Situação está normalizada.
Situação está normalizada.Foto: Gerardo Santos

Sistema de controlo suspenso. Aeroporto de Lisboa sem filas

O DN conversou com passageiros, que relataram tempos de espera quase inexistentes. Para a associação sindical da PSP, esta situação só ocorre porque o novo sistema eletrónico está suspenso.
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Após dias caóticos de filas no Aeroporto de Lisboa, a situação é agora de tempos de espera inferiores a dez minutos. O DN esteve no Aeroporto de Lisboa e falou com passageiros, que relataram ter aguardado apenas alguns minutos na fila. “Fiquei menos de cinco minutos”, disse ao jornal a brasileira Tatiana Macedo, que chegou de São Paulo.

Outros testemunhos semelhantes confirmam a redução dos tempos de espera, que surpreende passageiros, apreensivos com as informações recentes sobre longas filas. A notícia sobre tempos de espera superiores a sete horas, no dia 28 de dezembro, correu o mundo.

Ao DN, uma fonte oficial da Polícia de Segurança Pública (PSP) afirma que o tempo médio de espera foi entre zero e dez minutos. Apesar do reforço de profissionais com militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), fontes ouvidas pelo jornal destacam que a melhoria da situação está relacionada com a suspensão do novo controlo eletrónico. “Desde que o controlo foi desativado, a situação mudou, porque os agentes levam muito menos tempo, sem terem de fazer a recolha de dados biométricos”, disse uma fonte ao DN.

Já a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) continua a criticar o cenário no aeroporto, acusando o Ministério da Administração Interna de não concretizar, na prática, o reforço anunciado de 80 agentes. “Há aqui muito branqueamento e está-se a esconder alguma realidade. Fazem-se anúncios, mas depois não têm qualquer correspondência com a realidade. Aquilo que nós sabemos, pelo terreno, é que não houve nenhum desses 80 elementos, não foi nenhum para as esquadras ou fronteiras”, explica ao DN o presidente, Paulo Santos. O jornal pediu uma reação ao ministério sobre esta afirmação, mas ainda não obteve resposta.

Quanto à melhoria nos tempos de espera, Santos atribui-a à suspensão do controlo europeu implementado em outubro. “Só não se sente nada porque a plataforma foi desativada temporariamente. Quando voltar a estar ativa é que vamos ver”, explica. Em relação ao reforço com militares da GNR, refere ter recebido a informação de que estão sete profissionais a atuar no aeroporto.

O DN soube que estes militares foram destacados para a zona que recebe passageiros provenientes de voos considerados de baixo risco. No entanto, de acordo com o dirigente sindical, o impacto deste reforço da GNR não é ainda possível de avaliar. “Não é por uma questão de X polícias que aquilo pode mudar. Estamos a falar de necessidades estruturais do aeroporto, estamos a falar do momento em que a plataforma está desativada. Por isso, aquilo que está a acontecer neste momento não corresponde ao que será o futuro, quando a plataforma estiver novamente ativa. E isso requer mais intervenções, não só ao nível do efetivo, mas também de espaços, do aumento do número de voos e de mudanças estruturais no aeroporto”, contextualiza.

Nesta quarta-feira, 07 de janeiro, será realizada a inauguração da ampliação do Terminal 2 do Aeroporto Humberto Delgado. Estas obras visam aumentar de 38 para até 45 os movimentos de aeronaves por hora até 2028. A cerimónia contará com a presença do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz. A inauguração ocorre com um atraso de cerca de três meses, uma vez que a conclusão das obras estava inicialmente prevista para outubro do ano passado.

À mesma hora desta cerimónia, o Governo estará no Parlamento para participar num debate de urgência sobre a situação do Aeroporto de Lisboa. O debate foi convocado pelo Partido Socialista (PS), que intitulou a discussão “Caos no Aeroporto de Lisboa e impacto da suspensão do Sistema de Entradas e Saídas - novo sistema europeu de controlo automatizado das fronteiras externas do espaço Schengen”.

O controlo foi suspenso por três meses. o Governo justificou a medida por causa do “o agravamento dos constrangimentos na zona de chegadas” de passageiros não-europeus provenientes de fora do espaço Schengen devido à evolução do novo Sistema de Entrada/Saída (EES) da União Europeia.

Logo depois, a Comissão Europeia afirmou que vai pedir “mais detalhes” às autoridades portuguesas sobre a suspensão do sistema europeu de controlo de fronteiras para cidadãos extracomunitários. Ao mesmo tempo, revelou que a decisão é alheia a problemas com a implementação deste sistema.

amanda.lima@dn.pt

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