A bolsa escolar destinada aos filhos do guarda-freio André Marques, que morreu no acidente do elevador da Glória, em Lisboa, há meio ano, ainda não foi paga, reconheceu esta quarta-feira, 4 de março, a Câmara Municipal de Lisboa, questionada pelo PS.Fonte do PS na Câmara Municipal de Lisboa (CML) disse à agência Lusa que o executivo liderado por Carlos Moedas reconheceu, na reunião camarária privada que decorre esta quarta-feira, que, seis meses depois do acidente ocorrido no Elevador da Glória, ainda não foi paga a bolsa escolar destinada aos filhos do guarda-freio André Marques, nem lhes foi assegurado o apoio psicológico devido.A questão foi levantada pela vereadora do PS Alexandra Leitão, durante o debate sobre o ponto de situação das medidas de apoio às vítimas e respetivas famílias. Na ocasião, os vereadores do PS apresentaram um voto de homenagem às vítimas do acidente, assinalando os seis meses decorridos.O elevador da Glória, muito procurado por turistas no centro de Lisboa, descarrilou no dia 03 de setembro, com uma das duas cabinas a embater violentamente contra um edifício, provocando 16 mortes e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.De acordo com a mesma fonte, a vereadora socialista insistiu na necessidade de respostas concretas relativamente ao acompanhamento das vítimas e das suas famílias, bem como no cumprimento dos apoios anunciados após o acidente.Alexandra Leitão questionou ainda o executivo sobre o estado do processo, incluindo o pagamento de indemnizações, os apoios sociais previstos e a divulgação de informação clara sobre as condições em que poderá ocorrer a reabertura do elevador, defendendo que o município deve garantir transparência e esclarecimento público.Segundo o Partido Socialista, confrontado com as notícias que apontam para atrasos no pagamento de compensações às vítimas do acidente, a câmara remeteu a questão para a seguradora responsável. Respostas ao PCPHá um mês, o PCP apresentara várias perguntas sobre o Elevador da Glória que tinham ficado sem resposta. Esta quarta-feira, soube o DN, chegaram algumas dessas reações por parte do Executivo. De acordo com a Carris, "o Gabinete de Apoio Social da empresa assegurou desde o primeiro momento apoio direto às vítimas e famílias", relatando ainda que "no caso do guarda‑freio André Marques foi assegurado o pagamento das cerimónias fúnebres e encontra-se em curso o processo para atribuição de bolsa escolar aos filhos, bem como apoio psicológico presencial regular à família."Quanto às auditorias técnicas, o município usa também uma resposta da Carris, agora dirigida por Rui Lopo, citando que houve parecer técnico favorável à reabertura do Funicular da Graça e que "estão em curso auditorias externas aos Ascensores da Bica, Lavra e ao Elevador de Santa Justa, aguardando-se a entrega dos relatórios finais, bem como auditoria específica aos sistemas de frenagem do Ascensor da Glória", mencionando ainda que "estão em curso as avaliações.".Lisboa. Funicular da Graça reabre em abril após conclusão de vistoria. No que toca ao modelo de gestão dos serviços de manutenção e segurança, segundo a Carris foi feita a "reestruturação da Direção de Modo Elétrico, com nomeação de novo Diretor e reforço de quadros técnicos", além de "revogação dos contratos de manutenção com a MNTC e dos "restantes contratos para a LIFETECH". Menciona-se ainda que "haverá contratação de auditoria externa aos processos de manutenção do modo elétrico."A Carris não se comprometeu com datas de reabertura dos ascensores, vincando que "seguirá rigorosamente os pareceres técnicos e as normas de segurança aplicáveis", nem detalhou a reposição do funcionamento do Elevador da Glória, embora diga que vai seguir "as melhores práticas nacionais e internacionais que respeitem elevados padrões de segurança." Seguradora diz que celebrou acordos indemnizatórios em alguns casos.Meio ano depois do descarrilamento, os processos de apoio às vítimas e seus familiares continuam em desenvolvimento por parte da seguradora da Carris, a Fidelidade, que indicou que já foram celebrados acordos indemnizatórios.“Os processos encontram-se atualmente em diferentes fases de regularização, em função da natureza e da evolução clínica de cada situação: em alguns casos, foram já celebrados acordos indemnizatórios; noutros, aguarda-se a receção de documentação legalmente necessária para formulação de proposta indemnizatória”, indicou fonte oficial da Fidelidade, em resposta à agência Lusa.A seguradora adiantou que, “em diversas situações relativas a vítimas com lesões corporais”, o processo se encontra “ainda em fase de consolidação médico-legal”, sendo necessário aguardar a estabilização clínica para avaliação definitiva de eventuais incapacidades e subsequente cálculo indemnizatório.Sem adiantar dados concretos sobre os apoios já atribuídos às vítimas, a seguradora referiu que, até ao momento, têm sido assegurados e liquidados os encargos devidamente comprovados e enquadráveis nas coberturas aplicáveis, designadamente despesas médicas, hospitalares, farmacêuticas, deslocações, repatriamentos, serviços fúnebres e outras despesas resultantes do acidente.Lembrando que o capital seguro contratado com a Carris é de 50 milhões de euros, a seguradora disse que “a regularização integral do sinistro será conduzida nos termos legais, com rigor técnico e humano, independentemente do tempo necessário à conclusão de cada processo”.Em resposta à Lusa, a empresa municipal Carris, que tem como acionista único a Câmara Municipal de Lisboa, disse que tem estabelecido contactos com as vítimas e/ou respetivas famílias, além do trabalho que está a ser desenvolvido pela seguradora Fidelidade..Meio ano depois, vítimas do Elevador da Glória aguardam conclusão dos processos indemnizatórios.A última imagem com vida do guarda-freio André Marques no elevador da Glória, antes do acidente.Seis meses após tragédia no Elevador da Glória, oposição exige respostas a Moedas