Paulo Simões Ribeiro, secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna.
Paulo Simões Ribeiro, secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna.Foto: Rui Manuel Fonseca/ Arquivo Global Imagens

Debate no Parlamento sobre o aeroporto com acusações de culpa, mas sem soluções

Ministra da Administração Interna está doente e foi representada pelo secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Paulo Simões Ribeiro.
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Faltaram soluções concretas, mas sobraram culpas e regressos ao passado. O debate de urgência sobre a situação dos aeroportos terminou sem o Governo esclarecer exatamente o que será feito para evitar que as filas se instalem novamente, para além do que já tinha sido anunciado.

Paulo Simões Ribeiro, secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, utilizou parte da sua intervenção para culpar outros partidos pela situação, nomeadamente o Partido Socialista (PS) e o Chega. No caso do PS, apontou a extinção “improvisada e desestruturada do SEF” e a “política de portas escancaradas”. Já a responsabilidade atribuída ao Chega prendeu-se com o facto de não ter aprovado, tal como os socialistas, a criação da Unidade de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF), no inverno de 2024. “Se não o tivessem feito, a situação que se viveu no aeroporto Humberto Delgado seria substancialmente diferente”, justificou Ribeiro, em representação da ministra Maria Lúcia Amaral. A ausência da ministra, inicialmente criticada por vários deputados, foi justificada por motivo de doença.

O Chega fez o mesmo, mas apontando sobretudo responsabilidades ao PS. A deputada Cristina Rodrigues lembrou a extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). “Finalmente o PS reconhece a extinção do SEF?”, questionou. A deputada trouxe ainda para o debate o tema das manifestações de interesse e da imigração. “Podiam ser os maiores bandidos da terra deles, mas tinham tapete vermelho para entrar em Portugal”, afirmou, em pleno debate sobre as filas nos aeroportos.

Rui Rocha, da Iniciativa Liberal (IL), seguiu a mesma linha, mas incluiu também o PSD na lista de culpados. “O PSD diz que a responsabilidade é do PS. O PSD diz que a responsabilidade também é do Chega por causa da UNEF. O Chega diz que a responsabilidade é do PS e do PSD. E vamos resolver o problema. A responsabilidade é de todos. É do Chega, do PS e do PSD”, afirmou. “Do PS, tudo o que deixou; do PSD, tudo o que não faz; e do Chega, o pleno impedimento de que a UNEF avançasse no momento devido”, argumentou, não deixando de citar, com ironia, a “mentalidade Cristiano Ronaldo”, expressão usada recentemente pelo primeiro-ministro.

Ao mesmo tempo, classificou Lisboa como “uma espécie de bar aberto em que quem quer entrar em Portugal ou na Europa, sabendo que não tem condições para o fazer, usa o aeroporto de Lisboa, pondo em causa a segurança nacional”. O secretário de Estado rebateu, afirmando que não está em causa a segurança nacional, uma vez que os controlos existentes antes do novo sistema continuam a ser realizados. O mesmo foi sublinhado pelo ministro Miguel Pinto Luz, durante a inauguração de novas obras no aeroporto.

Por que razãodiminuíram as filas?

Fontes da PSP e a associação sindical da classe atribuíram o fim das filas à suspensão do novo controlo eletrónico. No entanto, uma fonte da segurança interna, que falou com o DN, afirmou que este não foi o principal fator, citando o exemplo de que, no Porto e em Faro, o sistema continua ativo e sem problemas.

Segundo esta fonte, a diminuição das filas deveu-se sobretudo à ocupação de todas as 16 boxes por agentes, bem como à redução do número de passageiros que chegam a Lisboa. Os viajantes provenientes de voos de fora do Espaço Schengen diminuíram cerca de 60%, quando comparados com a época das festas de fim de ano.

amanda.lima@dn.pt

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