Covid-19. Ordem dos Enfermeiros questiona Ministério Público sobre "esquema na vacinação"

A Ordem dos Enfermeiros (OE) questionou esta quinta-feira o Ministério Público sobre se tem conhecimento de casos de alegada irregularidade na vacinação contra a covid-19 e se existe algum inquérito em curso.

A OE adianta em comunicado que enviou um ofício à Procuradoria-Geral da República "na sequência das várias participações" que recebeu e "após as várias notícias vindas a público que dão conta de situações suspeitas na vacinação contra a covid-19, em particular autarcas e agora a situação no INEM denunciada pelos jornais".

A Ordem dos Enfermeiros questiona "se o Ministério Público tem conhecimento destes casos e se existe algum inquérito em curso".

Sublinha ainda que "não cabe à OE pronunciar-se sobre o que é ou não é crime, mas desde já se reserva ao direito de, sendo caso, vir a constituir-se assistente" no processo.

"Nos últimos dias, chegaram à OE relatos de profissionais de saúde que não estão incluídos nas listas de vacinação prioritária, de planos de administração da vacina com a inclusão de enfermeiros como supletivos, de não profissionais de saúde suspeitos de definirem pessoas ou grupos de pessoas a quem tem sido dado tratamento prioritário e ainda de pessoas não incluídas em qualquer grupo prioritário a quem já foi administrada a referida vacina", revela no comunicado.

A Ordem alerta que "é incontornável o risco a que estão expostos os enfermeiros, que, diariamente, lidam com utentes que são ou podem ser transmissores, colocando em risco a sua própria saúde e a segurança dos cuidados prestados a outros".

"Os profissionais de saúde foram, e bem, incluídos na primeira fase de vacinação, como grupo prioritário, mas é também hoje um facto indesmentível que ainda há muitos profissionais de saúde por vacinar", lamenta.

Segundo dados divulgados esta quinta-feira pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, foram já atribuídas 249 337 primeiras doses e 53 652 segundas doses de vacinas até às 13:00 de hoje.

"Este processo não é secreto e traduz um grande envolvimento que tem como prioridade clara os profissionais de saúde, dos quais 71.600 já foram vacinados. As pessoas que estão nos lares e seus profissionais foram vacinados na ordem dos 165 mil", referiu Eduardo Cabrita no parlamento, antes de ter sido aprovado por larga maioria o pedido de autorização de renovação do Estado de Emergência até 14 de fevereiro, para permitir medidas de contenção da covid-19.

"Este processo não é secreto e traduz um grande envolvimento que tem como prioridade clara os profissionais de saúde, dos quais 71.600 já foram vacinados. As pessoas que estão nos lares e seus profissionais foram vacinados na ordem dos 165 mil", referiu o membro do Governo.

Portugal atingiu esta quinta-feira novos máximos diários ao registar 303 mortes relacionadas com a covid-19 e 16.432 casos de infeção com o novo coronavírus, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

A covid-19 já matou em Portugal 11608 pessoas dos 685 383 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da DGS.

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