António Costa: "Se tivéssemos conhecimento da variante inglesa, teríamos endurecido regras no Natal"

António Costa garante que na altura não tinha conhecimento sobre variante inglesa quando definiu as regras para o Natal

António Costa reconheceu esta quarta-feira no programa Circulatura do Quadrado, na TVI 24, que teria definido regras mais apertadas no Natal se tivesse conhecimento do quadro da variante inglesa.

"Se tivéssemos conhecimento do quadro da variante inglesa, teríamos definido regras mais apertadas no Natal. Na altura não tínhamos esse conhecimento. Toda a gente concordava com as regras do Natal tínhamos empresários da restauração à porta da Assembleia da República", reconheceu.

Instado por Pacheco Pereira a enumerar os erros que cometeu, o primeiro-ministro reconheceu apenas erros na transmissão da mensagem, mas considerou que as "as coisas estão claramente a correr muito mal nesta terceira vaga". "Quando o recetor não percebeu, o mensageiro transmitiu mal", explicou.

"Os hospitais estão sob pressão. Houve uma confluência do aparecimento da variante inglesa com as regras menos apertadas no período do Natal. No Natal existia um planalto com números muito altos", lembrou, adiante que o pior ainda poderá estar para vir. "Primeiro precisamos de baixar o número de casos diários e só depois é que baixarão o número de internamentos e de óbitos", acrescentou.

"As restrições têm de ser as mínimas necessárias para ter o efeito desejado. As medidas têm de ser graduadas consoante a evolução da pandemia. É necessário tomar em cada momento a medida mais adequada", explanou o governante.

António Costa diz que as pessoas podem ter confiança no Serviço Nacional de Saúde e na sua capacidade de resposta e passou em revista os meses de pandemia. "Quando a pandemia começou, as pessoas confinaram-se voluntariamente, por isso não pensei que o estado de emergência fosse necessário. Pensei que as pessoas acatariam. Espero que não venhamos a estar como os Países Baixos, que têm tido confrontos nas ruas", confessou, reconhecendo ter feito um erro de avaliação quando pensou em tornar obrigatória a aplicação STAY AWAY COVID.

O primeiro-ministro falou ainda do fecho das escolas, frisando que "uma interrupção letiva de 15 dias é fácil de compensar no calendário escolar" e que dificilmente o ensino presencial regressará no espaço de 15 dias, pelo que o ensino será retomado através do online.

Acerca do recurso a hospitais privados, Costa frisou que têm sido "feitos acordos com Misericórdias e hospitais privados conforme a sua capacidade". Sobre a transferência de doentes, diz que, "se os doentes forem de Lisboa para o Algarve, seguramente não havia local mais próximo". "A ideia de que há um país estrangeiro para enviar doentes convém alguma cautela", considerou.

O atraso na vacinação também foi tema de conversa. "Portugal tem seguido uma política prudente de gestão de stocks", salientou, preocupado com a situação dos imunizantes da AstraZeneca.

Sobre as presidenciais, diz que os resultados satisfizeram quem apoia o governo. "Toda a gente que apoia o governo ficou satisfeito com o resultado das eleições presidenciais. Quem votou em Marcelo, ficou satisfeito porque ganhou. Quem votou em Ana Gomes, ficou satisfeito porque ficou à frente de André Ventura. E quem votou em João Ferreira também terá ficado contente", analisou.

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