apresentaram um voto de homenagem às vítimas do acidente, assinalando os seis meses decorridos.

O elevador da Glória, muito procurado por turistas no centro de Lisboa, descarrilou no dia 03 de setembro, com uma das duas cabinas a embater violentamente contra um edifício, provocando 16 mortes e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.

De acordo com a mesma fonte, a vereadora socialista insistiu na necessidade de respostas concretas relativamente ao acompanhamento das vítimas e das suas famílias, bem como no cumprimento dos apoios anunciados após o acidente.

Alexandra Leitão questionou ainda o executivo sobre o estado do processo, incluindo o pagamento de indemnizações, os apoios sociais previstos e a divulgação de informação clara sobre as condições em que poderá ocorrer a reabertura do elevador, defendendo que o município deve garantir transparência e esclarecimento público.

Segundo o Partido Socialista, confrontado com as notícias que apontam para atrasos no pagamento de compensações às vítimas do acidente, a câmara remeteu a questão para a seguradora responsável.

Respostas ao PCP

Há um mês, o PCP apresentara várias perguntas sobre o Elevador da Glória que tinham ficado sem resposta. Esta quarta-feira, soube o DN, chegaram algumas dessas reações por parte do Executivo. De acordo com a Carris, "o Gabinete de Apoio Social da empresa assegurou desde o primeiro momento apoio direto às vítimas e famílias", relatando ainda que "no caso do guarda‑freio André Marques foi assegurado o pagamento das cerimónias fúnebres e encontra-se em curso o processo para atribuição de bolsa escolar aos filhos, bem como apoio psicológico presencial regular à família."

Quanto às auditorias técnicas, o município usa também uma resposta da Carris, agora dirigida por Rui Lopo, citando que houve parecer técnico favorável à reabertura do Funicular da Graça e que "estão em curso auditorias externas aos Ascensores da Bica, Lavra e ao Elevador de Santa Justa, aguardando-se a entrega dos relatórios finais, bem como auditoria específica aos sistemas de frenagem do Ascensor da Glória", mencionando ainda que "estão em curso as avaliações."

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No que toca ao modelo de gestão dos serviços de manutenção e segurança, segundo a Carris foi feita a "reestruturação da Direção de Modo Elétrico, com nomeação de novo Diretor e reforço de quadros técnicos", além de "revogação dos contratos de manutenção com a MNTC e dos "restantes contratos para a LIFETECH". Menciona-se ainda que "haverá contratação de auditoria externa aos processos de manutenção do modo elétrico."

A Carris não se comprometeu com datas de reabertura dos ascensores, vincando que "seguirá rigorosamente os pareceres técnicos e as normas de segurança aplicáveis", nem detalhou a reposição do funcionamento do Elevador da Glória, embora diga que vai seguir "as melhores práticas nacionais e internacionais que respeitem elevados padrões de segurança."

Seguradora diz que celebrou acordos indemnizatórios em alguns casos

Meio ano depois do descarrilamento, os processos de apoio às vítimas e seus familiares continuam em desenvolvimento por parte da seguradora da Carris, a Fidelidade, que indicou que já foram celebrados acordos indemnizatórios.

“Os processos encontram-se atualmente em diferentes fases de regularização, em função da natureza e da evolução clínica de cada situação: em alguns casos, foram já celebrados acordos indemnizatórios; noutros, aguarda-se a receção de documentação legalmente necessária para formulação de proposta indemnizatória”, indicou fonte oficial da Fidelidade, em resposta à agência Lusa.

A seguradora adiantou que, “em diversas situações relativas a vítimas com lesões corporais”, o processo se encontra “ainda em fase de consolidação médico-legal”, sendo necessário aguardar a estabilização clínica para avaliação definitiva de eventuais incapacidades e subsequente cálculo indemnizatório.

Sem adiantar dados concretos sobre os apoios já atribuídos às vítimas, a seguradora referiu que, até ao momento, têm sido assegurados e liquidados os encargos devidamente comprovados e enquadráveis nas coberturas aplicáveis, designadamente despesas médicas, hospitalares, farmacêuticas, deslocações, repatriamentos, serviços fúnebres e outras despesas resultantes do acidente.

Lembrando que o capital seguro contratado com a Carris é de 50 milhões de euros, a seguradora disse que “a regularização integral do sinistro será conduzida nos termos legais, com rigor técnico e humano, independentemente do tempo necessário à conclusão de cada processo”.

Em resposta à Lusa, a empresa municipal Carris, que tem como acionista único a Câmara Municipal de Lisboa, disse que tem estabelecido contactos com as vítimas e/ou respetivas famílias, além do trabalho que está a ser desenvolvido pela seguradora Fidelidade.

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