A ministra da Administração Interna determinou o reforço da PSP no aeroporto de Lisboa por militares da GNR, em condições que estão neste momento a ser definidas entre os comandos de ambas as forças de segurança, sabe o DN por fontes que estão a acompanhar o processo."Confirmo que foi dada indicação para se proceder ao apoio no aeroporto de Lisboa. Os termos estão a ser coordenados", assegurou ao DN o porta-voz do comando-geral da GNR.Entretanto, em comunicado divulgado pelo gabinete da ministra Maria Lúcia Amaral, é ainda anunciada a "suspensão imediata por três meses da aplicação do sistema informático EES e aumento em cerca de 30% da capacidade de equipamentos eletrónicos e físicos de controlo das fronteiras externas"..Sindicato da PSP estranha colocação de militares da GNR no aeroporto de Lisboa.O Governo reconhece "o agravamento dos constrangimentos na zona de Chegadas do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, de Passageiros não-europeus provenientes de fora do Espaço Schengen, com relação com a evolução do novo sistema Entry Exit System da União Europeia", bem como "a necessidade de implementar e reforçar as medidas de contingência definidas em setembro, para que seja possível alcançar na zona de Chegadas a redução dos tempos já conseguida na zona de Partidas".Quanto ao reforço da GNR, a medida de exceção está prevista no despacho conjunto de outubro passado que criou uma "equipa especial para a gestão dos fluxos de passageiros" nos aeroporto de Lisboa e Faro."Sempre que se revele necessário, a Guarda Nacional Republicana e a Agência para a Integração, Migrações e Asilo, I. P (AIMA) poderão ser chamadas a intervir nos trabalhos da equipa especial, assegurando a disponibilização dos meios necessários à prossecução das respetivas ações", está escrito no documento assinado pelos ministros das Finanças, Joaquim Sarmento, da Presidência, António Leitão Amaro, das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, da Justiçam Rita Júdice, e da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral."Aproveitar a capacidade certificada da GNR no controlo de fronteiras para reforçar de imediato os meios humanos ao serviço no aeroporto Humberto Delgado", determina o MAI.PSP agradece apoio da GNRContactada pelo DN, a PSP assinala que "tem estado praticamente em capacidade máxima no controlo de fronteira, porém em determinados momentos, o tempo de espera, por vários fatores, não é o desejável".Fonte oficial confirma também que "tendo em conta o elevadíssimo fluxo de passageiros no Aeroporto Humberto Delgado, a PSP será reforçada nos próximos dias com militares da GNR, reforço esse que a PSP muito agradece".A PSP lembra ainda que para o controlo de fronteira neste aeroporto "para além dos e-gates, são somente disponibilizados, pela gestora da infraestrutura, no Terminal 1 - 16 balcões de atendimento nas chegadas (mais 6 na área T) e 14 nas partidas; e no Terminal 2 - 6 balcões de atendimento".Acrescenta que "através da Resolução do Conselho de Ministros, a PSP foi autorizada a realizar despesa até ao montante de 7,5 milhões de euros, para aquisição de harware (e-gates), software e serviços de manutenção corretiva entre 2026 e 2028. A implementação destes sistemas visa reforçar a segurança interna e melhorar a gestão de fluxos no AHD, incluindo, o aumento das posições de controlo de fronteira neste Aeroporto".Nos últimos dias, conforme o DN já noticiou, tem-se agravado a situação no aeroporto Humberto Delgado, situação essa que já tinha sido classificada, no referido despacho há mais de dois meses como tendo "impacto no conforto e segurança dos passageiros e na imagem e economia do país".À partida, algumas questões legais e operacionais se colocam: a segurança e controlo das fronteiras aéreas são da competência exclusiva da PSP; a GNR não tem formação para a fronteira aérea que são diferentes dos das fronteiras marítimas onde atua.Porém, não é a primeira vez que a GNR vai reforçar a PSP no aeroporto de Lisboa. Em fevereiro de 2024, a GNR disponibilizou 17 militares para assumir o lugar de agentes da PSP no controlo de fronteira, para prevenir perturbações operacionais causadas por faltas devido a baixas médicas. Nessa altura, a situação do aeroporto Humberto Delgado era “preocupante e crítica”, na avaliação da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP, o maior sindicato dos polícias) por causa do número de agentes em baixa médica, mais de metade dos 90 que estão no controlo de fronteiras - a Divisão do aeroporto tem mais de 300 elementos, mas estão destacados para várias outras tarefas de segurança aeroportuária.De acordo com um ofício interno da GNR com o assunto “Apoio operacional nos postos de fronteira aéreos”, assinado na altura, o pedido foi feito pelo então pelo diretor nacional-adjunto para a Segurança Aeroportuária e Controlo Fronteiriço da PSP, superintendente-chefe Pedro Teixeira, solicitando à GNR “apoio temporário” para os aeroportos. .Carneiro acusa Governo de “impreparação e incompetência” após suspensão de controlos no aeroporto de Lisboa