Os europeus estão a consumir mais cocaína e cetamina aos fins de semana. Estas duas drogas, a par do MDMA (ou ecstasy), foram as mais detetadas nas análises realizadas às águas residuais entre março e maio do ano passado em 115 cidades europeias (23 da UE, Turquia e Noruega) naquele período específico, ou seja, provavelmente, são mais consumidas em ambiente recreativo. Já a canábis, anfetamina e metanfetamina apresentam uma utilização mais uniforme durante a semana.Estes dados fazem parte do estudo que a Agência da União Europeia sobre Drogas (EUAD) divulga esta quarta-feira na sequência dos exames efetuados nas redes de saneamento entre março e maio do ano passado.Em Portugal os estudos foram realizados em Lisboa, Almada e Porto e, nos resultados, destacou-se o facto de na cidade portuense não terem sido detetados vestígios de anfetaminas.De acordo com a agência, os investigadores da rede SCORE analisaram as águas residuais de 72 milhões de pessoas de forma a detetar vestígios de cinco drogas estimulantes (anfetamina, cocaína, metanfetamina, MDMA e cetamina), além da canábis.Os resultados mostraram que os seis estupefacientes foram encontrados em praticamente todas as cidades.As principais conclusões mostram que os valores de cocaína e de cetamina (um anestésico de utilização veterinária e clínica que também está a ser usada como substância recreativa e que provoca desorientação, alteração das perceções afetando, também a coordenação) têm subido anualmente.Em queda está o ecstasy. Segundo os dados agora conhecidos, os resíduos de MDMA diminuíram 16% entre 2024 e 2025. O estudo destaca que das 78 cidades com estatísticas sobre esta droga, 48 (62%) comunicaram uma redução na deteção deste consumo, 12 (15%) uma situação estável e 18 (23%) um aumento. A queda foi mais evidente nas cidades da Alemanha, Áustria e Eslovénia e foi maior do que o observado em 2020 quando as cidades “encerraram” devido à covid-19.Consumo ao fim de semanaAs duas drogas cujos vestígios foram detetados em maior número foram a cocaína e a cetamina.No primeiro caso, o volume global aumentou 22% entre os dois anos analisados. Das 85 cidades com dados relativos a 2024 e 2025, 48 (57%) comunicaram um aumento dos resíduos de cocaína, 21 (25%) mantiveram-se estáveis e 16 (19%) apresentaram um recuo.Segundo o documento da EUAD as deteções de cocaína foram mais elevadas na Europa Ocidental e do Sul, em especial na Bélgica, Espanha e Países Baixos.Já no caso da cetamina, os níveis nas águas residuais subiram 44% nos anos que serviram como referência e das 66 cidades com dados relativos a 2024 e 2025, 40 (61 %) comunicaram um aumento dos resíduos, 14 (21 %) mantiveram-se estáveis e 12 (18 %) apresentaram uma diminuição.Nos três outros estupefacientes analisados - anfetamina, metanfetamina e canábis -, não foram encontradas grandes variações.No primeiro caso, o consumo mais elevado foi registado em cidades do norte e centro da Europa (Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Suécia e Noruega). Portugal surge neste particular com o destaque para o Porto, onde não foi encontrado qualquer vestígio desta substância.A metanfetamina, encontrada tradicionalmente nas cidades da Chéquia e da Eslováquia, foi também detetada na Alemanha, Espanha, Chipre, Lituânia, Países Baixos, Noruega e Turquia.Já a canábis continua a mostrar divergências entre cidades. Das 63 com dados relativos a 2024/25, 21 (33 %) cidades comunicaram um aumento nas deteções do metabolito de canábis (THC-COOH), 28 (44 %) uma diminuição, enquanto 14 (22 %) permaneceram estáveis.No documento é também frisado que a canábis é a droga ilícita mais consumida na Europa, com uma estimativa de 24 milhões de consumidores no último ano. DADOS115 Projeto Este estudo analisou as águas residuais de 115 cidades europeias de 25 países (23 da UE, Turquia e Noruega) entre março e maio de 2025. 72Milhões O total de população cujas águas residuais foram analisadas para detetar vestígios de produtos estupefacientes foi de 72 milhões. 6Produtos A Agência da UE sobre Drogas analisou o consumo de cinco drogas: anfetamina, cocaína, metanfetamina, MDMA, cetamina e canábis. .Drogas sintéticas ganham terreno. Açores e Madeira lideram consumo de novas substâncias .Os jovens estão a consumir menos álcool e drogas