Seis meses depois do acidente do Elevador da Glória que vitimou 16 pessoas em Lisboa, a 3 de setembro, tendo-se contabilizado ainda mais 20 feridos, Carlos Moedas ouvirá amanhã (quarta-feira, 4) reivindicações dos partidos políticos de oposição, que pedem respostas ao Executivo. O Partido Socialista, que em outubro passado, após relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários, pediu a demissão do Conselho de Administração da Carris – entretanto substituído, depois de Carlos Moedas ser reeleito –, insistiu que seriam precisas conclusões a breve prazo. Esta quarta-feira, o PS levará à reunião de Câmara Municipal um voto de pesar de solidariedade com as famílias afetadas, segundo um documento a que o DN teve acesso, e um pedido para que se reafirme "o compromisso do município de Lisboa com o apuramento integral das causas do acidente, bem como com a assunção das responsabilidades que daí decorram, nos termos da lei e do interesse público”, tendo em conta as várias notícias que relatam a falta de pagamento dos valores compensatórios, devido à demora nas conclusões quanto ao acidente.“Há desconfiança sobre o Estado e é preciso que se diga alguma coisa. Em relação aos apoios, entendo que a entidade pública devia pagar primeiro e entender-se depois com a seguradora”, atalha Alexandra Leitão ao Diário de Notícias, embora admitindo que Moedas não tem tal “obrigação jurídica.” A socialista sugere esse pagamento antecipado dada a “falta de novidades quanto a relatórios”, expressando preocupação por ter tido conhecimento de que “não existirá relatório do IMT” pelo facto de a Câmara Municipal “não ter dado indicações de qualquer prazo indicativo” para certas conclusões - o município, sabe o DN, quis garantir que tais averiguações decorrem sem pressões políticas. O PS explicou ainda que o voto contra o plano de atividades da própria Carris com o facto de, segundo os socialistas, não estarem nele previstas as devidas ilações quanto ao acidente.Até tendo em vista que “a confiança da cidade depende da clareza das respostas prestadas e do respeito devido às vítimas”, o PS quer respostas também quanto aos outros ascensores encerrados indefinidamente e relatórios que sustentem que há reforço dos “mecanismos de fiscalização, manutenção e segurança dos seus equipamentos públicos.”PCP expôs várias perguntas há um mêsHá exatamente um mês, o PCP lembrou que tinham passado cinco meses e solicitou a Moedas explicações quanto “à resposta às famílias das vítimas”, “aos resultados dos trabalhos de avaliação e de auditorias técnicas” e “às medidas para reforçar os mecanismos internos de manutenção e segurança dos elevadores.” João Ferreira questionou ainda os prazos para as retomas de ascensores e, especificamente, do próprio Elevador da Glória. Como tal, o tema está sem resposta.Chega quer esclarecimentos sobre modelo de fiscalizaçãoO Chega garante que votará favoravelmente ao pesar proposto pelo PS. “Acompanhamos e votaremos favoravelmente o voto de homenagem às vítimas, mas a homenagem não pode esgotar-se na evocação”, refere Bruno Mascarenhas em nota enviada ao DN, vincando que o município tem “responsabilidades legais inequívocas de fiscalização, monitorização e supervisão da exploração do serviço público de transporte de passageiros.” Por isso, o vereador do Chega, que deverá ser representado por Luís Alves na reunião desta quarta-feira, quer ver esclarecido qual “o modelo permanente de fiscalização independente criado após o acidente e quais as normas técnicas exigidas para qualquer transporte público.” O Chega pergunta ainda por “alterações nos procedimentos de contratação de prestadores de serviços”, advogando que “a tutela municipal sobre empresas como a Carris implica superintendência ativa e implementação de mecanismos de controlo efetivo.”O Bloco de Esquerda, pelo que foi possível saber, também levará o tema a discussão. "O relatório da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes sobre o elevador da Glória afinal não existe, demonstrando a falta de compromisso da tutela. É inaceitável que as indemnizações estejam por apurar. Mais ainda, no plano municipal, recordamos que a Carris forneceu dados incorretos à investigação sobre o acidente no Elevador da Glória, nomeadamente sobre a data de instalação do cabo irregular, indicando inicialmente que era utilizado desde 2019, quando afinal estava em uso desde 2022", anota o Bloco de Esquerda ao DN.Além do voto de saudação pelo Dia da Mulher, que deve ter aprovação, o PCP irá fazer uma exposição de um despejo de uma inquilina do Programa Renda Acessível e dos seus dois filhos menores, mencionando que os contratos dos senhorios com a Câmara têm vindo a cessar, expondo famílias em condições financeiras difíceis. João Ferreira pedirá ainda que Moedas inste o Governo a um aumento do número de assistentes operacionais nas escolas.Na sequência das notícias avançadas pelo Diário de Notícias sobre a emergência nas escolas em Lisboa, a Câmara Municipal de Lisboa difundiu esta terça-feira que fará acompanhamentos e visitas a muitos dos agrupamentos..PS Lisboa faz queixa ao Ministério Público: acusa Executivo de Moedas de lesar autarquia com hotel em Marvila.Acidente/Elevador. Três meses depois estão em curso vistorias aos ascensores de Lisboa e apoio às vítimas.Meio ano depois, vítimas do Elevador da Glória aguardam conclusão dos processos indemnizatórios