Novos máximos da pandemia em Portugal: 303 óbitos e 16432 casos

A DGS indica que há menos 38 pessoas internadas em enfermaria, enquanto nos cuidados intensivos estão agora 782, menos um doente que no dia anterior. Na última semana foram declarados 1922 óbitos no país, dos quais 894 só na região de Lisboa e Vale do Tejo.

As últimas 24 horas em Portugal foram as piores desde o início da pandemia, uma vez que pela primeira vez foi ultrapassada a barreira das três centenas de óbitos, atingindo os 303 doentes que morreram por covid-19. Aliás, refira-se que na última semana (desde a passada quinta-feira) foram declarados 1922 óbitos por causa desta doença.

Os dados do boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta quinta-feira (28 de janeiro) mostram ainda que, pela primeira vez, foi ultrapassada a barreira das 16 mil novas infeções num só dia, tendo totalizado 16 432 casos positivos.

O boletim mostra entretanto que houve um ligeiro alívio na pressão sobre os hospitais, uma vez que 38 pessoas receberam alta e há menos uma nas unidades de cuidados intensivos. Contudo, o número de pessoas a necessitarem de cuidados nos serviços de saúde é ainda muito elevado, pois encontram-se 6565 doentes internados, enquanto 782 estão em cuidados intensivos.

Foram ainda dados como recuperados da doença 8946 pessoas, ainda assim menos 322 do que aqueles que receberam alta médica dia anterior. Portugal tem agora 223 150 contactos em vigilância, mais 2894 do que os registados no boletim anterior.

A região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) é aquela onde a situação é mais preocupante, uma vez que nas últimas 24 horas foram registadas 142 mortes, o segundo pior registo de sempre, só superado por terça-feira, quando foram declarados 145 óbitos. Para se ter uma noção da gravidade da situação, basta dizer que na última semana (últimos sete dias) morreram nesta região 894 pessoas devido a infeções por covid-19.

Ainda em LVT foram registadas mais 8621 novos casos, mais do que o total de infeções no resto do país nas últimas 24 horas. Na região do Norte houve mais 4057 novos casos e 60 mortes, na zona Centro houve mais 2736 novas infeções e 66 óbitos, no Alentejo foram 529 casos e 23 mortes, enquanto no Algarve registaram-se 327 infeções e 10 óbitos.

No que diz respeito às regiões autónomas, foram registados dois mortos na Madeira, onde houve mais 95 infeções, enquanto os Açores comunicaram 65 novos casos.

O elevado número de doentes internados com o novo coronavírus continua a pressionar, ainda mais, a capacidade de resposta dos hospitais portugueses. A situação é "preocupante", já o admitiu a ministra Marta Temido, que, numa reunião, pediu aos hospitais de Lisboa que abram todas as camas disponíveis.

A região de Lisboa e Vale do Tejo está sob grande pressão. É aqui que desde o início do mês se identificam mais casos positivos.

Os hospitais da região estão em sobrecarga. De tal forma, que, na noite de terça-feira, problemas na rede de oxigénio do Hospital Fernando Fonseca, também designado como Amadora-Sintra, obrigou a que mais de 100 doentes fossem transferidos para outras unidades, nomeadamente das Forças Armadas, Hospital da Luz, Hospital de Santa Maria e ainda para o Hospital de Campanha, montado no Centro Universitário.

Mas há outras unidades a viver esta "situação de catástrofe". Disto mesmo dão conta sete conselhos de administração - a saber: Centro Hospitalar Barreiro-Montijo, Hospital de Setúbal, Hospital Garcia de Orta, Hospital Fernando Fonseca, Hospital Vila Franca de Xira, Hospital de Cascais e Hospital Beatriz Ângelo, em Loures -, que assinam uma carta dirigida à ministra da Saúde e à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT).

Na missiva, as administrações expõem o desespero e o esforço que estão a fazer para dar resposta à sobrecarga na resposta à pandemia e criticam a gestão de camas e a discrepância na sua distribuição, quando se comparam com outras unidades, sobretudo com as duas das maiores do país, CHULC (Lisboa Central) e CHULN (Lisboa Norte), que ainda estão abaixo da sua taxa de esforço.

Perante a situação inédita que se viveu na terça-feira à noite no Amadora-Sintra, juntamente com o documento das setes administrações hospitalares, a ministra Marta Temido reuniu-se na quarta-feira pela manhã, 08.30, com os hospitais de Lisboa, acabando por pedir que disponibilizassem já nesta fase todas as camas que ainda têm disponíveis para a covid-19.

O primeiro-ministro, António Costa, reconheceu na quarta-feira, durante o programa Circulatura do Quadrado, na TVI 24, que teria definido regras mais apertadas no Natal se tivesse conhecimento do quadro da variante inglesa.

"Se tivéssemos conhecimento do quadro da variante inglesa, teríamos definido regras mais apertadas no Natal. Na altura não tínhamos esse conhecimento. Toda a gente concordava com as regras do Natal tínhamos empresários da restauração à porta da Assembleia da República", reconheceu.

Instado por Pacheco Pereira a enumerar os erros que cometeu, o primeiro-ministro reconheceu apenas erros na transmissão da mensagem, mas considerou que as "as coisas estão claramente a correr muito mal nesta terceira vaga". "Quando o recetor não percebeu, o mensageiro transmitiu mal", explicou.

"Os hospitais estão sob pressão. Houve uma confluência do aparecimento da variante inglesa com as regras menos apertadas no período do Natal. No Natal existia um planalto com números muito altos", lembrou, adiante que o pior ainda poderá estar para vir. "Primeiro precisamos de baixar o número de casos diários e só depois é que baixarão o número de internamentos e de óbitos", acrescentou.

O primeiro-ministro falou ainda do fecho das escolas, frisando que "uma interrupção letiva de 15 dias é fácil de compensar no calendário escolar" e que dificilmente o ensino presencial regressará no espaço de 15 dias, pelo que o ensino será retomado através do online.

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